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Saúde Oral

Projeto ‘Aproximar’ ganha novo posto móvel e reforça apoio prestado

A delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa vai substituir o posto móvel da equipa de rua “Aproximar”, depois de aprovada a candidatura ao prémio BPI “La Caixa Solidária”, no valor de 50 mil euros. Quando a nova unidade estiver no terreno, o projeto vai avançar ainda com rastreios mensais de saúde oral, numa intervenção já considerada “inovadora”.

O projeto “Aproximar” existe desde 2003 e “está todos os dias do ano, sem exceção, na rua, de manhã e à tarde, a trabalhar com pessoas com comportamentos aditivos e dependências”, referiu David Rodrigues, adjunto-executivo da direção do projeto, em declarações ao Correio do Minho.

O responsável adianta ainda que o projeto é financiado a 80% pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) do Ministério da Saúde.

“Existe financiamento para o desenvolvimento e continuidade do projeto, mas não para a renovação do equipamento móvel que é necessário […] e já temos um posto móvel que está velho e visivelmente degradado”, alertou.

O prémio “La Caixa Solidária” é de 50 mil euros, mas David Rodrigues adiantou que o posto móvel vai custar mais de 60 mil euros. “Não é a mesma coisa que comprar um carro, apesar de termos pedido um orçamento para submeter a uma candidatura, o orçamento já não se mantém e houve alteração de preços. Queremos ter a certeza de que o posto móvel que vamos comprar efetivamente vai ao encontro de todas as nossas necessidades.”

Dentistas vão fazer rastreios mensais

Quando a nova unidade móvel da equipa de rua estiver no terreno, a delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa vai avançar com uma “intervenção inovadora” na área da saúde oral junto de pessoas consumidoras de substâncias psicoativas e com problemas ligados ao álcool.

“Sentimos que os nossos utentes têm vários fatores de risco relativamente à saúde oral. Há uma forte correlação entre os comportamentos aditivos e os problemas de cáries e até de cancro oral e estes são utentes que tipicamente não vão às consultas nem ao dentista”, justificou o adjunto-executivo da direção, David Rodrigues.

A delegação de Braga da Cruz Vermelha Portuguesa desafiou o Centro de Apoio à Saúde Oral (C.A.S.O.) da organização não governamental Mundo a Sorrir para serem parceiros neste novo serviço a prestar apoio a quem mais precisa. Em resposta, a instituição compromete-se a fazer rastreios mensais às pessoas que integram o projeto “Aproximar”.

“A ideia é que o médico aproveite o momento em que está a fazer o rastreio e possa ter logo o encaminhamento preparado, numa lógica de quase “via verde”. No caso, por exemplo, de ter um problema de cáries e precisar de fazer um tratamento de prótese ou até já tenha um cancro na via oral, a pessoa possa ser encaminhada para o C.A.S.O. ou até para o Hospital de Braga quando se justificar”, explicou David Rodrigues.

O responsável acredita que, desta forma, será possível “melhorar de alguma forma a qualidade de vida destas pessoas”, sobretudo quando chegar o posto móvel “com maior dignidade”.

O quotidiano do “Aproximar”

São três os técnicos que estão afetos a esta equipa e que neste momento estão a trabalhar em espelho, de acordo com o Plano de Contingência da instituição, para que “nunca falhe esta resposta”. O projeto é complementado por voluntários e técnicos de outras equipas.

Todos os dias, são feitas duas rondas diárias. Uma de manhã, que acompanha cerca de 50 utentes, e outra à tarde, com cerca de 20 a 30 pessoas a serem atendidas diariamente.

O coordenador da equipa, Filipe Maia, conta que, além de administrarem metadona aos utentes, estão “atentos às necessidades que têm e que podem passar por um simples lanche, precisarem de roupa ou até à marcação de uma consulta no centro de saúde”. A equipa distribui ainda material de consumo para quem consome drogas ilícitas.

Com a covid-19, Filipe Maia confirmou que o “mais difícil” de gerir é o distanciamento social. “Aos poucos, os utentes começaram a ganhar consciência e até pediam máscaras, mas o mais difícil continua a ser a questão do distanciamento”, atirou o responsável, agradecendo aos voluntários que, apesar da covid-19, continuam a ajudar.

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