Saúde Oral

Reino Unido: Profissionais de medicina dentária realizam menos exames de cancro oral

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Uma maioria significativa de profissionais de medicina dentária (97%) no Reino Unido está a realizar menos rastreios do cancro oral em comparação com as circunstâncias pré-covid.

De acordo com um inquérito realizado pela Associação Britânica de Medicina Dentária Privada (BAPD), citado pela publicação Dentistry Online, dos profissionais inquiridos, quase metade estão a receber menos dez ou mais pacientes por dia.

Segundo os resultados do inquérito, 55% dos profissionais consideram que os rastreios do cancro oral são agora mais difíceis de realizar, devido aos requisitos de utilização de EPI. Outro dos dados revelantes identificados é que 45% dos profissionais afirmam que não têm acesso a EPI adequados para facilitar um nível normal de fluxo de trabalho.

“O principal motor desta preocupante tendência são os requisitos de tempo de descanso entre consultas impostos pela Public Health England [PHE – entidade de saúde pública de Inglaterra]. Estes reduzem a disponibilidade de consultas para os pacientes”, comunicou a BAPD em carta enviada à PHE, para dar a conhecer as suas “graves preocupações” sobre a redução dos serviços de rastreio de rotina do cancro oral na medicina dentária.

O sistema de encaminhamento via correio eletrónico do NHS, que consideram “claramente inadequado para o efeito”, também acaba por agravar a situação, traduzindo-se numa redução “na triagem atempada de pacientes com suspeita de cancro oral”.

Cerca de 30% dos inquiridos indicaram que não conseguiram obter um e-mail do serviço nacional de saúde britânico para facilitar a referenciação, ou acharam o processo difícil, e quase 8% dos inquiridos (41 indivíduos) assumem ter verificado uma diminuição no encaminhamento de doentes com cancro oral.

Mais de 90% dos inquiridos consideram também que a eficácia dos tratamentos do cancro oral tem sido prejudicada.

“Compreendemos e aceitamos o raciocínio e o sentimento de extrema cautela no que diz respeito à sua estratégia global, a fim de ajudar a mitigar o risco de propagação da covid-19 e, em última análise, salvar vidas. Isto precisa obviamente de ser equilibrado com o aumento do risco de morbilidade e mortes devido ao cancro oral como resultado direto das diretrizes demasiado rigorosas da PHE no que diz respeito ao tempo de descanso entre consultas e aos EPI”.

Cerca de 2,4 milhões de pessoas no Reino Unido encontravam-se à espera de rastreio para o cancro, de mais testes ou de tratamento, segundo o inquérito realizado no mês anterior. A Cancer Research UK refere ainda que, durante esse período, seriam diagnosticados através do rastreio cerca de 3 800 cancros, numa situação normal. Além disso, sugeriu também que menos 12 750 pacientes estavam a ser operados, menos seis mil pessoas estavam a receber quimioterapia e menos 2 800 radioterapia.