Médicos dentistas

Sorrir à Onda: uma nova associação humanitária de e para médicos dentistas

Concertos, webinars e inúmeros apoios para os profissionais da saúde oral afetados pela pandemia — criada por duas médicas dentistas, a Sorrir à Onda assume-se como a associação humanitária dos médicos dentistas

“Os médicos dentistas são um grupo muito sensível e que se une a causas em tempos de crise.” A afirmação é da médica dentista Ana Sofia Lopes e a profissional não tem dificuldades em corroborá-la. Ao saber pela comunicação social que havia médicos dentistas e outros profissionais de medicina dentária a recorrer ao apoio do Banco Alimentar Contra a Fome, na sequência do encerramento das clínicas dentárias por parte do Governo devido ao risco de propagação do vírus e depois de muitos dentistas terem doado e angariado material de proteção para os hospitais na linha da frente do combate à covid-19, Ana Sofia Lopes e a sua colega Joana dos Reis Ferreira decidiram, nessa mesma noite, formar uma associação humanitária.

Ana Sofia Lopes

Foi assim que surgiu a associação Sorrir à Onda, registada no dia 14 de maio deste ano. Às duas profissionais juntaram-se ainda, nos órgãos sociais da associação, Sofia Mira de Almeida, Cristiana Sobral Marques, Nuno Miguel Mata, Miguel Sousa Lima, Nuno Rebordão, Ângela Veiga Reis e Marco Gouveia Faria. Paula Mota e Vera Mariz, esta última assistente dentária “desde sempre” de Ana Sofia Lopes, também auxiliaram o processo. Segundo a médica dentista, há mais profissionais a quererem juntar-se ao movimento, provenientes de todo o País, “e serão bem-vindos”.

O primeiro passo da Sorrir à Onda foi a realização de um questionário a vários profissionais da saúde oral (médicos dentistas e estomatologistas, higienistas, técnicos de prótese e assistentes), através do qual os membros da associação perceberam as necessidades mais prementes dos profissionais em dificuldades: pagamento de creches, escolas e bens essenciais. “Tive a ideia de criar sinergias. Neste momento, vários setores estão em risco. Porque não ajudar e ser ajudado?”, explica Ana Sofia Lopes.

As atividades da associação são diversas e abrangem várias vertentes, desde apoio alimentar, serviços de psicologia, indicação de serviços jurídicos e de contabilidade — alguns a custo zero outros a preços acessíveis —, e identificação de lojas preferenciais para a aquisição de EPI, que praticam preços não especulativos.

No plano alimentar, a associação criou protocolos com agricultores, nomeadamente com a Agrobio, que irá praticar preços especiais para três tipos de cabazes para Portugal Continental e Ilhas (ainda a determinar). “Estamos a ter ajuda da Zero Desperdício e da sua representante, Paula Policarpo, que nos está a ensinar todos os pormenores, para administrar uma associação humanitária”, refere Ana Sofia Lopes.

Além disto, foram ainda estabelecidas parcerias com promotores de atividades de dança, fotografia, literatura, hotéis, atividades marítimas e equitação, numa lista crescente de entidades que irão doar uma percentagem das suas vendas à associação.

Joana dos Reis Ferreira

Os profissionais mais jovens também não foram esquecidos pela Sorrir à Onda: a associação vai criar uma espécie de “centro de emprego”, que colocará em contacto os que procuram trabalho e os que querem contratar. “Teremos materiais que podem ser vendidos e comprados em segunda mão, para os estudantes e não só”, acrescenta a fundadora da associação. Mas, o âmbito desta intervenção é também internacional: “Daremos aconselhamento para quem quer ter uma experiência fora do País. Todos os associados já viveram fases da vida fora do País e estamos a desenvolver nesse sentido contactos diretos (sem empresas pelo meio) com clínicas no estrangeiro.”

Eventos de angariação de fundos

Para angariar fundos para estas e outras atividades que a associação tem na calha, a Sorrir à Onda está ainda a organizar alguns eventos, desde espetáculos solidários a webinars.

Os primeiros decorrem já nos dias 26 (a partir das 16 h) e 27 de junho (a partir das 15 h), numa série de webinars solidários em que cada participante poderá contribuir com um valor mínimo de cinco euros, revertendo na totalidade para a associação humanitária dos médicos dentistas.

Transmitidos na plataforma Zoom, o primeiro dia vai contar com três mesas-redondas: a primeira irá discutir as “Tendências Atuais na Reabilitação Oral Estética”, numa conversa entre Sara Casado, João Malta Barbosa e Vasco Nunes da Silva.

A segunda mesa será subordinada ao tema “Implantologia: de onde viemos, onde estamos e para onde vamos”, com o professor António Vasconcelos Tavares como moderador, e quatro pesos-pesados da implantologia em Portugal como oradores — João Pimenta, João Caramês, Gil Alcoforado e Manuel Neves.

Por fim, a terceira mesa será composta pelas sessões de Teresa Pinho (“Invisalign First”), Paulo Fernandes Retto (“Monitorização de Alinhadores em Tempos de Pandemia”), Cláudio Figueiredo (“Tratamento Ortodôntico Híbrido”) e Filipe Thiago (“Alinhadores ‘in-office’”).

No dia seguinte, 27, o professor António Mano Azul irá falar sobre “Infeções Orais e Periorais – Diagnóstico e Protocolo Terapêutico” e António Mata sobre “Critical Thinking”.

Em odontopediatria, Rita Ramos abordará o controlo do comportamento da criança no consultório, ao passo que Miguel Lima irá explicar a sua visão sobre implantologia digital e Filipe Aguilar sobre “A Endodontia — uma chave de acesso ao mercado de trabalho?”.

Os moderadores serão Carlos Falcão, Ana Sofia Lopes e Joana dos Reis Ferreira.

Dar música à crise

Num espírito de entreajuda com o mundo da música, a associação está também a preparar um concerto de angariação de fundos, no dia 1 de julho, com o músico portuense Pedro Abrunhosa e a sua banda. “A banda do Pedro tem 25 músicos a trabalhar para ele e necessitam de viver. O Pedro aceitou um valor muito baixo pela atuação e a compra de bilhetes reverterá para a nossa associação”, explica Ana Sofia Lopes.

O espetáculo vai decorrer no Hard Club, no Porto, com entrada para 130 pessoas, mas será transmitido numa nova plataforma, de nome Cliveon. O preço do bilhete através desta plataforma é de apenas dois euros.

A fundadora da Sorrir à Onda está confiante de que a união destes dois mundos poderá refletir o lema da associação de que estamos “juntos por uma causa”: “A música transforma o mundo, atrai pessoas, une tudo e todos em sentimentos comuns. E é isso que queremos transmitir, estamos juntos! É uma crise transversal a todos. As sinergias e o encontro das várias áreas poderão ser uma forma digna e mágica de dar alguma volta nesta pandemia. É uma ideia que cremos ser boa, com um começo pequeno, mas que esperamos que chegue longe.”

Mais informações sobre a Sorrir à Onda brevemente em https://sorriraonda.pt/ (o site estará pronto dentro de alguns dias).