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Médicos Dentistas

Saturação do número de médicos dentistas em Portugal faz aumentar emigração

A Ordem dos Médicos Dentistas revelou que a emigração continua a crescer, face à "saturação muito grande no mercado de trabalho" em Portugal.

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) revelou que a emigração continua a crescer. Para o bastonário da OMD, Miguel Pavão, tal acontece porque “há uma saturação muito grande no mercado de trabalho. Portugal não tem capacidade para dar emprego digno a tantos médicos dentistas. A emigração é, infelizmente, a opção mais viável para os médicos dentistas mais jovens”.

Em concreto, o número de médicos dentistas com inscrição suspensa na Ordem aumentou no ano passado (95 ou 5,7%) para 1 770. No total, 12,5% dos médicos dentistas têm a inscrição suspensa. Destes, a maioria suspendeu a inscrição porque emigrou. O principal destino de trabalho é França, que ultrapassou o Reino Unido.

A média de idades dos médicos dentistas com inscrição suspensa subiu para os 42 anos. No entanto, 55% dos membros suspensos têm menos de 41 anos.

O estudo “Números da Ordem”, divulgado pela OMD em notícia do site, revela também que, atualmente, Portugal possui mais do dobro dos médicos dentistas recomendados pela OMS (um por cada dois mil habitantes), possuindo um médico dentista por cada 884 habitantes (no total, existem 11 640 profissionais).

Análise do número de médicos dentistas em Portugal

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) informa que, no passado, o número de médicos dentistas aumentou 3,8%, ou 513, face a 2019, ano em que entraram para a OMD 750 novos membros. 2020 foi o ano com o valor mais baixo de novos médicos dentistas em mais de uma década. Apesar disso, em dez anos, registou-se um aumento de mais de 66%. Em 2010, havia perto de 7 mil médicos dentistas inscritos na Ordem.

“É preciso alertar as gerações mais novas e respetivas famílias para esta realidade. Além do excesso de profissionais, acresce que grande parte da população portuguesa tem dificuldade em aceder a cuidados de saúde oral por falta de capacidade económica. O programa cheque-dentista ou o projeto-piloto de médicos dentistas nos centros de saúde, apenas respondem a uma parte ínfima da população e deixam de fora a grande maioria dos portugueses”, afirmou o bastonário da OMD.

Dados por faixas etárias, sexo, nacionalidade e distribuição geográfica
  • No ano passado a taxa de feminização da profissão atingiu os 61%;
  • A média de idades subiu ligeiramente para os 40 anos;
  • Perto de 90% dos inscritos na OMD têm nacionalidade portuguesa. O Brasil tem o maior contingente de médicos dentistas (583) a exercer em Portugal, seguido de Itália (242) e Espanha (171);
  • Os locais com menos médicos dentistas com inscrição ativa por habitante são o Baixo Alentejo e o Alentejo Litoral, com um rácio população/médico dentista superior a 2 000.
  • As regiões com um menor rácio de número de habitantes por médico dentista com inscrição ativa são a Área Metropolitana do Porto (615), seguida das regiões de Viseu Dão-Lafões, Coimbra, Terras de Trás-os-Montes, Cávado e Área Metropolitana de Lisboa, regiões que ficam aquém do rácio de média nacional.
  • Há 3 771 estudantes inscritos nos sete mestrados integrados de medicina dentária existentes em Portugal e, destes, 1 454 (39%) são estrangeiros.
  • O número de alunos estrangeiros mais do que triplicou desde 2015. Os estudantes oriundos de França são os mais numerosos (733), seguidos dos italianos (255) e dos espanhóis (188).

Pode consultar o estudo completo aqui.

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