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Turismo em medicina dentária

O turismo de saúde não é um fenómeno recente, mas com a globalização e o desenvolvimento da tecnologia cresceu, tendo sido identificado pela Organização Mundial de Turismo como um dos mercados com maior interesse a nível mundial e uma das prioridades da Estratégia do Turismo de Portugal 2027.

O turismo médico é distinto de outros conceitos de bem-estar pela presença de supervisão médica e pela existência de instituições prestadoras de cuidados de saúde onde são realizados os procedimentos. A supervisão médica deverá incidir não só sobre aspetos clínicos, como também pelas precauções pós-intervenção, nomeadamente quanto à adequação das experiências turísticas, complementares da viagem, que poderão usufruir.

 

O setor da medicina dentária pode ser visto como mais-valia para o fomento da economia nacional, evidenciando o seu valor acrescentado no âmbito do turismo em saúde, ao contribuir para o combate à sazonalidade, ao implicar períodos significativos de estada e gastos médios pessoais elevados, quando comparados com outras motivações turísticas. Sem esquecer que a maioria dos tratamentos tem possibilidade de recuperação em ambulatório, criando a necessidade de hotéis para alojamento com conforto necessário no período pós-intervenção e que o turista médico raramente viaja sozinho.

Sendo um fenómeno mundial, vários destinos, com apoio governamental, têm estratégias definidas para atrair turistas médicos e a realidade internacional tem demonstrado a oferta de diferentes produtos e nichos de mercado por país, criando uma reputação que pode, nem sempre, ser positiva…

 

Assim, a Ordem dos Médicos Dentistas, pretendendo desenvolver pensamento sobre esta matéria, dirigiu recentemente um inquérito à classe que confirmou o interesse que o tema desperta, pelo que será discutido no 31.º Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas que decorrerá em Lisboa, na FIL, nos dias 17 a 19 de novembro de 2022.

Um estudo recente, que incidiu sobre pacientes ingleses que procuraram especificamente tratamentos dentários fora do seu país, aponta que as suas maiores preocupações são a qualidade e a segurança, nomeadamente a certificação das clínicas, a tecnologia disponível e a reputação do médico dentista.

 

O estudo “Apuramento do custo de tratamentos em medicina dentária”, realizado pela Faculdade de Economia da Universidade do Algarve e divulgado pela OMD, permite extrapolar que campanhas de marketing com referência a “preços mais baixos” dificilmente se conseguem concretizar sem sacrificar o superior interesse do paciente, podendo prejudicar a principal mensagem que deve ser passada: a qualidade deve vir em primeiro lugar. A qualidade que desejamos para os pacientes nacionais é a mesma que devemos oferecer ao paciente internacional/turista médico, cabendo aos médicos dentistas manter esse nível elevado.

A OMD tem desenvolvido esforços, no sentido da criação de canais de comunicação credíveis, para promover a reputação de Portugal como destino de turismo médico-dentário de excelência, ressalvando a importância das consultas de follow-up que serão sempre um bom motivo para o turista médico regressar e continuar a deslumbrar-se com o nosso País!

 

*Joana Morais Ribeiro, Grupo de Trabalho Turismo em Medicina Dentária da OMD

**Artigo de opinião publicado na edição 146, setembro-outubro, da Saúde Oral

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