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Opinião

Seis respostas para não fazer fé a falsos profetas

Um pastor anda com as ovelhas no monte quando lhe aparece um estranho. Sai do seu jipe pseudo todo-o-terreno, daqueles modelos típicos para andar sempre em cidade, e começa logo a falar.

– Tenho uma proposta para si: se lhe disser em menos de 5 segundos quantas ovelhas tem aqui a pastar, dá-me uma. O que acha?

 

O pastor, sem mostrar qualquer entusiasmo, responde:

– Pode ser.

 

– 57. Você tem 57 ovelhas a pastar.

– Está certo, escolha lá uma.

 

O visitante apanha rapidamente um dos animais e, quase histérico, prepara mais uma torrente de palavras quando o pastor lhe trava a nova conversa à nascença.

– Se lhe disser em menos de 5 segundos o que você faz na vida, devolve-me o bicho?

 

O outro hesita, mas aceita o desafio, convencido da impossibilidade de ouvir uma resposta acertada.

– Combinado.

– Você é consultor.

Estupefacto, o homem não consegue esconder a admiração:

– Está certo! Como é que adivinhou?

– Simples. Veio ao meu ambiente de trabalho sem ser convidado, deu-me uma informação que eu já sabia e escolheu o cão a pensar que era uma ovelha.

Esta conhecida história ilustra bem os cuidados a ter com as abordagens de autoproclamados especialistas no setor da dentária (na realidade podíamos extrapolar para qualquer outra área que os cuidados teriam de ser iguais).

Se gere o seu negócio, de certeza tem para contar algum episódio em que um “profeta” irrompeu clínica adentro para “salvá-lo”. É muito mais comum do que se julga e chegam a ser pessoas com quem já temos relações de parceria consolidadas. Por uma razão ou por outra, meteram na cabeça que seríamos o alvo perfeito para comprar uma ideia milagrosa – equipamento, consumíveis ou serviço, é indiferente para o caso.

A pandemia, como todos os tempos de crise, foi terreno fértil para o surgimento destes profetas. Tentaram vender-nos todo o tipo de engenhocas milagrosas, com promessas de atendimento livre da contaminação do vírus. De caixas em acrílico para colocar na cabeça do paciente a purificadores do ar, passando por capacetes de fazer inveja a um astronauta, havia de tudo. Quantos perduraram? Quantos estão em uso? Quantos tiveram novas versões? Onde estão as pessoas que os promoveram/venderam e como reagem a conversas sobre o tema?

Todos os médicos dentistas, higienistas orais e outros empresários detentores de clínicas devem ter sempre presente um facto: a medicina dentária é a especialidade não hospitalar que mais custos acarreta de equipamento e consumíveis. As despesas associadas aos atos médicos na saúde oral estão a milhas de poderem sequer ser comparadas com as chamadas especialidades de marquesa e secretária. E estas são praticamente todas as outras. As exceções, oftalmologia e ginecologia, mesmo necessitando de dispositivos dispendiosos ficam muito abaixo dos investimentos exigidos pela dentária: na implementação da clínica e no que toca a consumíveis operacionais, onde a diferença se torna ainda maior.

Perante esta realidade, qualquer solução proposta à sua clínica carece de uma reflexão com pelo menos seis perguntas fundamentais:

  1. Já tinha pensado neste investimento antes de me baterem à porta?
  2. O esforço financeiro que tenho de fazer é pontual ou vai perpetuar-se com consumíveis e componentes para funcionamento?
  3. Há alternativas no mercado?
  4. Que problemas me resolve?
  5. Que plano de formação e serviço de pós-venda está incluído?
  6. Como e quando conseguirei o retorno deste investimento?

Só respondendo a estas perguntas básicas conseguimos perceber a resposta à questão principal: preciso REALMENTE disto?

A honestidade das suas respostas dirá se está preparado para evitar investimentos inúteis para o fluxo de trabalho da sua clínica. Como treinar este paradigma? Comece por aplicá-lo na vida privada, em situações que podem ir da subscrição de mais um cartão de crédito à necessidade de um novo televisor.

O magnata J.P.Morgan tinha uma frase famosa sobre este assunto: “Pergunte sempre a quem está a vender-lhe uma solução para ficar rico por que razão não a implementou e se tornou milionário”. Caso contrário, quando perceber que lhe levaram o cão já o seu rebanho desapareceu todo.

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