Entrevista

Gonçalo Seguro Dias troca Dr. Well’s por GSD – Dental Clinics

Gonçalo Seguro Dias troca Dr. Well's por GSD – Dental Clinics

Gonçalo Seguro Dias, managing partner da GSD – Dental Clinics, deixou a Dr. Well’s. Em entrevista à SAÚDE ORAL explica que, num ano em que “o número de aberturas proposto pela Dr. Well’s é muito exigente e os desafios para a GSD muito estimulantes, era a altura ideal de promover a minha saída”. Com o foco inteiramente na GSD, a ideia é duplicar a empresa nos próximos quatro anos.

Em que consistia a colaboração entre a GSD e a Dr. Wells?

A colaboração entre a GSD e a Dr. Wells envolveu as áreas da Direção Clínica da Clínica Colombo (definição de protocolos clínicos e elaboração e administração de programas de formação); do corpo clínico (foco em protocolos clínicos); do staff técnico e não técnico (foco em conhecimento base sobre saúde oral e medicina dentária); da supervisão da implementação dos protocolos clínicos definidos; da avaliação de performance e recrutamento do corpo clínico; da validação da seleção de equipamentos, consumíveis e laboratório; e do input para processos e procedimentos não-médicos/técnicos (representação junto de autoridades). A colaboração envolveu ainda o apoio no desenvolvimento do modelo de negócio operacional com abertura para considerar todos os inputs.

Que balanço faz desta colaboração?

O balanço é francamente positivo: a GSD esteve envolvida em parceria com um grupo como a Sonae, absorvendo muitas das boas práticas de gestão de uma empresa desta dimensão, ao mesmo tempo que cumpriu o mandato que nos foi colocado: que a Dr. Wells viesse a ter padrões de qualidade, competência e exigência que são característicos e reconhecidos na GSD.

Por que razão chegou ao fim esta colaboração?

Ao fim de quase dois anos, e sendo claro para a administração e gestão da Sonae MC, que o meu foco profissional é a GSD, achei que num ano em que o número de aberturas proposto pela Dr. Wells é muito exigente, e os desafios para a GSD muito estimulantes, era a altura ideal de promover a minha saída. A GSD abriu recentemente em Londres, onde procuramos levar a excelência do serviço que prestamos do mesmo modo que fazemos em Portugal. Temos ainda um plano de desenvolvimento para a GSD ambicioso, com um crescimento que visa duplicar a empresa nos próximos quatro anos. Estamos a falar do aumento de clínicas GSD com a qualidade e exigência que nos é reconhecido, assim como uma aposta na formação para profissionais em Implantologia. Curiosamente, recebemos recentemente na GSD Academy, uma empresa certificada pela DGERT para a área da formação, mais colegas estrangeiros do que portugueses. Cerca de 90% dos colegas que nos procuraram são estrangeiros.

A internacionalização

 A GSD já tem assim uma clínica em Londres…

Sim e demorou mais tempo a abrir do que estava inicialmente previsto. Comprámos uma já existente, mas as obras de remodelação demoraram mais tempo do que previsto. Não é só em Portugal que há atrasos. Arrancámos no início do ano passado e estamos a fazer o nosso caminho. O objetivo é sermos uma clínica de ingleses para ingleses, ainda que tenhamos na equipa portugueses, bem como clientes porque trabalham ou vivem lá, entre outras razões. Estamos numa boa zona que não é ultra-prime, mas é prime e o espaço está equipado com aquilo que é considerado a tecnologia mais moderna. Em Inglaterra, o gap entre a prestação de serviço de quem trabalha muito mal e muito bem é ainda maior do que cá e a lógica da referenciação é mais marcada. Posicionamo-nos, por isso, como um centro de referência.

Quais os desafios de abrir uma clínica num mercado internacional, neste caso em Londres?

Já tínhamos um conhecimento de mercado do Reino Unido muito grande e isto permitiu-nos ter alguns parceiros locais que ajudaram na integração da nossa marca no mercado. Mas mais do que falar nos desafios de abrir uma clínica devemos falar dos desafios de uma pequena empresa portuguesa em internacionalizar-se, pois os desafios do nosso mercado não são os mesmos dos mercados onde queremos entrar. Há desafios de estrutura que uma empresa de pequena/média dimensão tem e que tem de saber adaptar-se para olhar para fora. Mesmo com os apoios para a internacionalização na União Europeia é um desafio grande. Por mais que saibamos como funciona o mercado, tudo é diferente. A minha sugestão para quem pensa fazer esta aposta internacional é procurar o apoio de um parceiro local. Isto é fundamental.

E o Brexit?

Acho que ninguém está muito preocupado com isso porque ainda ninguém sabe o que vai acontecer. Não queremos voltar a um nível de fronteiras que experienciámos no passado, mas por outro lado com este nível de indefinição, se andássemos preocupados com isto há dois anos que ninguém fazia nada e as coisas têm de andar para a frente. É um risco calculado.

Pensam abrir clínicas noutros países?

Já fomos abordados para avançar para um outro país, mas neste momento queremos focar-nos naquilo que é o nosso plano de desenvolvimento para os próximos quatro anos em Portugal, bem como consolidar a operação no Reino Unido. Além disso, como o processo de entrada num novo mercado é muito moroso, faz-nos mais sentido apostar no mercado onde já estamos, o que não significa que não possam surgir outras oportunidades. Neste momento faz parte do nosso plano abrir outras clínicas no Reino Unido, sendo que o objetivo da clínica de Londres é ser um piloto para este mercado.

Há pouco referiu o plano de desenvolvimento para a GSD, de onde consta um crescimento que visa duplicar a empresa nos próximos quatro anos…

Concluímos em 2017 o nosso último plano estratégico de quatro anos, e já na altura visava uma duplicação. A nossa lógica é a de um crescimento orgânico. Trabalhamos numa perspetiva de longo prazo e estabelecemos o plano dos próximos quatro anos, que vai visar a duplicação da empresa, acreditando que daqui a quatro anos estaremos no mercado com cerca de 15 clinicas em Portugal. O mercado vive momentos muito interessantes e daqui a uns dez anos vai estar completamente diferente. O facto de se tratar cada vez mais pacientes mais informados e mais exigentes vai ser diferenciador no mercado para os prestadores, sendo que os mais qualificados, que invistam em formação e em meios tecnológicos, irão sobreviver. Creio que estas mudanças fazem com que no final do dia o serviço que prestamos seja melhor.

Têm já previstas aberturas de novas clínicas num curto prazo?

Sim, mas ainda não posso partilhar. Apenas posso adiantar que provavelmente será mesmo muito em breve.

Quais os fatores de diferenciação da GSD?

Um dos nossos fatores de diferenciação tem a ver com as condições que damos à equipa médica, nomeadamente ao nível de materiais e tecnologia – agora estamos na fase de digitalização, ou seja, de mudança para o fluxo digital. As condições que damos à equipa médica são acima da média. Por outro lado, o nível de relacionamento com os nossos pacientes também nos distingue porque, para começar, não temos objetivos financeiros a atingir ao final do dia. A nossa atividade é prestação de serviços médicos e, por isso, conseguimos estabelecer relações com os nossos clientes de longo prazo. 80% do nosso crescimento é orgânico, significa que o word of mouth é muito forte e é sinal de que estamos a conseguir captar pacientes que garantem uma fidelização maior.

Pacientes mais exigentes

E quanto ao turismo de saúde. Também é uma aposta da GSD?

Começámos com um projeto há três anos, no Portugal 2020, que visava determinados serviços orientados para estrangeiros que se queriam vir tratar a Portugal e tivemos algum retorno positivo. Agora, com a clínica em Londres, apesar de esta ter aberto por outras razões, a ideia é que também possa funcionar como uma plataforma de turismo de saúde.

Para finalizar, que perspetiva tem da Medicina Dentária atual?

A Medicina Dentária é um sector que vai sofrer uma profunda alteração nos próximos anos. Teremos sem dúvida uma maior presença de grandes grupos no mercado, mas ao mesmo tempo o mercado vai reconhecer a qualidade de quem está. Os pacientes irão exigir qualidade de tratamento, preço, disponibilidade, etc. Acredito que trataremos pacientes cada vez mais exigentes e conhecedores. Dito isto, acho que para quem se diferencia pela qualidade o futuro será brilhante. É esse o caminho da GSD.