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Clínicas Dentárias

Dentista de família, uma clínica para todos

Dentista de família, uma clínica para todos

O conceito de médico de família inspirou a criação da Dentista de Família – Clínica Dra. Natália Simões. O projeto, que nasceu há cinco anos em Lisboa, atende pessoas desde tenra idade até aos mais maduros, proporcionando todas as condições sejam quais forem as necessidades de cada um.

Nós nascemos para ter asas meus amigos.

 

Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.

No entanto, em épocas remotas vieram com dedos pesados de ferrugem para gastar as nossas asas assim como se gastam tostões.

 

Cortaram-nos as asas como se fôssemos apenas operários obedientes, estudantes atenciosos, leitores ingénuos de notícias sensacionais, gente pouca, pouca e seca.

Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris e de coisas transparentes, afirmam que as asas dos homens crescem mesmo depois de cortadas, e, novamente cortadas de novo voltam a ser.

 

Aceitemos essa hipótese, apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.

Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.

 

José Fanha

1985, Cartas de Marear

Este poema, juntamente com a vontade de prestar um serviço melhor no que respeita à saúde oral, inspiraram a médica dentista Natália Simões e o ex-jornalista Miguel Martins a fundar em 2017 a Dentista de Família – Clínica Dra. Natália Simões, em Lisboa.

Miguel Martins formou-se em gestão para poder gerir a clínica, enquanto a sua esposa trata da saúde oral de pacientes dos “8 aos 80”.

O conceito da clínica é inspirado no médico de família. Aqui, o dentista acompanha pais, mães, filhos, avós, tios e primos. Esta abordagem permite “ter uma visão muito mais abrangente porque conhecemos a boca da família daquele paciente”, explica a diretora clínica da Dentista de Família, Natália Simões. Este conhecimento é relevante porque há condições clínicas que muitas vezes são hereditárias e, conhecendo a família, talvez se possa atuar atempadamente. “Com base no conhecimento que temos da família conseguimos até prevenir determinadas situações porque as conseguimos prever”, acrescenta Natália Simões.

“O conceito de família aumenta-nos a possibilidade de fazer um bom serviço porque quando um paciente fica agradado traz a restante família e o mesmo acontece se houver algum problema com um membro da uma família, os restantes também perdem a confiança”, comenta Miguel Martins. O administrador executivo da Dentista de Família acrescenta que este era o conceito que fazia sentido “dado o histórico da Dra. Natália enquanto médica dentista. Ela atende famílias desde que começou a trabalhar, há 17 anos. Houve uma tentativa de continuar esse histórico e alguns pacientes acabaram por migrar de outras clínicas para aqui, naturalmente, porque procuraram o conceito que nós queríamos implementar, atender todo o agregado familiar”.

O conceito da clínica é inspirado no médico de família. Aqui, o dentista acompanha pais, mães, filhos, avós, tios e primos. Esta abordagem permite “ter uma visão muito mais abrangente porque conhecemos a boca da família daquele paciente”, explica a diretora clínica da Dentista de Família, Natália Simões

Miguel e Natália têm protocolos com as famílias que, conforme o número de membros assim é o valor dos cuidados prestados, e ainda com empresas e outras organizações. Dispensam seguradoras e subsistemas de saúde porque acreditam que poderiam desvirtuar o conceito da clínica que se pauta por uma atenção total ao paciente desde a odontopediatria até à odontogeriatria. Aqui tudo é pensado em função do conforto e bem-estar dos utentes. As consultas são agendadas para uma hora e há um sistema que evita que a sala de espera esteja cheia. A base desse sistema é o tempo de consulta, que permite trabalhar com calma. “Nós temos uma tolerância quase zero para atrasos de consulta − um sistema que não é muito habitual na dentária −, mas que está implementado. Temos uma média de atraso de sete minutos”.

Fizemos uma cadeia de alertas. O primeiro é desde logo termos uma hora de consulta e se o médico dentista prever que precisará de mais tempo, tranca mais meia hora. “É preferível ter depois um intervalo de meia hora, caso este tempo não faça falta para a consulta do que ficar outro paciente à espera”, explica Miguel Martins. Deste modo é também mais fácil para deixar espaço para as urgências e se houver atrasos é mais difícil lidar com as urgências sem causar impactos na gestão diária.

Na clínica, a família recordista tem 11 membros que ali tratam da sua saúde oral. Esta ligação entre os vários clientes, sublinha Miguel Martins, representa uma responsabilidade acrescida e revela que “o conceito de dentista de família consegue prevalecer”. “Isto aumenta-nos a responsabilidade de fazer um bom serviço porque da mesma forma que uma pessoa fica agrada com o serviço e traz a família, o contrário também pode acontecer, ou seja, ficar desagradado e a família deixar de aqui vir por isso. Nós temos um cuidado acrescido com todas as pessoas que atendemos e tratamos. Aqui nunca achamos que um dia é só mais um dia. Todos os dias são de atenção ao paciente e esta atenção faz-se com simpatia e empatia”, pormenoriza Miguel Martins.

Gestão de recursos humanos

Serenidade é o estado de espírito que se sente ao entrar na clínica Dentista de Família. Toda a equipa trabalha para aliviar o stresse que normalmente se apodera de todos nós quando nos deslocamos ao dentista.

Por detrás desse ambiente acolhedor está uma equipa feliz com o seu local de trabalho. Este é outro dos pilares deste espaço de saúde. Uma remuneração justa e reconhecimento da dedicação, juntamente com formação caracterizam a gestão dos recursos humanos.

“Temos algumas variáveis que seguimos e que são indissociáveis da nossa gestão de recursos humanos. A primeira é que qualquer funcionário que trabalhe dentro da empresa tem que ter todas as condições”, ou seja, ter equipamentos confortáveis, um espaço agradável para fazer as suas refeições, para fazer uma pausa e para trocar de roupa. Miguel Martins acrescenta que “a segunda linha de trabalho é pagar salários condignos, dar aumentos anualmente e prémios”. O gestor da empresa gosta ainda de premiar pontualmente os colaboradores sempre que entende que houve um esforço adicional. Assim “já demos bilhetes de cinema para a família, um vale para fazer uma massagem e o tempo dentro do horário para a fazer e até mesmo um fim-de-semana numa unidade hoteleira”.

“Gostávamos de reforçar a odontopediatria, por exemplo, alargando esta clínica para um espaço contíguo a este. (…) Reforçando esta área de um lado, este espaço ficaria mais dedicado à odontogeriatria. Continuaríamos a atender as pessoas na chamada faixa ativa, mas consolidaríamos as duas franjas que são o nosso core business de um lado e outro” Miguel Martins

A equipa é muito estável desde o início do projeto. Privilegia-se uma relação contratual de longa duração porque o conceito de família que a clínica tem começa por dentro, criando uma família com a própria equipa. No total são 11 colaboradores, entre gestor, médicos dentistas especializados, rececionistas, higienista oral e assistentes dentárias.

Tarefas bem definidas para cada um é essencial na opinião de Natália Simões. “Para mim é uma condição absoluta ter, por exemplo, assistentes dentárias e rececionistas. Não imagino estar numa consulta a fazer procedimentos, por vezes, complicados e ter uma assistente dentária que tem de deixar a sua tarefa para também acorrer à receção. É perfeitamente impensável”, diz a médica dentista.

Na Clínica Dentista de Família apostam também na verticalização da especialidade para garantir que o utente está a ser tratado da forma mais adequada.

Necessidades especiais

O projeto de Natália Simões e Miguel Martins pretende levar a saúde oral a todos e, por isso, as pessoas com necessidades especiais têm aqui espaço.

O trabalho desenvolvido é vasto. Comecemos pela o espaço da clínica, desde logo, uma porta mais larga que permite a entrada de uma cadeira de rodas, passando pelo balcão da receção rebaixado e as amplas salas de consultório que facilmente acomodam a cadeira de rodas. Os colaboradores vão ter formação em linguagem gestual e a administração estuda a possibilidade de incluir informação em braile. “Não temos pacientes surdos ou invisuais, mas queremos estar preparados para isso. O nosso caminho há de ser sempre chegar a todos, incluindo os que têm necessidades especiais”, comenta Miguel Martins. Nesse sentido, disponibilizam também um serviço de transporte gratuito que permite, sobretudo aos mais velhos, aceder às consultas para preservar a sua saúde oral. A carrinha está adaptada a pessoas de mobilidade reduzida e necessidades especiais, nomeadamente utilização de cadeira de rodas, no entanto pode ser também utilizada por outros utentes que por algum motivo não consigam deslocar-se por outros meios. Na clínica, seguindo o conceito de família, há um espaço para amamentação e um fraldário.

“Para mim é uma condição absoluta ter, por exemplo, assistentes dentárias e rececionistas. Não imagino estar numa consulta a fazer procedimentos, por vezes, complicados e ter uma assistente dentária que tem de deixar a sua tarefa para também acorrer à receção. É perfeitamente impensável” Natália Simões, diretora clínica

Casos clínicos

A cárie dentária é a doença de saúde oral mais comum na clínica e é transversal a todas as faixas etárias que acorrem a este espaço. Mas “nas crianças tem uma determinada característica clínica e que desde muito cedo identificamos. Temos várias clínicas de pediatria que trabalham diretamente connosco no encaminhamento das referências. Depois, sempre que possível no acompanhamento dessas crianças conseguimos desta forma prevenir e evitar o desenvolvimento da doença na idade adulta. No caso dos adultos que já têm a doença consigo, temos a consequência da falta de prevenção que, infelizmente, no nosso País é muito acentuada”, conta Natália Simões.

Expandir a clínica e apostar na formação

O futuro da Dentista de Família – Clínica Dra. Natália Simões passa acima de tudo por continuar a trabalhar da mesma forma. A receita do sucesso parece estar encontrada e a expansão pode estar sobre a mesa, mas não a todo o custo.

“Todo este trabalho resulta de uma equipa, eu na parte médica, o meu marido na parte de gestão e se assim não fosse nada disto teria sido possível. O crescimento que tivemos em cinco anos de porta aberta só foi possível nesta ordem de grandeza porque tínhamos pelouros muito bem definidos e duas cabeças de cartaz em cada uma das áreas, com funções que não se podem misturar porque o médico dentista vai ter sempre dificuldade em ser também gestor e o gestor também não será médico dentista. Ter duas pessoas que dominam cada uma destas áreas na mesma equipa é o grande segredo”, partilha Natália Simões.

O futuro passa por um reforço dos serviços que já prestam, nomeadamente na pediatria e geriatria, aliando aqui o transporte destas pessoas mais vulneráveis. “Do ponto de vista clínico considero que temos conseguidos chegar a mais famílias, temos conseguido fazer trabalhos de maior dimensão, de grandes reabilitações. Este tem sido o nosso caminho de crescimento na parte clínica”, sublinha Natália Simões.

A diretora clínica pormenoriza ainda que “o plano de negócios tem sido cumprido à risca e os objetivos para cinco anos têm sido atingidos. Tudo isto tem sido possível porque estamos sempre aqui. Eu estou aqui todos os dias e é aqui que quero manter-me. Quero fazer mais trabalhos diferenciados, quero apostar mais na odontopediatria, na reabilitação oral também, queremos dar mais resposta na geriatria”.

“Todo este trabalho resulta de uma equipa, eu na parte médica, o meu marido na parte de gestão e se assim não fosse nada disto teria sido possível. O crescimento que tivemos em cinco anos de porta aberta só foi possível nesta ordem de grandeza porque tínhamos pelouros muito bem definidos e duas cabeças de cartaz em cada uma das áreas” − Natália Simões, diretora clínica

Do ponto de vista do gestor, o futuro passa também por essencialmente continuar ao trabalho até aqui desenvolvido, mas com vontade de alargar o espaço de atendimento, podendo especializar-se um pouco mais nas áreas da odontopediatria e odontogeriatria.

Miguel Martins comenta que “a missão da empresa está definida, mas não há nenhuma missão que não possa ser reforçada”. Por isso, “no futuro gostávamos de reforçar a área de odontopediatria. Sentimos que cada vez mais há uma preocupação dos pais em levar as crianças ao dentista mais cedo. A prevenção é importante”. E como gostariam de fazer esse reforço na saúde oral dos mais novos? “Gostávamos de reforçar a odontopediatria, por exemplo, alargando esta clínica para um espaço contíguo a este. Faríamos uma zona só para odontopediatria. Reforçando esta área de um lado, este espaço ficaria dedicado à odontogeriatria. Continuaríamos a atender as pessoas na chamada faixa ativa, mas consolidaríamos as duas franjas que são o nosso core business de um lado e outro”.

A formação tem um papel importante na vida deste gestor e, por isso, transmite dessa forma o conhecimento e experiência que vai adquirindo. Já fundou inclusive a Straumann Group Business School e dá formação em gestão a outros proprietários de clínicas de medicina dentária “para ajudar estes gestores, que, por vezes, são também médicos dentistas, na gestão das suas clínicas”, conclui Miguel Martins.

* Artigo publicado na edição n.º 145 da revista SAÚDE ORAL, de julho-agosto de 2022.

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