Prémios Saúde Oral 2016

Jorge André Cardoso – “Houve muita gente que me ajudou e tive muita sorte”

No passado dia 29 de setembro, durante a entrega dos Prémios Saúde Ora 2016, o médico dentista Jorge André Cardoso foi distinguido com o Prémio Figura do Ano na Área da Reabilitação Oral. Quisemos saber o que representa a conquista do troféu e quais os projetos para o futuro.

 

O que representa para si vencer o Prémio Figura do Ano na Área da Reabilitação Oral?

Sinto-me grato pelo reconhecimento de outros colegas. É um bom mimo e uma motivação para continuar a trabalhar. Houve muita gente que me ajudou e tive muita sorte.

Como tem sido o seu percurso na medicina dentária e porque escolheu esta área?

Sempre tive dúvidas se seguiria um percurso na área médica ou artes. Acho que teria vocação para ambas, mas não me sentiria completo com nenhuma das duas. Lembro-me no 3º ano, face à possibilidade de mudar para Medicina, preferi seguir esta área porque havia uma componente de criatividade que me pareceu mais entusiasmante.

Acabei o curso em 2002 e estive ligada à FMDUP durante uns anos. Fiz um Mestrado em Prostodontia no Kings College, em Londres, durante quatro anos, terminado em 2010. Passar quatro anos com o contacto com Londres, num ambiente cosmopolita e internacional, moldou-me de forma irreversível. Embora já tivesse um nível clínico relativamente acima da média, forçar-me a estudar a fundo a literatura científica deu-me competências que ainda hoje se refletem imenso na minha atividade clínica e nas formações. Foram anos duros, de muito trabalho e pesquisa, mas de onde tirei um grande proveito, nomeadamente a disciplina de trabalho e do gozo que daí pode vir.

Em simultâneo com o Mestrado em Londres abri a minha clínica em 2005. Um local pequeno, mas altamente produtivo e organizado. A equipa que lá trabalha é honesta, altamente organizada e trabalha com tempo suficiente com cada paciente. Tempo para comunicar (sobretudo) e fazer tratamentos dentro de um padrão de qualidade que nos permite sentir bem connosco próprios e com os doentes.

A SPED é um dos projetos que mais me orgulha ter feito parte. Fizeram-se coisa muito bonitas, de forma “indie”, ignorando interesses implantados. Deu-se palco a muita gente jovem e de grande valor. Espero que assim possa continuar.

Nos últimos anos dedico cerca de 25% do meu tempo à formação, um percurso partilhado com o Rui Negrão e Paulo Júlio. Dá-me muito gozo ensinar de forma desinteressada, com o intuito principal de formar pessoas bem-intencionadas, competentes e motivadas.

Projetos para o futuro?

Não sei se me dedicarei à Medicina Dentária em exclusivo para o resto da vida, mas acho que irei sempre ter uma atividade nesta área, obviamente até pelo respeito e bons momentos que continuo a ter com pacientes e alunos. No entanto sinto alguma falta de inspiração. As redes sociais deram muito palco a “copiadores” com interesses subjacentes. Vejo pouca gente com densidade e inteligência que possam inspirar os mais jovens com originalidade. É uma opinião, mas é o que sinto.

Acho que é uma realidade transversal e se calhar estou errado na forma como vejo isto. Se calhar, em vez de criticar deveria tentar mostrar o lado que mais me excita na Medicina Dentária, que é pensar e criar conceitos originais. Ver a Medicina Dentária tão “fácil” e “banal”, como colocar meia dúzia de fotos bonitas e conversa oca numa rede social, aborrece-me.

Agora coisas que me têm inspirado… vivemos numa época de grandes possibilidades, há gente muito focada, de grande coragem, original e que me inspira em diversas áreas.  Já tenho apps digitais criadas na área da Medicina Dentária e é provável que me lance noutras áreas em breve. Há muitas coisas que me interessam, onde acho que posso ser criativo, contribuir para algo novo e que me fazem sentir vivo.

1 Comment