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Clínicas Dentárias

Tratar as doenças da boca e do rosto, exceto as dentárias

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O Instituto Português da Face foi fundado em 2016 pelos especialistas em cirurgia ortognática e disfunção da articulação temporomandibular (DTM) David Ângelo e David Sanz. O objetivo era criar um centro de referência internacional, conciliando função e estética. A principal missão? A excelência no diagnóstico, tratamentos e cirurgias faciais, sobretudo em áreas como a dor orofacial, DTM e cirurgia ortognática.

Fotografia: Instituto Português da Face

“O meu percurso passa pela dor orofacial e a disfunção da articulação temporomandibular. Já há cerca de seis anos que só me dedico a essa área”, conta David Ângelo à SAÚDE ORAL.

Porém, apesar da dedicação a este segmento, a ideia de fundar o Instituto Português da Face (IPF) só surgiu quando começou a interagir e depois a trabalhar com David Sanz. “Comecei a convidar o David Sanz para me ajudar em algumas cirurgias da articulação temporomandibular, ele começou a convidar-me para o ajudar em algumas cirurgias ortognáticas e, depois de colaborarmos um com o outro, chegámos à conclusão que seria interessante fazermos um projeto de raiz, centrado na excelência dos tratamentos faciais. E foi aí que começamos a planificar uma estrutura, um nome, etc. e surgiu a ideia do IPF”, explica David Ângelo.

“Então, de uma forma faseada, fomos deixando aos poucos a nossa atividade em outros centros onde trabalhávamos. Eu e o David [Sanz] trabalhávamos em diferentes clínicas, mas não tínhamos um local de referência, e a ideia foi termos um sítio próprio, um local em que nós e os doentes se sentissem em casa, que é o IPF, sendo que o objetivo era centrar a nossa atividade no instituto. Este processo foi progressivo e demorou cerca de dois anos.”

O Instituto Português da Face nasceu assim em 2016, num espaço com 260 metros quadrados, com quatro gabinetes médicos, um estúdio fotográfico e duas salas de espera.

Para expandir a área de tratamentos faciais, o instituto incorporou vários departamentos, como a dor orofacial e disfunção temporomandibular, dismorfias dentofaciais e cirurgia ortognática, cirurgia maxilofacial, implantologia avançada (implantes zigomáticos), feminização ou masculinização facial, rinologia, medicina estética facial, cirurgia oral, tratamentos capilares, neurologia, medicina oral, cirurgia da cabeça e do pescoço e cirurgia estética facial.

“Incorporamos e integramos áreas de excelência, como a cirurgia ortognática, como a implantologia avançada, com implantes zigomáticos para doentes desdentados totais que queiram uma solução de dentes em um dia, sem necessidade de recorrer a enxertos ósseos. E, depois, integramos outras áreas, como a área da rinologia, ou seja, tudo o que são cirurgias nasais (desde a cirurgia funcional à cirurgia estética do nariz), mas também aos seios maxilares, doentes com sinusites crónicas. Temos recebido também muitos casos de doentes com sinusites odontogénicas (sinusites de origem dentária) – temos um médico da equipa que se dedica apenas a essa parte”, explica o cofundador.

A medicina oral também foi contemplada e conta com uma médica inteiramente dedicada à área: “Todos os doentes que têm líquen plano, que têm síndrome da boca/língua ardente, lesões ulceradas na boca, estomatites, etc… Temos uma médica dedicada só a essa área”, acrescenta. Um dos requisitos para trabalharem no instituto foi apresentarem formas de tratamento inovadoras, com mais segurança e melhores resultados para os doentes. Isso acontece na área da rinologia, com a rinoplastia ultrassónica, e na medicina oral, com a endoscopia de contato e tratamentos com laser.

Atualmente, o IPF conta com uma equipa médica multidisciplinar, com o objetivo de oferecer a melhor solução para cada caso. Além dos dois cofundadores, a equipa médica conta com Carlos Nabuco, cirurgião de cabeça e pescoço; Marta Galrito, médica estomatologista; João Pimentel, médico otorrinolaringologista; Alia Ramazanova, médica estética; e Lia Leitão, médica neurologista. A equipa engloba ainda terapeutas da fala, fisioterapeutas, um acupuntor, enfermeiros e uma equipa de gestão clínica. Em suma, o IPF engloba todos os serviços faciais, exceto a generalidade dos procedimentos mais tradicionais das clínicas dentárias.

David Ângelo explica: “Se vier um doente para fazer um tratamento de uma cárie, nós não temos esse serviço específico da medicina dentária, mas temos tudo o resto. Da mesma forma que se vier um doente para colocar um implante, nós não tratamos desse caso. Tudo o que é patologia da face, oral, exceto a parte dentária. E esse é o conceito do Instituto Português da Face, porque entendemos que, na área da medicina dentária, já existe uma valência grande a nível nacional de serviços de excelência e nós não queríamos então entrar por aí.”

Disfunções da articulação temporomandibular – a patologia mais frequente

De acordo com o especialista, os casos clínicos mais frequentes são “os casos de patologia da articulação temporomandibular, casos de dismorfias dentofaciais e depois os casos de feminização da face”. Em termos de hierarquia, quantitativos, o instituto recebe primeiro disfunções de ATM, depois cirurgia ortognática, feminização da face e os implantes zigomáticos. Só depois vêm os procedimentos de rinologia e outros, áreas que foram implementadas há menos tempo, mas que estão a crescer de forma significativa, garante David Ângelo.

Coincidindo com a incidência de casos clínicos, o procedimento realizado com maior regularidade é a atroscopia da articulação temporomandibular: “É um procedimento no qual nos temos diferenciado bastante, que haverá pouca gente em Portugal a realizar de forma tão regular como nós. A verdade é que apresentamos taxas de sucesso muito altas e os doentes, logo de uma forma precoce, acabam por beneficiar muito deste tratamento. Ou seja, a atroscopia da articulação temporomandibular, neste momento, é a intervenção que realizamos com mais frequência, seguida depois da cirurgia ortognática”, esclarece.

“Temos dois artigos científicos sobre o nosso protocolo de artroscopia da articulação temporomandibular aceites para publicação no International Journal of Oral and MaxilofacialAsurgery com resultados das nossas intervenções, que esperamos divulgar em breve”, acrescenta.

A cirurgia ortognática

A cirurgia ortognática é uma intervenção que tem como objetivo corrigir as assimetrias dentofaciais, com o objetivo de alcançar o equilíbrio perfeito da face e dos dentes.

“Muitos ortodontistas fazem o primeiro caso ortodontico-cirúrgico com o instituto, exatamente porque valorizam a disponibilidade do David Sanz para discutir os casos e esclarecer dúvidas. Quando nos pedem, o que é frequente, os próprios ortodontistas acompanham-nos ao bloco operatório para assistir à cirurgia”, diz David Ângelo.

“Tem sido muito positivo, ver o David Sanz crescer como cirurgião ao longo destes anos. Se alguém tivesse de me operar à face, seria ele!”, assegura o médico estomatologista, explicando que o cofundador tem “conseguido acompanhar as referências mundiais na área da cirurgia ortognática e tem um grande cuidado com o planeamento cirúrgico 3D, com a cirurgia e com os cuidados pós-operatórios”.

O cirurgião destaca ainda a equipa do instituto focada no pós-operatório dos doentes, que conta com um serviço personalizado 24 horas por dia, com serviços de enfermagem, motorista, terapeutas, gestor personalizado, contato com o médico responsável, entre outros.

Feminização da voz

A voz, além de ser uma forma de expressão, pode ser encarada como uma forma de identidade. A feminização da voz pode ser alcançada, de forma parcial, através da terapia da fala. Contudo, as nossas cordas vocais têm limites da elasticidade.

Para os casos em que a terapia da fala não tem sucesso, ou não é suficiente, a cirurgia permite alcançar uma feminização efetiva da voz, alterando a anatomia das cordas vocais e da laringe.

Poucos são os procedimentos cirúrgicos disponíveis e aceites cientificamente para a feminização da voz, pelo que, para poder indicar o melhor procedimento, é necessário analisar a voz doente e explorar os seus limites normais, além das questões anatómicas.

No processo de feminização da voz, realizado no IPF, é realizada uma abordagem personalizada. “A frequência da voz está diretamente relacionada com a tensão que tem as cordas vocais e nós, se tivermos um doente do género masculino que queira feminizar a voz, o que vamos fazer, de um modo muito simplificado, é esticar as cordas vocais, através de um pequeno procedimento que se faz cirurgicamente, com uma cicatriz muito ligeira. Conseguimos, então, esticar as cordas vocais e fazemos com que a voz fique mais feminina. O resumo é isto. Tecnicamente é muito mais complexo. Como estamos a crescer muito na área da feminização e masculinização facial, conseguimos complementar o tratamento com a alteração da voz. Somos dos poucos centros do mundo a integrar este conceito de full face and voice, que são cirurgias que chegam a demorar 12 horas que exigem um grande planeamento.”

Exodontia dos sisos sob anestesia geral – uma inovação em Portugal

Recentemente, o IPF começou também a realizar a exodontia de sisos sob anestesia geral, um serviço que tem cada vez mais procura e que permite de forma prática resolver o problema da remoção dos sisos de uma só vez, sob anestesia geral.

“Há pouco tempo, começámos a integrar um serviço de extração de dentes do siso em uma hora. Desde que o doente dá entrada na clínica até que sai, passa-se um período de quatro horas, e é feita a exodontia dos quatro sisos sob anestesia geral. O doente acaba por ter muito menos edema e desconforto. Desde que começámos com esta proposta para os doentes, a aceitação tem sido surpreendente e tem resultado muito bem. Temos observado que tem havido cada vez mais procura por este serviço”, explica David Ângelo.

“O tratamento é sempre acompanhado pela colocação de plasma rico em plaquetas no alvéolo dentário e de uma sessão de drenagem linfática no dia da cirurgia”, acrescenta.

Atualmente, os profissionais encontram-se a realizar um pequeno estudo comparativo entre a extração de dentes com anestesia local versus extração de dentes com anestesia geral. Sobre os resultados, o cirurgião indica que “o grau de satisfação é significativamente maior quando a cirurgia é feita com anestesia geral”, contudo, os resultados são ainda preliminares.

“Em alguns países, por exemplo, em França, os dentes do siso inclusos são praticamente todos extraídos em anestesia geral. Em Portugal é que não temos muitas vezes esta perceção e tentamos sempre fazer com anestesia local, mas a anestesia geral dá muito conforto ao doente e realmente facilita muito a cirurgia. Num tempo só, o doente fica sem os quatros dentes do siso, o que é muito cómodo e hoje é uma intervenção segura e permite-nos ganhar confiança através da qualidade do procedimento.”

David Ângelo, que nos últimos cinco anos ganhou 11 prémios de investigação nacionais e internacionais, revela que o IPF quer desempenhar um papel importante no progresso de algumas áreas, em especial na ATM e cirurgia ortognática. Para isso, integraram na equipa um bioengenheiro a tempo inteiro que apoia os fundadores do instituto em dois projetos europeus, um na área da regeneração do disco da articulação temporomandibular – projeto Bio-discus – e outro na área da simulação facial – projeto Arthur.

“Um projeto desta dimensão só faz sentido associando a investigação e a formação”, finaliza David Ângelo.

DESTAQUES

“Se vier um doente para fazer um tratamento de uma cárie, nós não temos esse serviço, mas temos tudo o resto. Tudo o que é patologia da face, oral, exceto a parte dentária” – David Ângelo, IPF

De acordo com David Ângelo, os casos clínicos mais frequentes são “os casos de patologia da articulação temporomandibular, casos de dismorfias dentofaciais e depois os casos de feminização da face”

Instituto Português da Face implementa testes rápidos antes de cirurgias

O Instituto Português da Face implementou testes rápidos SARS-CoV-2, em apenas 15 minutos, para a deteção de anticorpos do novo coronavírus em pacientes com cirurgias agendadas.

David Ângelo, cofundador do Instituto Português da Face e especialista nas áreas de dor orofacial e disfunção temporomandibular, explicou à SAÚDE ORAL que o principal objetivo foi “abrir a clínica com elevados padrões de segurança”. As primeiras cirurgias previstas na sequência da realização destes testes decorreram no dia 20 de maio, tendo os primeiros testes sido realizados no dia 6 do mesmo mês. ​

Assim, para as consultas normais, é realizado um questionário ao doente via telefone, no qual é feita uma “pré-triagem de alguns sintomas que são sugestivos da pessoa ser um doente de risco covid-19”.

Se o doente não tiver nenhuma questão positiva no questionário, pode ser marcada a consulta. Quando chega ao edifício do Instituto, é feito um novo questionário de validação e é avaliada a temperatura do doente.

“Se o doente tiver o questionário negativo e tiver uma temperatura inferior a 38º, então o doente está ‘OK’ para ir à consulta. É-lhe dado então um kit com uma bata, máscara, proteção de pés e touca. O cliente desinfeta as mãos e, então, entra dentro da clínica”, explica David Ângelo.

Na clínica é feita nova verificação. A enfermeira vai novamente medir a temperatura do doente e realiza-se a consulta, na qual os profissionais de saúde estão equipados com as máscaras adequadas (máscaras cirúrgicas com a norma EN 14683 e máscaras FFP2) e restantes EPI recomendados pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

“Depois, se este doente tiver uma indicação para uma intervenção cirúrgica, nós temos um protocolo de segurança interno, que adaptámos nós próprios, porque mesmo a DGS ainda não tem uma regulamentação rígida para estes casos. O que é que fazemos? O doente faz dois destes testes rápidos para SARS-CoV-2”, explica.

Os “testes rápidos” são testes sanguíneos efetuados ao paciente, para os quais são retiradas “duas gotas de sangue, como se estivéssemos a fazer um teste de glicémia capilar”.

O procedimento é simples: “O kit é aberto no momento, depois picamos a ponta do dedo, colocamos a ponta do dedo no kit e aguardamos cerca de 15 minutos. Entretanto, o teste vai-nos dizer se o doente é negativo ou se tem anticorpos para o SARS-CoV-2.”

O teste identifica anticorpos IgG ou IgM. Se o paciente tiver anticorpos IgM, é sugestivo de uma infeção ativa e, nesse caso, o profissional explica que há motivos para alarme: “É preocupante porque é um doente que está em risco de infetar a população, doentes e a equipa do Instituto.” Por outro lado, se o paciente for positivo para IgG, é muito sugestivo de “um doente que já teve infeção e que neste momento apresenta imunidade”.

De acordo com David Ângelo, o teste tem uma sensibilidade em relação à IgG de 100%, uma especificidade de 98,89% e uma precisão de 91,17%. Em relação às IgM, tem uma sensibilidade mais baixa, de 90%, uma especificidade de 97,78% e uma precisão de 95,83%.

*Artigo publicado originalmente na edição n.º 134 da revista SAÚDE ORAL, de setembro-outubro de 2020.

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