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Médicos Dentistas

Risco ocupacional de covid-19 em médicos dentistas na Noruega desceu entre vagas

Durante a primeira vaga de covid-19 na Noruega – entre 26 de fevereiro e 17 de julho de 2020 – os médicos dentistas, médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde tinham aproximadamente duas a 3,5 vezes mais probabilidade de contrair a doença do que todos os outros noruegueses em idade ativa. Já na segunda vaga – entre 18 de julho e 18 de dezembro – os médicos dentistas não se mostraram mais propensos a contrair o vírus do que as restantes classes. A conclusão é de um estudo que comparou o risco ocupacional entre as duas vagas de covid-19 no país nórdico em 2020, relata o Dental Tribune International.

“Para qualquer comparação das nossas descobertas com as de outros países, deve notar-se que a transmissão da covid-19 tem sido relativamente baixa na Noruega quando comparada com outros países”, escreveram os autores.

 

Os autores observaram múltiplas explicações potenciais para esta redução do risco para os profissionais de saúde na segunda vaga. Uma dessas explicações foram as diferenças nos critérios de ensaio na Noruega, que resultaram na inclusão de casos mais brandos confirmados da patologia durante a segunda vaga, em vez de apenas aqueles com uma forma grave da doença.

“No entanto, também é possível que os profissionais de saúde tenham implementado melhores medidas de controlo de infeções, resultando em menos profissionais (por exemplo, enfermeiros, dentistas e outros) a serem infetados à medida que a pandemia progredia”, observam os investigadores.

 

As conclusões do estudo norueguês sugerem que os médicos dentistas podem ser mais propensos do que outros trabalhadores a desenvolver covid-19 aguda. Na sua discussão, os autores escreveram que, apesar de existirem “poucos casos e uma incerteza considerável nas nossas análises à hospitalização relacionada com a doença, os nossos resultados podem indicar que os médicos dentistas estão em risco acrescido de covid-19 grave, levantando novas hipóteses importantes quanto à relevância da carga viral ou das doses infeciosas na causa de doenças graves”.

Metodologia

O estudo conduzido por investigadores do Norwegian Institute of Public Health utilizaram dados do emergency preparedness register do país. Os grupos ocupacionais escolhidos – saúde (incluindo médicos dentistas), ensino, retalho, turismo e viagens, restauração e recreação e beleza foram selecionados com base na sua elevada probabilidade de contacto direto e próximo com outras pessoas.

 

Os investigadores estimaram e compararam o número total de casos confirmados de covid-19 por mil indivíduos empregados para cada uma das duas vagas do país. No total, foram estudados pouco mais de 3,5 milhões de residentes noruegueses em idade ativa. Até 18 de dezembro, 30.003 (0,8%) tinham desenvolvido a doença e 1.550 destes infetados (5,2%) necessitavam de hospitalização.

Pode consultar o estudo completo aqui.

 
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