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Saúde Oral

Saúde Oral em Lisboa retoma a sua atividade, remarcando dezenas de consultas

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O serviço odontopediátrico SOL (Saúde Oral em Lisboa), disponibilizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, completou um ano de vida e de missão em agosto: acesso gratuito e universal a cuidados orais a todas as crianças até aos 18 anos que residam ou estudem no concelho de Lisboa, independentemente da folha de IRS de pais ou cuidadores.

De acordo com o médico dentista André Brandão Almeida, responsável por este projeto, já passaram pelo SOL 7 mil crianças e realizaram-se 22 mil consultas (16 mil das quais até agosto).

“Temos um ingresso de 250 novas crianças todos os meses”, estima o diretor clínico do SOL, em declarações ao jornal Eco. A par disso, as fichas de utente mostram “o carácter multicultural da cidade”, uma vez que já atenderam meninos de 31 nacionalidades.

Este serviço está agora a retomar a sua atividade, remarcando as dezenas de consultas que, entre 16 de março e 16 de junho, tiveram de ser canceladas, devido às restrições provocadas pela pandeia. “Reabrimos quando a equipa estava toda rotinada”, diz André Brandão Almeida.

Uma das maiores preocupações foram os equipamentos de proteção individual (EPI), fundamental para quem está na linha da frente dos cuidados de saúde oral como os cerca de 30 profissionais de saúde – dentistas, higienistas, auxiliares, que trabalham no SOL. “Há estudos que referem que a contaminação entre profissionais de saúde acontece na retirada do equipamento”, refere o diretor clínico do SOL, notando que “no início também foi isso que nos atirou para o encerramento absoluto”.

A grande mudança no SOL, além dos equipamentos de proteção individual, é o intervalo entre consultas. Antes era de 30 minutos, mas agora é de uma hora.

Para ultrapassar os atrasos provocados pela pandemia, este serviço conta com videoconsultas para ir acompanhando os utentes. “Como é só de crianças, há uma grande componente de medicina preventiva e de aconselhamento”, explica o responsável.

No SOL, o grupo foca-se em três áreas: prevenção, manutenção e tratamento.

No primeiro, o segredo está no ensino e envolvimento da família na higiene oral. Uma primeira consulta procura perceber a história clínica da criança – as doenças, a medicação, se foi operada, sujeita a internamento, etc. – e a desfazer mitos. Explicam-lhes, por exemplo, que “devem lavar os dentes antes de dormir e de manhã e antes do pequeno-almoço”.

As crianças podem ser tão bebés como seis meses, pelo que a consulta é mais para os adultos do que para eles. “Para que pais e cuidadores percebam um conjunto de informações e recebam dicas. Se é normal chuchar no dedo, qual é a quantidade de pasta que deve usar? com flúor ou sem? Volta com dois anos e, se tudo correr como previsto, está criada “uma rotina que permite chegar à idade adulta com uma saúde de ferro”.

André Brandão de Almeida esteve envolvido no projeto desde o primeiro dia, mas atribui a paternidade do SOL ao provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho. “Tem de existir vontade política”, afirma.

O diretor clínico do SOL começou num serviço no bairro da Serafina, em Lisboa, e acabou por ser chamado para a equipa que criou o SOL desde o primeiro minuto. Estudaram a resposta que já existia e pensaram o que podiam oferecer de novo – funcionamento, regulamentos.

“Tive sempre propensão sobre este serviço público. Percebia que era possível, como é que em Portugal não se fazia?”, conta ao ECO, admitindo a vontade de continuar a crescer: “Se queremos ser um centro de referência, não pode ser assistencial, temos de ser multidisciplinar, nutrição, terapeuta da fala, psicólogo, em que esses profissionais nos podem ajudar”, conclui.

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