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Saúde Oral

Otimizar a capacidade de identificação das lesões orais

A nova Unidade de Diagnóstico de Lesões Orais (UDLO) do Hospital de Santa Maria – Porto (HSM – Porto) foi criada há poucas semanas e o responsável pela sua génese, o estomatologista Tiago Fonseca, revela o que o motivou a criar esta unidade, constituída pelas especialidades de estomatologia, anatomia patológica, radiologia e medicina dentária.

O que o motivou a criar a Unidade de Diagnóstico de Lesões Orais? Considera que o cancro oral, em particular, não tem o acompanhamento e a resposta necessários nos hospitais portugueses?

A Unidade de Diagnóstico de Lesões Orais (UDLO) do Hospital de Santa Maria – Porto (HSM – Porto) nasce da constatação do que é desenvolvido a nível extra-hospitalar para o reconhecimento e para o seguimento de problemas da boca – problemas não dentários, não dento-periodontais – e do que é conseguido a nível intra-hospitalar para o diagnóstico e para o tratamento do cancro oral. Depois, a UDLO do HSM – Porto desenvolve-se pela convicção de que a capacidade na identificação de lesões orais e a celeridade na gestão do cancro da boca (lábios incluídos) podem ser otimizadas.

O cancro oral, em particular… tem particularidades. Desde logo, são de preocupar alguns aspetos epidemiológicos… Mas o cancro oral, “por definição”, é uma doença hospitalar. Ou seja, a avaliação e a terapêutica envolvem uma equipa multidisciplinar. Mas a este aspeto positivo do SNS contrapõem-se certas contingências, de tempo e conveniências (cirúrgicas)…

Nos doentes com cancro oral, a meta é que o conjunto do diagnóstico, estadiamento e encaminhamento para uma avaliação multidisciplinar se faça até dez dias!

Tiago Fonseca | médico estomatologista

Que especialidades estão envolvidas na Unidade e de que forma é feito o acompanhamento do doente?

Além da estomatologia, representada por mim, a UDLO do HSM – Porto é constituída pelas especialidades de anatomia patológica (Dr. José Ricardo Brandão e Dra. Minal Honavar), de radiologia (Dra. Teresa Fernandes) e de medicina dentária (Dr. Rui Veloso). Estas áreas articulam-se através de um protocolo estabelecido, isto é, por meio de um fluxograma e de um cronograma específicos. Depois, é só a ágil comunicação entre todos os elementos da unidade…

Na unidade, a biopsia de uma qualquer lesão oral pode ser realizada no próprio dia da (primeira) consulta. O resultado da análise anatomo-patológica consegue ser disponibilizado até quatro dias, em média; e nas situações com necessidade de estudo imagiológico, a avaliação consegue ser feita nos três dias seguintes. Nos doentes com cancro oral, a meta é que o conjunto do diagnóstico, estadiamento e encaminhamento para uma avaliação multidisciplinar se faça até dez dias!

Se um médico dentista pretender encaminhar um paciente para esta unidade, como deverá proceder?

Qualquer pessoa pode recorrer à UDLO do HSM – Porto. Naturalmente que a referenciação é desejável… Em primeiro lugar, porque existe uma “triagem”, em que o profissional que avalia o doente tem a noção da prioridade da situação (podendo transmitir ao doente a rapidez com que a consulta deve ser agendada). Em segundo lugar, porque existe um “resumo”, em que esse mesmo profissional sintetiza a história clínica (podendo comunicar-ma até previamente à consulta).

Tal como se encontra disponibilizado no site do Hospital de Santa Maria – Porto, a consulta realiza-se à terça-feira, das 14h30 às 17h00. A consulta terá de ser sempre requerida pelo contacto com a Central de Chamadas da instituição (onde todas as assistentes administrativas estão preparadas para a melhor orientação do doente). De qualquer modo, estou a trabalhar num formulário facilitador, que poderá ser útil a quem pretenda realizar esse encaminhamento…

Como tem sido o feedback por parte dos seus colegas, mostram curiosidade acerca desta nova unidade?

A unidade foi dada a conhecer nem há um mês, pelo que ainda está numa fase inicial. (E são iniciativas como esta, com a pormenorização de características importantes, que são fundamentais para um processo de divulgação com rapidez e em escala!) Mas o retorno que tenho tido demonstra curiosidade e satisfação pela iniciativa. Alguns contactos pessoais, precisamente até para esclarecimento da (melhor) forma de encaminhar doentes, têm-no demonstrado.

A UDLO do HSM – Porto desenvolve-se pela convicção de que a capacidade na identificação de lesões orais e a celeridade na gestão do cancro da boca (lábios incluídos) podem ser otimizadas.

Com o tempo, acredito que a Unidade de Diagnóstico de Lesões Orais, baseada num projeto sustentado e sustentável, acabará por se afirmar como uma mais-valia no âmbito da Patologia e da Cirurgia Oral, com benefício para todos. Não tenho dúvida que terá sido esse o entendimento que determinou a aceitação do desafio pelo Dr. Rui Peixoto Pinto e pela Dra. Lurdes Serra Campos, respetivamente diretor clínico e diretora geral do Hospital de Santa Maria – Porto.

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