Investigação

Identificados fatores que comprometem esmalte

Gestão do stress pode melhorar saúde oral dos pacientes

Investigadores de três universidades dos EUA realizaram um estudo para identificar os fatores que comprometem o esmalte dos dentes, através da análise da natureza química e da estrutura do dente.

Os resultados da pesquisa Chemical gradients in human enamel crystallites foram publicados na revista Nature, e indicam a descoberta de átomos de impureza na composição do esmalte, o que permite perceber como o esmalte se torna solúvel por agentes externos. A descoberta pode também ser útil para perceber de que forma se pode fortalecer o esmalte.

O esmalte dentário é um componente principal dos dentes e, de acordo com o estudo, terá evoluído para “suportar grandes forças mastigatórias, resistir à fadiga mecânica e suportar o desgaste ao longo de décadas”.

Derk Joester, um dos autores do estudo, que reúne cientistas das Universidades de Virginia, Cornell e Northwestern, explica, citado pela Zap.aeiou, que o esmalte foi evoluindo para se tornar resistente ao desgaste, mas que “tem um potencial muito limitado de regeneração”.

Contudo, a deficiência funcional e a perda do esmalte dentário, provocada por defeitos de desenvolvimento ou cáries, afetam a saúde oral e a qualidade de vida. E, apesar da evolução, as tentativas de reparar lesões em esmalte ou de o sintetizar in vitro tiveram um sucesso limitado, principalmente devido à sua estrutura hierárquica e às complexidades adicionais resultantes dos gradientes químicos.

O estudo recorre a imagens quantitativas à escala atómica e espetroscopias correlativas, para demonstrar que os “cristais em nanoescala de hidroxilapatite, que são os blocos fundamentais de construção do esmalte, englobam duas camadas nanométricas enriquecidas em magnésio, que ladeiam um núcleo rico em iões de sódio, flúor e carbonato; este núcleo ‘sanduíche’ é rodeado por uma capa com menor concentração de defeitos de substituição”.

O modelo mecânico prevê que as tensões residuais surgem devido aos gradientes químicos. As cáries dentárias resultam do amolecimento do esmalte causado por ácidos, criados quando a placa dentária decompõe o açúcar existente na boca.

As tensões podem também afetar a resiliência mecânica do esmalte, sendo que as duas camadas adicionais na hierarquia sugerem um possível novo modelo de controlo biológico do crescimento dos cristais durante a amelogénese, e sugerem implicações para a preservação dos biomarcadores durante o desenvolvimento dos dentes.

“A nossa investigação ajuda a entender como o esmalte se forma, e isso deve ajudar no desenvolvimento de novas intervenções e novos materiais para prevenir e tratar a cárie. Esse conhecimento poderá ajudar ainda a prevenir ou diminuir o sofrimento de pacientes com defeitos congénitos do esmalte”, explicou também o coautor do estudo Paul Smeets.