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Saúde Oral

SARS-CoV-2 e a medicina dentária: A covid-19 pode afetar a saúde oral

Veterinária Atual nota informativa covid-19

Doenças na cavidade oral podem facilitar a infeção por covid-19, mas a saúde da boca pode também ser indicadora se uma pessoa está infetada com o SARS-CoV-2. A medicina oral tem, assim, um papel essencial no combate à pandemia.

Em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decreta estado de pandemia devido à ampla disseminação do SARS-CoV-2. Desde cedo, investigadores de todo o mundo iniciaram estudos sobre a saúde da cavidade oral e as infeções por covid-19.

 

Faleh Tamimi, investigador de odontologia na Universidade McGill de Montreal, no Canadá, começou cedo a relacionar o risco de doença grave por covid-19 à periodontite. Alguns estudos associaram também a incidência de covid-19 grave com libertação excessiva de citocinas, algo que é igualmente comum em pessoas com periodontite. O investigador empreendeu um estudo para averiguar se a sua desconfiança tinha algum fundamento e descobriu que as pessoas com covid-19 e doença gengival tinha 3,5 vezes mais de probabilidade de ser internadas em unidades de cuidados intensivos, comparativamente àqueles que não têm periodontite. Os riscos cresciam quando se trata de ser ligado a um ventilador, 4,5 vezes mais de probabilidade. O acompanhamento de 568 doentes hospitalizados com covid-19 no Qatar, país em que todas as informações médicas estão digitalizadas, permitiu ainda concluir que os doentes com periodontite tinham 8,8 vezes maior probabilidade de morrer.

Kevin Bird, investigador de saúde oral no Instituto de Ciência e Investigação da Associação de Medicina Oral Americana, nos Estados Unidos da América (EUA), juntamente com Blake Warner, do Instituto Nacional de Investigação Dentária e Craniofacial, dos EUA, quiseram estudar se o SARS-CoV-2 podia infetar a cavidade oral. Para tal, era necessário averiguar se a boca continha as proteínas ACA2 e TMPRSS2, ambas necessárias para que o vírus entre e infete as células hospedeiras. Os investigadores retiram amostras de saliva a pessoas infetadas com covid-19, bem como a pessoas que morreram por causa desta doença. Este trabalho permitiu concluir que estas proteínas se encontravam nas glândulas salivares e na membrana mucosa da boca, onde também foram detetadas células infetadas com SARS-CoV-2.

 

Purnima Kumar, investigadora de odontologia da Universidade do Ohio, verificou ainda, num outro estudo, que enxaguar a boca reduz o risco de contágio durante consulta médica.

Uma outra investigação, desta vez dirigida pelos cientistas Graham Lloyd-Jones e Shervin Molayem, concluiu que o SARS-CoV-2 pode infiltrar-se através das gengivas para o sistema vascular antes de chegar aos pulmões.

 

*Leia o artigo na íntegra na edição janeiro-fevereiro da SAÚDE ORAL. 

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