Saúde Oral

Desconfinamento: cerca de dois terços dos higienistas orais já reiniciaram atividade

Atualmente, quase dois terços (64,7%) dos higienistas orais já reiniciaram a sua atividade clínica. Contudo, destes, 37,7% não o fizeram em todas as clínicas nas quais desempenham funções. A conclusão é de um questionário realizado pela Associação Portuguesa de Higienistas Orais (APHO), com o objetivo de analisar a realidade dos higienistas orais (HO) na atividade clínica como consequência da pandemia provocada pelo SARS-CoV-2.

Sobre os motivos que levaram os reiniciar a atividade, 61,4% apontam que foi por vontade própria, 35% por imposição da direção clínica e 3,6% por acordo entre as partes.

De relembrar que, em Portugal, a 16 de março de 2020, o Governo determinou a suspensão de “toda e qualquer atividade de medicina dentária, de estomatologia e de odontologia, com exceção das situações comprovadamente urgentes e inadiáveis”, atividades que apenas foram retomadas a partir de 3 de maio.

Esta medida surgiu como resposta à situação epidemiológica, a nível mundial, causada pela pandemia de covid-19. Vários estudos e documentos recentemente divulgados mostram que os profissionais de medicina dentária estão em elevado risco de infeção devido à sua exposição à saliva, sangue e produção de aerossóis durante a maioria dos procedimentos que realizam.

De acordo com o inquérito, cerca de um terço (35,3%) dos inquiridos ainda não tinha reiniciado a atividade até à data de preenchimento do questionário, sendo que a 41,9% apontou que não exercia atividade por indicação da direção clínica, 35,5% devido à clínica se encontrar fechada e 32,3% devido à falta de EPI (equipamento de proteção individual).

O questionário indica, contudo, que 85,8% das respostas referem a existência de um protocolo de atuação, sendo que, em 46,4% dos casos, os higienistas participaram na sua elaboração.

Sobre as alterações nos procedimentos, a mudança nos EPI tradicionais é a alteração à consulta mais reportada (89,2%). A grande maioria dos inquiridos reporta o uso de viseira (94,3%) e de máscara de proteção FFP2 (93,2%), seguindo-se também a referência ao fato completo ou bata cirúrgica por cima do uniforme clínico (77,3%).

Relativamente aos procedimentos que foram alterados, evidencia-se o reforço da aspiração cirúrgica ou utilização de equipamentos de aspiração suplementares (50%). Quanto à restrição do uso de aerossóis, é praticada por 33,5%.

Os resultados do inquérito revelam ainda que 26,7% referem não ter feito nenhuma alteração aos procedimentos da consulta.

EPI – As dificuldades

 Os protocolos foram alterados e foram mais os EPI que passaram a fazer parte da rotina diária dos profissionais do setor da saúde oral. As utilizações destes equipamentos trouxeram novas dificuldades. De acordo com o questionário, os higienistas enumeraram várias dificuldades, como maior tempo de preparação (83,5%) e a dificuldade em vestir (23,9%) e despir os EPI (27,8%).

Além disso, o uso de EPI extra reflete-se também numa maior dificuldade respiratória (80,7%), dificuldade visual (63,6%) e desconforto térmico (47,4%).

Este questionário foi enviado por e-mail a todos os higienistas orais inscritos na APHO, entre 16 e 31 de maio de 2020, não incluindo os profissionais sem exercício de atividade clínica.

O questionário foi respondido por 176 profissionais, sendo que quase metade da amostra corresponde a trabalhadores independentes (49,4%). Destes, 20,7% são sócios-gerentes, 36,4% são trabalhadores dependentes e 14,2% são trabalhadores dependentes e independentes, em simultâneo.

*O artigo completo, que analisa a utilização de EPI e as dificuldades sentidas pelos higienistas orais, bem como as alterações de protocolos, pode ser lido na íntegra na edição de setembro da revista SAÚDE ORAL.