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Saúde Oral

SPDOF e outras 30 entidades preocupadas com tratamentos de ortodontia à distância

Diversas sociedades, associações e instituições profissionais dentárias e ortodônticas de 25 países europeus, entre elas a Sociedade Portuguesa de Ortopedia Dento-facial (SPDOF), declararam em conjunto estar preocupadas com a emergência de empresas que promovem e vendem tratamentos de ortodontia com alinhadores dentários enviados por correio, noticia a Gaceta Dental.

“Estes tipos de tratamentos à distância são fornecidos sem um diagnóstico inicial adequado, nem qualquer forma de acompanhamento clínico regular”, consideram as 31 entidades signatárias da declaração, alertando para os riscos de saúde.

 

De acordo com as associações, qualquer tratamento autoadministrado e realizado remotamente não pode ser justificado do ponto de vista médico profissional e, portanto, representa uma grave violação dos padrões éticos médicos e dentários.

“A unanimidade demonstrada pelos ortodontistas europeus sobre esta questão deixa claro que a ortodontia é mais do que alinhar os dentes anteriores. É uma abordagem global aos cuidados ortodônticos em que os melhores interesses do paciente estão no centro dos nossos tratamentos”, disse o presidente da Asociación Española de Ortodoncistas (AESOR), Ignacio García-Espona.

Declaração Conjunta:

 

“Diferentes empresas oferecem tratamentos de maloclusão aplicando o seguinte padrão: a partir de impressões tiradas pelo próprio paciente, um tratamento é planeado e os aparelhos necessários são fabricados para ele (especialmente os chamados alinhadores), que é enviado para o paciente por correio. A evolução do tratamento é monitorizada através do envio de ficheiros de imagem ou vídeo, sem contacto direto entre o paciente e o terapeuta.

A este respeito, declaramos:

  1. Qualquer tratamento de uma maloclusão representa uma intervenção médica no sistema estomatognatático, pelo que deve ser executado exclusivamente por um médico dentista.
  2. Qualquer tratamento de uma maloclusão deve ser precedido de um exame clínico completo do paciente. Exige igualmente a avaliação de diferentes imagens de diagnóstico, a fim de escamar um planeamento de tratamento correto, a fim de identificar contraindicações ou fatores de risco especiais.
  3. Qualquer tratamento de uma maloclusão requer um acompanhamento clínico periódico. É essencial avaliar o progresso do tratamento, mas também detetar complicações precoces possíveis, tais como movimentos dentários indesejados ou outras patologias intraorais.
  4. Por conseguinte, o tratamento aplicado pelo próprio doente e o tratamento realizado exclusivamente à distância devem ser rejeitados como potencialmente prejudiciais para a saúde do doente. Um tratamento realizado pelo próprio paciente ou exclusivamente à distância não pode ser justificado do ponto de vista dentário profissional. Por conseguinte, um tratamento realizado exclusivamente à distância constitui uma grave violação das regras da medicina dentária.”
 
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