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Clínicas dentárias

Zenha: muito além da saúde oral

A Clínica Zenha, no Porto, recusa-se a ser mais uma clínica dentária. A fundadora, Marisa Zenha, explicou à SAÚDE ORAL que, mais do que tudo, querem apresentar a quem os visita um tratamento completo de reabilitação estética orofacial.

Implantes e reabilitação oral, ortodontia, cirurgia plástica, periodontologia, endodontia, anaplastologia, facetas, odontopediatria, patologia oral, dor orofacial e fisioterapia. Essa são as áreas de ação da Clínica Zenha, um espaço nascido há dois anos na cidade do Porto, idealizado por Marisa Zenha, que defende a ideia de que um sorriso não depende apenas de uma especialidade. “Por isso, cruzamos profissionais de topo em diferentes áreas da medicina dentária e estética. Aplicamos todo o nosso conhecimento e dedicação para criar sorrisos genuínos”, explica a fundadora.

Quando terminou a faculdade, a ideia da médica dentista não era, de modo algum, abrir um espaço próprio, uma clínica. Fez voluntariado no Hospital de Gaia, apaixonou-se pela área da patologia e começou a idealizar uma forma de mudar o paradigma de, por exemplo, melhorar a estética nos pacientes oncológicos. “Falamos de pessoas que apresentam, muitas vezes, deformações faciais grandes, mas às quais é possível dar estética, devolver a estética”, disse à SAÚDE ORAL. Este ‘pequeno’ pormenor acabou por ser o grande foco de Marisa Zenha e o que despontou a ideia de ter uma clínica com o seu nome. A cirurgia plástica é, por isso, uma das apostas da clínica e que acaba por a diferenciar das restantes. “Usamos em casos de cirurgia ortognática ou mesmo para casos de patologia nos quais é necessário fazer uma reconstrução. Temos uma equipa que nos dá apoio nos casos mais agressivos. No limite, fazemos próteses faciais, como orelha, olho ou nariz.”

Muito além da saúde oral

No entanto, não é a cirurgia plástica que faz o dia a dia da Clínica Zenha. Implantologia, reabilitação oral e ortodontia são as áreas mais requisitadas por quem visita o espaço. A mentora do projeto acredita que, hoje, há cada vez um maior investimento na boca por parte da população, pelo que faz todo o sentido abraçar várias áreas. “É óbvio que há clínicas cuja missão é, mais do que tudo, tratar o dente. Muitas vezes não têm tempo nem profissionais para oferecer outros serviços. Aqui, pegamos no paciente e fazemos um estudo do que podemos oferecer, dentro do mais perfeito. Basicamente, olhamos para a pessoa como um todo.” Até porque, diz Marisa Zenha, atualmente a maioria das pessoas já quer mais do que “apenas” tratar o dente. “Conseguimos oferecer outras soluções. Tenho pessoas de todas as idades a procurar-me para fazer tratamento com facetas. Ou uma reabilitação total boca, quer sejam homens quer mulheres, com 60 ou 50 anos e até 20 anos. Já não é um tratamento para pessoas mais novas. E até tenho o paciente que tem os dentes impecáveis, mas quer alterar a cor.” Basicamente, Marisa Zenha diz que atualmente há um claro cuidado com a boca que vai além da manutenção da saúde oral, mas que tem igualmente uma forte componente de estética.

Desafios do projeto

Quando questionada sobre as grandes dificuldades que sentiu ao idealizar o projeto, Marisa Zenha admite que não teve grandes contrariedades. “Dentro das minhas expectativas, correu muito bem, como eu planeava. Talvez o grande desafio tenha sido precisamente ‘prender’ o cirurgião plástico”, confessou. No entanto, nem isto parece ter sido uma grande contrariedade, já que, mais do que uma presença diária, é a disponibilidade dos profissionais quando são requisitados que Marisa Zenha mais privilegia. “O realmente importante é a possibilidade de uma discussão multidisciplinar, que é fundamental nesta abordagem que temos da medicina dentária.”

No plano do equipamento, toda a vertente digital está já contemplada na clínica, desde planeamento de cirurgias ou facetas, scanners ou 3D. No entanto, Marisa Zenha admite andar a “namorar” o laser, algo que a profissional conhece bem e que gostaria que fosse um dos próximos investimentos. “Não somos um grande grupo económico, fazemos tudo de forma muito sustentada e com um crescimento muito consciente. Temos dois anos e meio de clínica, já estamos muito bem equipados e por isso todos os investimentos que fazemos são altamente pensados para podermos construir um projeto que seja sustentável no tempo.”

Hoje, a clínica é composta por sete dentistas, pelo apoio à vertente orofacial, com fisioterapeuta, além da vertente cirurgia plástica.

Tendo terminado o curso em 2007, ainda na era pré-Bolonha, Marisa Zenha admite que a preparação de antes era um pouco diferente. No seu caso, diz ter passado o sexto ano de curso em hospitais, a ter contacto com pacientes reais. “É verdade que se perdeu um pouco a parte prática, apesar de até poderem, teoricamente, estar preparados. Temos aqui colegas que começaram por assistir e só depois é que avançaram para a prática.”

De resto, e num momento altamente desafiante, em que é notório o aumento do número de clínicas, assim como do número de profissionais a serem escoados para o mercado, Marisa Zenha insiste em manter a sustentabilidade do seu projeto. Quer crescer, claro, mas de forma ponderada e pensada, nunca dando um passo maior do que a perna. “Um projeto a longo prazo só pode ser pensado desta forma. Temos de aliar a qualidade inerente aos nossos serviços à diferenciação. Senão, somos apenas mais um. E isso não é, de todo, o nosso objetivo.”

*Artigo publicado originalmente na edição n.º 132, de maio-junho de 2020, da SAÚDE ORAL.

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