Saúde Oral

Clínicas podem reabrir, mas com condicionamentos

Clínicas dentárias na Dinamarca e Noruega reabrem

Mais de um mês depois de ter sido decretada a suspensão da atividade no setor da medicina dentária, com exceção de situações de urgência, o País prepara-se para regressar a uma “nova normalidade”, com a reabertura de alguns serviços, entre os quais a medicina dentária.

O final do estado de emergência permite agora o regresso do setor à atividade já a partir de hoje, contudo, trata-se de um regresso condicionado e enquadrado na Orientação Técnica da Direção-Geral da Saúde (DGS) e nas recomendações da Ordem dos Médicos Dentistas, elaboradas pelo grupo de trabalho covid-19 fase 2.

De acordo com as orientações da DGS, todas as consultas devem estar sujeitas a marcação prévia, não devendo existir qualquer tipo de atendimento presencial sem contacto remoto anterior.  Os responsáveis pelas clínicas, consultórios ou serviços de saúde oral devem atribuir máscara cirúrgica a todas as pessoas que não se apresentarem com uma, disponibilizar informação ao utente sobre higienização, utilização da máscara e etiqueta respiratória através de cartazes. Além de outras obrigações, devem ser removidos quaisquer objetos que possam ser manuseados por várias pessoas, desde revistas a dispensadores de água, e as superfícies mais expostas devem ser cobertas com barreiras plásticas ou papel de alumínio descartáveis.

O documento refere também a obrigatoriedade de, antes do atendimento, realizar uma triagem prévia pela via remota, para averiguar se o paciente tem algum sintoma que sugira uma possível infeção. Caso apresente algum dos sintomas, o paciente deverá evitar a consulta e contactar a Linha SNS24.

Porém, o documento refere que, em casos de necessidade “imperiosa”, pessoas com suspeitas de estarem infetadas com o novo coronavírus ou pessoas com infeção confirmada, poderão ser atendidas presencialmente, mas “no final da manhã ou da tarde, em horários específicos”, para evitar a partilha da sala de espera com terceiros.

A DGS refere que todos os procedimentos que geram aerossóis, como destartarizações, são considerados procedimentos de alto risco, devendo ser evitados.

Antes da consulta, é sugerido desaconselhar a presença de acompanhante, mas em situações com menores de idade, o acompanhante poderá entrar, embora deva permanecer sentado a mais de dois metros do equipamento dentário e com o EPI colocado; os pacientes deverão higienizar as mãos com soluções alcoólicas à entrada e à saída do local; para pagamento deve ser privilegiado o terminal de pagamento automático (TPA) ou pagamento eletrónico; entre outros.

Por sua vez, os profissionais têm desinfetar as superfícies, dando especial atenção às de toque frequente, de acordo com a Orientação 014/2020 da DGS; preparar antecipadamente todo o material para evitar circulação e abertura de gavetas; retirar todos os adereços (anéis, brincos, relógios, etc.) para atender os utentes; manter as unhas curtas e limpas e não utilizar unhas artificiais, como gel, gelinho ou outros produtos.

O clínico e o assistente devem também utilizar equipamento de proteção individual (EPI), que nos casos de alto risco deve incluir bata, máscara FFP2 (N95) ou FFP3, óculos ou viseira, luvas descartáveis não esterilizadas, touca, calçado clínico, cobre-botas (caso não tenha calçado dedicável e não higienizável).

Antes de qualquer procedimento, o médico dentista deve aconselhar o paciente a bochechar por 30 segundos com solução de peróxido de hidrogénio a 1% ou iodopovidona a 0,2%; durante o procedimento deve utilizar a aspiração cirúrgica para diminuir a disseminação de aerossóis; colocar dique de borracha sempre que indicado, dar preferência às radiografias extraorais, em detrimento das intraorais; e dar preferência à sutura reabsorvível após as extrações.

Depois da consulta deve proceder à limpeza e desinfeção imediata todas as superfícies e do ambiente de trabalho e fazer a renovação do ar do gabinete no final de cada consulta.