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Clínica Parque da Cidade: “Não acreditamos na exclusividade dos médicos”

Clínica Parque da Cidade Saúde Oral
O legado é pesado. Até porque não vem de uma, mas de três gerações. Luís Miguel Corte Real e António Malheiro têm, hoje, a responsabilidade de levar a bom porto uma história com 103 anos e que começou no avô de Luís Miguel, médico estomatologista. Uma história que há dez anos passou a ser contada a dois passos do mar, na Clínica Parque da Cidade, em Matosinhos.

Facilidade de estacionamento, proximidade ao mar e clientes de referência foram os motivos que levaram à escolha de Matosinhos Sul para a instalação da Clínica Parque da Cidade, um projeto que hoje tem como principais rostos os médicos dentistas Luís Miguel Corte Real e António Malheiro, herdeiros de um legado com 103 anos de história. E como a história, mesmo as que contam 103 anos, se faz de pequenos passos, em 2015 a Clínica foi alvo de uma remodelação estética, que esteve a cargo da arquiteta Ana Lobo. “Conseguimos dar uma nova dinâmica ao espaço”, contou-nos Luís Miguel Corte Real.

O que claramente não mudou foi o foco na qualidade do serviço prestado. Os responsáveis admitem estarem direcionados para a classe média e média/alta, até pela qualidade dos produtos que habitualmente utilizam. “Pela sua localização geográfica e envolvência, a Clínica Parque da Cidade acaba por se segmentar num extrato social médio/alto. Mas nem todos os nossos pacientes têm recursos económicos elevados. E nem por isso baixamos a qualidade do serviço prestado. O que conseguimos fazer é, por um lado, ter ações de solidariedade social e, por outro lado, a alguns pacientes facilitamos a forma de pagamento”.

Mas o que realmente distingue o projeto é a equipa que o compõe, diz Luís Miguel Corte Real. “Todos têm uma pós-graduação ou mestrado na sua área de atuação”. António Malheiro diz mesmo que esse sempre foi ponto de honra: “Queríamos trazer colegas com grande capacidade técnica, pessoas de renome. A nossa estratégia é fazer com que a clínica seja conhecida pela qualidade médica e técnica”.

 “Quero que identifiquem esta clínica como uma garantia de prestação de serviços na saúde oral, e não só. Quero que tenham a certeza que somos capazes de resolver um problema independentemente do médico que lá esteja. Porque têm a certeza que o clínico que o vai atender tem formação específica na área e lhe dará a melhor resposta. Esse é o nosso objetivo”.

Mas como é que se cativam médicos dentistas de renome para trabalharem numa clínica? Fácil, dizem os responsáveis. Com uma boa remuneração, boas condições de trabalho e, provavelmente o mais importante, com total liberdade clínica. “Podem usar os materiais que quiserem. Os médicos são vozes ativas. Nós somos sócios da clínica, é verdade, somos colegas, mas clinicamente os médicos são independentes, podem decidir o que quiserem. Delegamos inteira confiança nos profissionais com os quais trabalhamos”.

De resto, Luís Miguel Corte Real diz não acreditar em exclusividade. “É um princípio nosso. É política da Clínica que um médico livre fica muito mais preso ao projeto do que se tiver regras. A partir do momento em que lhe dou toda a liberdade, todas as condições de trabalho, estabilidade financeira e emocional, ele não querer ir para mais lado nenhum. É fácil.” António Malheiro acrescenta que não há qualquer colega que esteja em regime de exclusividade. “Neste caso até tem acontecido ao contrário. Vemos é que há uma maior tendência para se dedicarem cada vez mais a este projeto em detrimento de outros”. Neste momento são nove os médicos dentistas.

Clínica Parque da Cidade - clínica - Saúde Oral

Medicina oral… e não só

O atual período económico não veio, de forma alguma, abalar a estrutura do projeto, os resultados até se mantiveram em crescimento. “Em todos os anos obtivemos algum crescimento face ao anterior e isso é muito positivo. Mas claro que notamos que, em algumas franjas de pacientes, houve uma clara perda de capacidade financeira. Exemplo disso são os funcionários públicos. Se calhar o empresário ou o profissional liberal que não dependia tanto do mercado interno não sentiu tanto, mas nos funcionários público foi muito notório. E isso obviamente se refletiu nas suas prioridades”. Luís Miguel Corte Real diz ter perfeita consciência de situações em que, em prol dos filhos, abdicaram dos seus próprios tratamentos. “E isso é perfeitamente legítimo”.

De resto, a Clínica cobre todas as áreas da saúde oral. E até já expandiu a sua área de atuação para a psicologia, clínica interna, nutricionismo, osteopatia, nefrologia e acupuntura. Daqui a dez anos há uma coisa que ambos profissionais têm a certeza que o projeto não vai perder: a proximidade ao paciente. Porque é aí, nessa proximidade, que garantem que está o sucesso de 103 anos de história. “Por muito que cresçamos, que aumentemos o número de gabinetes, que até possamos crescer para o lado, para cima ou para baixo, nunca vamos perder a proximidade ao nosso paciente. Um atendimento muito personalizado. Sinceramente, enquanto mantivermos esta perspetiva de trabalhar com colegas que estão em constante formação e apostarmos nas tecnologias mais avançadas estaremos no bom caminho”.

A clínica tem CAD-CAM desde 2006, laser desde 2005 e microscopia desde 2008. “Sempre tentamos acompanhar os avanços tecnológicos e a inovação. Penso que esse dinamismo também nos ajuda a garantir qualidade”.

Ainda existem privados puros

Apesar de hoje em dia as convenções serem responsáveis por grande parte das receitas nas clínicas médicas, nomeadamente os seguros de saúde, António Malheiro garante que ainda existem, pelo menos na Clínica Parque da Cidade, privados puros. “Ainda temos um misto, os nossos pacientes privados não são um valor residual, ainda é significativo, apesar de claramente termos muitas convenções. Há certas pessoas, nomeadamente empresários, ainda se mantêm privados”. Aliás, Luís Miguel Corte Real diz que os seguros vieram democratizar o acesso à saúde, apesar de claramente não ser o melhor negócio para as clínicas. “É um bom negócio para as seguradoras. Isto é saúde, é complicado, mas a verdade é que nós também somos empresários, temos de pagar os nossos impostos, segurança social e ordenados”.

A cultura da (não) referenciação

Hoje, ser médico-dentista com consultório próprio é o maior ato heroico que pode existir, diz Luís Miguel Corte Real. O responsável pela Clínica Parque da Cidade diz que a tendência será cada vez mais a de abertura de clínicas, até pela capacidade destas abrangerem várias áreas ao terem nas suas equipas profissionais distintos. “A nossa cultura ainda não é referenciação, não passamos pacientes aos colegas, são casos raros. E é impossível atualmente, enquanto profissionais individuais, abranger as várias áreas da medicina oral. Ainda há muito a fazer dentro da nossa classe, até mesmo em termos de nos valorizarmos, defendermo-nos no sentido de sermos mais solidários uns com os outros. Eu não tenho de saber de tudo, mas tenho de ser especialista na minha área”. E apesar de ainda muito novos, o legado dos atuais responsáveis está já a ser preparado, até porque uma sobrinha de Luís Miguel Corte Real já está a frequentar medicina dentária. Vai ser a quarta geração.

Artigo publicado na edição de janeiro/fevereiro de 2016 da revista SAÚDE ORAL

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