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Restauração ou implante?

Esta foi a pergunta de partida de uma das mesas-redondas das Conferencias Saúde Oral. O debate expôs os prós e contras das intervenções que permitem recuperar a estética e a função perdida. Para discutir o tema convidámos os médicos dentistas João Malta Barbosa, com especialização em prostodontia pela Universidade de Nova Iorque, Diogo Ressurreição, com especialização em implantologia e reabilitação oral e João Ascenso, que atua na área da reabilitação oral

“A partir do momento em que perdemos mais de metade do dente original não estão reunidas as condições biológicas e mecânicas para o dente ter permeabilidade e para nós conseguirmos dar alguma garantia do tratamento. Em Portugal, temos, infelizmente a tendência cultural de sermos os artistas do compósito”, começou por afirmar Diogo Ressurreição.

 

João Malta Barbosa estudou nos EUA e sente que, em comparação com o que acontece em Portugal, o que é mais diferenciador é o poder económico e esta é uma questão que não pode ser ignorada. Atualmente trabalha em Beja e em Évora e refere que nem toda a população que atende tem a capacidade para realizar em simultâneo todos os tratamentos que seriam necessários, particularmente nos casos de reabilitações mais extensas e complexas, o que obrigada a um esforço adicional de planeamento para fracionar um plano de tratamento sem perder de vista o resultado final que se pretende alcançar. “Acho que temos de definir um limite a partir do qual, aquilo que estamos a fazer para o doente não vai ter o resultado esperado.” Informar o doente, explicar o que vai acontecer e deixá-lo decidir são passos essenciais. “Eu não gosto de deixar o doente por tratar. Procuro fazer uma avaliação e perceber até onde posso esticar um pouco o limite. Temos de olhar para o doente num todo e há uma série de fatores a ter em consideração”, afirmou. As especialidades nos EUA estão muito mais definidas do que em Portugal e os doentes que chegavam à sua consulta já estavam muito mais “filtrados” e que já sabem que vão precisar de tratamentos mais diferenciados com custos mais elevados.

João Malta Barbosa e João Ascenso

João Ascenso explicou que a classe está muito dividida em várias áreas e que tudo depende das condições e da existência de uma equipa multidisciplinar. “Se eu tiver possibilidade, preservo sempre um dente, mas há critérios de diagnóstico e de previsibilidade”, referiu. Em suma, “se não estiver garantido o enquadramento geral daquele paciente e se tudo indicar que há um prognóstico favorável, um doente devidamente informado e com uma compliance que é necessária para manter esses dentes, provavelmente extrair um dente é menos dispendioso do que reabilitá-lo com outras alternativas”.

 

Deve também haver um papel educativo dos pacientes, acrescentou João Malta Barbosa, e Diogo Ressurreição referiu alguns casos da sua experiência clínica. “Uma das coisas com que me deparo hoje é que não é feito um pré-diagnóstico antes de chegar à consulta de reabilitação oral. Esta é uma das falhas que sinto nesta cadeia sequencial de especialidades em que, por vezes, quando um caso me chega tenho de fazer pequenos milagres para não ter de tirar o dente.”

Diogo Ressurreição

 

 
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