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Clínicas Dentárias

Uma clínica que nasceu na pandemia

A Clínica de Santa Madalena tinha data prevista de abertura durante o mês de março de 2020, mas a pandemia da covid-19 trocou as voltas.
Tinha data prevista de abertura durante o mês de março de 2020, mas a covid-19 trocou as voltas a mais um projeto que surgiu em plena pandemia. A Clínica de Santa Madalena, em Cascais, acabou por ser inaugurada a 15 de junho do mesmo ano, aumentando a rede no plano nacional, com uma maior proximidade entre os clientes.

Decretado o estado de emergência em Portugal, poucas soluções restavam à administração e à direção clínica da nova unidade da rede Santa Madalena, desta vez em Cascais, além de optar por não fixar uma data de abertura.

A construção da clínica levou o seu tempo e não deixou de ter atrasos, típicos em qualquer obra desta envergadura, mas tudo estaria pronto para a inauguração, em março. O timing não foi o melhor, mas ninguém poderia imaginar o aparecimento imprevisível desta pandemia e o seu impacto na vida de todos. “Foi um problema que nem colocámos em cima da mesa”, começa por afirmar António Amorim, diretor clínico, explicando que não fazia sentido avançar na primeira data inicialmente prevista.

Aos poucos, foram percebendo como é que a pandemia ia evoluindo e, com a ajuda da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), o administrador do Grupo Montellano – que gere as Clínicas Santa Madalena – achou que o mês de junho era boa altura para a inauguração.

Com uma dimensão de 1500 m2, o risco de ajuntamento ficaria à partida mais reduzido. Além disso, a área total “arejada” e a arquitetura funcional e moderna facilitaram a decisão de abrir portas. O edifício de três andares tem um jardim e estacionamento privado. Uma ampla entrada dá acesso ao piso mais térreo, dividido entre uma receção generosa e uma sala de espera. Situada num local de excelência, num dos principais acessos a Cascais, em direção a Birre e a escassos metros da A5, que liga Lisboa a Cascais, a nova clínica conta com 20 gabinetes dentários, 12 deles já em pleno funcionamento. “Vamos abrindo os gabinetes aos poucos. Esta é uma filosofia da programação da Santa Madalena muito anterior à pandemia e que decidimos manter. Abrimos um espaço para crescer, mas não iniciámos de imediato com todos os gabinetes montados. Temos uma filosofia um pouco conservadora e preferimos dar passos ponderados”, explica o diretor clínico.

Com um horário semanal das 9h às 21h e aos sábados, das 9h às 18h, esta nova clínica conta com um total de 40 profissionais na equipa, entre médicos dentistas, higienistas orais, rececionistas e a gestora coordenadora da clínica. Nas paredes do espaço, é possível ler frases com mensagens alusivas à saúde oral, numa clara recomendação de aposta na profilaxia. “Nada é mais importante do que o seu sorriso” e “De pequenino se escova o dentinho”. Frases que ajudam a tornar a saúde oral mais próxima dos clientes.

O diretor clínico confessa a “surpresa pela positiva” do desempenho dos primeiros quatro meses de atividade [até outubro de 2020], assumindo que este balanço só é possível devido à confiança associada à marca Santa Madalena. “A afluência que temos das pessoas que nos visitam e o total de consultas diárias levam-nos a concluir que confiam em nós e que consideram que este é um local seguro para cuidarem da sua saúde oral. Se colocar o mês de março [de 2020] em retrospetiva, nunca pensei assistir ao fluxo de clientes que temos, até ao dia de hoje [outubro de 2020]”, explica António Amorim. E nem mesmo o mês de agosto ou as férias de verão representaram uma diminuição das consultas. A explicação é simples: “A Clínica de Santa Madalena, no geral, atende muitos emigrantes que aproveitam a vinda a Portugal para realizar as suas consultas e exames de rotina. O mês de agosto foi muito positivo. Estaria a mentir se afirmasse que é a altura mais forte, mas não é uma fase tão má como as pessoas pensam.”

Principais serviços

Com a disponibilização de todas as especialidades de medicina dentária, o objetivo passa por oferecer um serviço diferenciador em cada uma das áreas. “Na endodontia, trabalhamos com microscópio, o que confere uma grande vantagem em termos de eficácia do tratamento e reabilitação oral”, explica António Amorim, destacando também o scanner intraoral, a partir do qual grande parte dos tratamentos de reabilitação oral (prótese fixa sobre dentes e prótese fixa sobre implantes) são feitos na clínica. “Praticamente não fazemos moldes. O scanner permite fazer uma leitura e enviar para o nosso laboratório interno. Temos técnicos de próteses que são um pouco ‘informáticos’, que percebem muito dessa tecnologia e fazem as coroas através deste equipamento. Isto é algo que é feito de forma diária, o que é diferenciador”, refere o diretor clínico.

A Clínica de Santa Madalena assegura as restrições impostas pela pandemia de covid-19 recomendadas pela OMD, nomeadamente, o espaçamento entre consultas, o tempo de consulta e as regras de higienização. Por esse motivo, todos os serviços e consultas estão em pleno funcionamento. “No entanto, vemos menos doentes por dia e temos um maior espaçamento entre eles, porque temos de cumprir medidas de higiene e de desinfeção – que já seguíamos – que se tornaram ainda mais rigorosas. As coisas têm corrido muito bem, felizmente, e os nossos objetivos vão sendo ajustados aos poucos”, nota António Amorim.

Destaque para algumas das potencialidades deste novo espaço, desde “a imagiologia 3D, o gabinete cirúrgico, a sala de recobro, o laboratório de próteses, o espaço júnior, a sedação consciente, o atendimento de urgências, a endodontia (desvitalização) com microscópio e todas as áreas da medicina dentária”.

A clínica júnior está mais afastada dos gabinetes de atendimento de adultos e conta com gabinetes decorados especificamente para os mais novos. “Contamos com uma equipa de odontopediatras que trabalham com sedação consciente e com todas as tecnologias que permitem tratar as crianças de forma mais eficaz, reduzindo o medo associado à ida ao dentista”, explica António Amorim. Sempre que necessário, há a possibilidade de recorrer a anestesia geral no caso de crianças com necessidades especiais e que não se possam tratar convenientemente com medicação ou sedação consciente, isto em parceria com um protocolo com uma unidade hospitalar.

Na sala de espera dedicada às crianças, é fácil perceber que a covid-19 trouxe novas regras, porque deixou de ser possível ter os habituais brinquedos para as crianças brincarem enquanto aguardam pela sua consulta. Por enquanto, não é permitido e o espaço acabou por ter de ficar “mais despido”. A segurança assim o exige.

Democratizar o acesso

“A Santa Madalena foi uma das clínicas pioneiras em Portugal a assumir os acordos com seguros na área de saúde oral e essa é uma das suas imagens de marca. Julgo que, no futuro, o acesso a cuidados de medicina dentária será ainda mais democratizado. Mas, quando os seguros começam a praticar preços demasiado baixos, começamos a ter de enfrentar outro tipo de problemas”, defende o diretor clínico, salientando que o facto de conseguirem trabalhar com tabelas aceitáveis permite manter a qualidade.

“Somos uma clínica com solidez financeira e os investimentos do grupo são feitos com calma e algum conservadorismo, o que também é benéfico para o bom tratamento dos clientes.” A clínica conta ainda com planos convencionados através do cheque-dentista e uma parceria no âmbito da responsabilidade social com a associação Mundo A Sorrir.

“Somos uma clínica com solidez financeira e os investimentos do grupo são feitos com calma e algum conservadorismo, o que também é benéfico para o bom tratamento dos clientes” – António Amorim, diretor clínico

Com presença nas redes sociais, nomeadamente no Facebook e no Instagram, a divulgação do trabalho desenvolvido é também ponderada e conservadora. “Sabemos que devemos apostar mais nessa área”, adianta António Amorim. Embora sejam formas adequadas de divulgar os serviços, ainda é a publicidade boca a boca aquela que mais traz clientes à clínica.

Frequentador assíduo de congressos internacionais, o diretor clínico não tem dúvidas da excelência da prática clínica em Portugal. “O nosso País está ao nível do melhor que há no mundo em medicina dentária. No que respeita à nossa população, enfrentamos a questão de falta de poder económico, mas a saúde oral ainda não está enraizada na nossa cultura. Ou seja, as pessoas descuram um pouco a saúde oral e nem sempre por motivos económicos”, defende.

No entanto, António Amorim admite que tem assistido a uma melhor promoção da saúde oral nos dias de hoje na televisão, Internet e mesmo nas redes sociais. “Notamos que as gerações mais novas que aparecem na consulta cuidam mais de si, vêm mais assiduamente ao dentista e estão mais preocupadas com a saúde oral. Nesse aspeto, estamos a melhorar, embora ainda haja um longo caminho a percorrer”, acrescenta.

Considerando que os cuidados de saúde oral ainda não estão enraizados na cultura nacional, António Amorim acredita que o facto de os clientes adiarem uma consulta de medicina dentária nem sempre se deve “a motivos económicos”. No entanto, é notória a procura por parte “das gerações mais novas” que aparecem “mais assiduamente nas consultas”.

O diretor clínico não concorda com a ideia de que não existe união na classe. Aliás, por altura do [primeiro] confinamento devido à covid-19, sentiu ainda mais o apoio dos amigos e colegas da área. “Tenho grandes amigos na medicina dentária e grandes mestres que me ajudaram na minha formação, a quem muito devo.” E ainda que considere a concorrência feroz, notou “uma grande união da classe durante o tempo em que estivemos em casa”. E explica: “Tivemos de lidar com a questão dos equipamentos de proteção individual. De repente, passámos a ter uma necessidade que não existia antes ao nível de máscaras FFP2, de viseiras, de batas…. Foi preciso pensar como é que iríamos ter estes equipamentos que não estavam disponíveis. Juntámos um conjunto de pessoas para solicitar o envio de material e conseguiu-se, de facto, a união que muitas vezes os colegas entendem não existir”, foca, determinado.

Aposta na prevenção

O ano passado, no dia 4 de outubro, a Clínica de Santa Madalena comemorou o seu 26.º aniversário. Tudo começou em 1994, com apenas um gabinete, num primeiro andar no centro de Lisboa. À data de fecho desta edição, a marca integra 18 clínicas, sete clínicas dentárias hospitalares e 11 clínicas dentárias, mais de 160 gabinetes dentários e mais de 800 colaboradores. O crescimento tem sido notório e o investimento em novas clínicas também.

A aposta na prevenção desde a primeira consulta é uma das características da marca Santa Madalena, que tem como missão “cuidar cada vez melhor da saúde oral dos pacientes”. Num primeiro check-oral e numa primeira consulta, são identificadas as necessidades dos pacientes, sendo proposta uma solução integrada com a colaboração de uma equipa multidisciplinar. “Temos uma política de remarcação, até porque temos como objetivo fidelizar o cliente. Começamos por realizar uma higienização e a partir daí começa a desenrolar-se todo o plano de seguimento. Caso não precise de outro tratamento em específico, insistimos para que regresse seis meses depois para fazer um controlo numa ótica de prevenção”, explica António Amorim. É feito um contacto aos pacientes 48 horas antes do dia da consulta agendada e é enviada uma mensagem automática a relembrá-los da marcação.

O diretor clínico acha crucial a procura de cuidados dentários, mesmo com todos os receios relacionados com a covid-19. É que a saúde em geral não pode esperar. “É seguro cuidar da saúde oral, os pacientes podem vir tranquilos”, conclui.

*Artigo publicado originalmente na edição n.º 135 da revista SAÚDE ORAL, de novembro-dezembro de 2021.

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