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Formação

“Julgo que há um desfasamento entre aquilo que é a realidade e o ensino universitário”

“Julgo que há um desfasamento entre aquilo que é a realidade e o ensino universitário”

A afirmação é de Dárcio Fonseca, diretor clínico da BeClinique e diretor e coordenador docente da PgO-UCAM Portugal que, em entrevista nas Conferências Saúde Oral, analisou a especialização e autonomia das equipas na estética dentária. À conversa juntou-se também Fernando Peres, médico dentista especialista em ortodontia.

“Nas faculdades não se trabalha de um modo integrado e isto é transversal a todo o País. Acho que o mundo caminha a uma velocidade diferente do que caminham as nossas universidades”, referiu Fernando Peres. O médico dentista confessou ainda que não consegue entender como é que as universidades privadas não renovam o seu corpo docente. “O que vemos é que os dentistas que hoje apresentam trabalhos nos congressos mais sofisticados nem são professores convidados das faculdades, o que me choca um pouco.”

 

Dárcio Fonseca acrescentou que há pessoas que saem do curso sem nunca terem extraído um dente. “Julgo que há um desfasamento entre aquilo que é a realidade, o ensino universitário, e aquilo que são as necessidades que os alunos têm de ter para poder trabalhar, ver um doente e ter conhecimento para isso”, defendeu. “Nem todos os alunos são iguais e cada um faz do curso aquilo que quiser. Há certamente coisas muitíssimo boas nas universidades, nem tudo é mau, mas parte da ineficácia de o ensino ser pior também tem que ver com o interesse dos próprios alunos.”

 

Na opinião do médico dentista, um menor total de alunos por ano nas universidades permitiria que os mesmos pudessem fazer mais. “Julgo que os estudantes estão tão perdidos quando acabam o curso e no que respeita ao que querem para a sua vida que acabam por olhar para a harmonização orofacial como uma oportunidade para começarem a trabalhar.” Fernando Peres acrescentou que “é mais do que evidente que existem lobbies instalados” e questionou “o que é que se aprende hoje em dia dentro de uma faculdade”. Cada vez se formam mais pessoas e “não há mercado para tudo isto”. Lamentou ainda que a Comissão que confere idoneidade às faculdades não tem, pelo menos, um dentista. “Eu não estou a atacar nenhuma instituição. Esta é a minha opinião baseada na realidade que conheço (de pessoas que acabaram o seu curso e procuram formação pós-graduada), o nível de formação é efetivamente baixo”, rematou Dárcio Fonseca.

 
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