Investigação

Revestimentos anti-inflamatórios podem reduzir complicações após cirurgia de implantes

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A utilização de implantes médicos pode ser dificultada por reações inflamatórias crónicas, que podem resultar na falha do dispositivo. Agora, de acordo com o Dental Tribune International, os investigadores da Universidade Martin Luther de Halle-Wittenberg (MLU), na Alemanha, desenvolveram um novo método de aplicação de substâncias anti-inflamatórias nos implantes para inibir reações inflamatórias indesejáveis.

De acordo com os investigadores, estes revestimentos são de interesse para aplicações na medicina dentária, pois, por vezes, os implantes podem gerar complicações, uma vez que o sistema imunitário identifica o implante como um corpo estranho e tenta “removê-lo”.

“O sistema imunitário atrai várias células que tentam isolar ou remover a entidade estranha. Estas incluem macrófagos, um tipo de fagócitos, e outros tipos de glóbulos brancos e células do tecido conjuntivo”, explicou Thomas Groth, professor e biofísico da MLU, em comunicado de imprensa citado pela publicação.

Os medicamentos que suprimem a resposta imunitária de forma sistémica são frequentemente utilizados para tratar a inflamação crónica, mas podem ter efeitos secundários indesejáveis.

Assim, a equipa de investigação pretendia modificar antecipadamente a resposta do sistema imunitário a implantes, sem desligar completamente o sistema imunitário, que tem um processo vital para regeneração e “combate” de agentes patogénicos. Os investigadores desenvolveram então um novo revestimento para implantes que contém duas substâncias com um efeito anti-inflamatório: heparina e ácido hialurónico.

“Há algum tempo, utilizando este procedimento, revestimos materiais de fosfato de cálcio destinados à utilização em medicina dentária para preenchimento de defeitos no osso e para aumento ósseo antes da implantação”, explicou Groth.

“A camada é tão fina que não afeta a forma como o implante funciona. No entanto, deve conter substância ativa suficiente para controlar a reação do sistema imunitário até que a reação inflamatória tenha diminuído”, acrescentou.

Nas experiências celulares referidas no estudo Studies on the mechanisms of anti-inflammatory activity of heparin- and hyaluronan-containing multilayer coatings-targeting NF-κB signalling pathway, as duas substâncias foram absorvidas pelos macrófagos, reduzindo assim a inflamação nas culturas. As células não tratadas mostraram sinais claros de reação inflamatória, porque as substâncias ativas no interior dos macrófagos interferem com uma via de sinalização específica que é crucial para a resposta imunitária e morte celular.

“Tanto a heparina como o ácido hialurónico impedem a libertação de certas substâncias pró-inflamatórias mensageiras. A heparina é ainda mais eficaz porque pode ser absorvida pelas células dos macrófagos”, justificou o cientista.