Investigação

Suplementação de vitamina D na gravidez reduz o risco de anomalias no esmalte

Criança no dentista

Um ensaio aleatório mostrou que a vitamina D, quando administrada em altas doses nos últimos três meses de gravidez, reduz para metade a ocorrência de anomalias no esmalte nos dentes decíduos e definitivos dos filhos das gestantes até aos seis anos, isto em comparação com uma suplementação reduzida. O estudo, contudo, não revelou qualquer alteração na incidência de cárie dentária.

As anomalias em questão referem-se à quebra do esmalte, opacidade nos molares, entre outros problemas dentários que são frequentes em todo o mundo, afetando quase 40% das crianças em idade escolar.

A ausência de um esmalte resistente pode provocar dor de dentes, sensibilidade ao ingerir alimentos ou bebidas quentes ou frias, promover o aparecimento e progressão de cárie e aumentar a necessidade de extração dentária.

O estudo Vitamin D Supplement During Pregnancy and Enamel Defects in Offspring, publicado na JAMA Pediatrics, contou com 623 participantes, mulheres com 24 semanas de gravidez que receberam 2400 UI de vitamina D desde o início do ensaio até uma semana após o parto. Outro grupo recebeu apenas a suplementação padrão de 400 UI/dia.

Durante o estudo, 588 crianças, filhas das participantes, também foram acompanhadas. Aos seis anos de idade, os dentes das crianças foram examinados em 84% dos casos, perfazendo 496 crianças.

Verificou-se que o risco de defeitos no esmalte, tanto nos dentes de leite como nos dentes permanentes, foi diminuído para metade, apesar de não se verificar qualquer alteração no risco de cárie.

Para evitar qualquer enviesamento na composição dos grupos, foram também considerados outros hábitos de higiene oral, como a utilização de pasta de dentes com flúor, frequência da escovagem dos dentes e o uso do fio dental.

O impacto das diferenças destes hábitos de higiene sobre a prevalência de defeitos do esmalte nos dois grupos foi descartado pela análise de possíveis fatores de confusão. Os resultados mostram que hábitos de estilo de vida, como os acima mencionados, estavam igualmente presentes em ambos os grupos.

A luz solar é um fator chave para garantir a presença de vitamina D em níveis adequados no sangue, pelo que igual número de pacientes em ambos os grupos foram expostos a luz solar em níveis semelhantes.