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Investigação

SPGH distingue estudo sobre potencial das biópsias líquidas no diagnóstico e na monitorização de doentes com cancro oral

O estudo “Cell-free DNA: A Tool for The Diagnosis and Follow-up of Oral Cancer?”, desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), foi distinguido pela Sociedade Portuguesa de Genética Humana (SPGH) com o prémio “Melhor Comunicação Oral em Investigação Clínica”.

O trabalho – desenvolvido por Ivana Martins, Leonor Barroso, Inês Tavares, Luís Pires, Francisco Marques, Joana Barbosa de Melo, Isabel Marques Carreira e Ilda Patrícia Ribeiro – explora o potencial das biópsias líquidas no diagnóstico e na monitorização de doentes com cancro oral.

De acordo com os autores do estudo, “as taxas de incidência e de sobrevivência do cancro oral permanecem preocupantes, principalmente devido ao seu diagnóstico tardio e ao frequente desenvolvimento de recidivas e metástases. As biópsias líquidas, que consistem na deteção de componentes derivados dos tumores, incluindo DNA tumoral em circulação (do inglês ctDNA) em biofluidos, como o sangue e a urina, surgiram recentemente como uma potencial abordagem não invasiva ou minimamente invasiva para a deteção precoce, o diagnóstico e a monitorização de doentes oncológicos”.

No entanto, “o impacto clínico das biópsias líquidas no cancro oral ainda é muito limitado, quando comparado com outros tipos de cancro, requerendo mais estudos de validação para a sua implementação com sucesso na prática clínica”, acrescentam os investigadores, lê-se em nota publicada no site da universidade.

Com o objetivo de explorar o potencial das biópsias líquidas no diagnóstico e na monitorização de doentes com cancro oral, a equipa procedeu à “monitorização das concentrações de DNA livre em circulação no plasma e na urina durante o acompanhamento clínico de doentes com diagnóstico de cancro oral, avaliando e comparando o perfil mutacional do ctDNA e do tecido tumoral correspondente por sequenciação de nova geração (do inglês, NGS)”.

Ambas as análises quantitativas e qualitativas do DNA livre em circulação foram correlacionadas com as caraterísticas clinicopatológicas dos doentes. Nesta fase do estudo, adiantam os investigadores, “já foi possível obter informações preliminares interessantes relativamente à cinética do DNA livre em circulação durante o tratamento dos doentes com cancro oral, nomeadamente, que os níveis de DNA livre em circulação no plasma parecem aumentar em resposta ao tratamento antes de diminuir”.

Além disso, a identificação de “mutações específicas em alguns genes revelou que as biópsias líquidas podem ser uma fonte de informação relativamente ao perfil genético dos tumores e à resposta à terapêutica no cancro oral”.

Segundo os autores do estudo, “os resultados obtidos revelam que é possível isolar ctDNA de plasma e urina destes doentes e que a análise integrada de biópsias líquidas e de tecido permite uma caracterização mais abrangente do perfil do tumor”, salientando que a continuação do estudo, com um período de acompanhamento mais longo destes doentes, será fundamental para confirmar o potencial das biópsias líquidas no diagnóstico e monitorização do cancro oral.

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