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Clínicas Dentárias

Opinião: Caracterização do setor de medicina dentária

Dilen Ratanji medicina dentária

O volume de negócios global do setor da medicina dentária em 2019 alcançou a cifra histórica de 950 milhões de euros. Nesse período estavam registadas mais de cinco mil empresas de medicina dentária em Portugal (nº de empresas e não unidades médico-dentárias) com o CAE 86230 (atividades de medicina dentária e odontologia), sendo de realçar que a média de novos centros médico-dentários é de aproximadamente 620 por ano, se considerarmos os últimos quatro anos, ou seja, mais de 2 000 novas clínicas dentárias em apenas quatro anos!

Mesmo com 9 385 médicos dentistas a exercer atividade em solo nacional e uma forte concorrência no setor, emerge o facto do negócio da medicina dentária apresentar níveis de crescimento interessantes nos anos mais recentes.

De relevar que estamos a apresentar os dados de 2019, o que significa que ainda não temos o efeito da pandemia do covid-19 nas estatísticas que serão analisadas na presente crónica.

Apresento de seguida algumas médias de indicadores económico-financeiros mais relevantes do mercado das clínicas dentárias em Portugal, que só foram possíveis de ser calculadas nesta altura, uma vez que este ano os IES das empresas foram entregues mais tarde. Seguem algumas das principais conclusões:

  • O ciclo de tesouraria das clínicas dentárias está dentro do expectável: em média, cada clínica dentária tem um prazo médio de pagamentos de 42 dias (vs. 45 dias de 2018), enquanto o prazo médio de recebimentos é de 21 dias (vs. 22 dias em 2018);
  • O EBITDA médio de cada clínica dentária é aproximadamente de 24,9 m€ (um decréscimo face aos 28 m€ em 2018). Este indicador representa quanto uma empresa gera de recursos através das suas atividades operacionais, sem contar com impostos e depreciações. Um indicador relevante quando se realizam avaliações económico-financeiras das empresas;
  • A média dos custos com pessoal sobre o total da faturação é de aproximadamente 27,6% (vs. 26,7% de 2018), estando dentro do intervalo de referência. Este rácio deverá ser analisado com a devida reserva, uma vez que não estão incluídos os recibos verdes que, como se sabe, têm um peso substancial nos gastos com pessoal das clínicas dentárias. Um rácio acima dos 35% poderá ser sinónimo de improdutividade da equipa ou má gestão de outros recursos internos;
  • O capital próprio alcançou em 2019 um valor próximo dos 95,5 m€;
  • O ativo total é de aproximadamente 183,1 m€ (vs. 182,9 m€ em 2018), enquanto o passivo (os valores que a empresa deve a terceiros, como por exemplo os financiamentos bancários) ronda os 87,6 m€ (vs. 85,1 m€ em 2018);
  • O resultado líquido (lucro) médio numa clínica dentária é de 10,2 m€ (vs. 11,9 m€ em 2018);
  • Os fornecimentos e serviços externos (FSE), que incluem as rendas, telecomunicações, energia, deslocações, estadas, entre outras rubricas, têm um valor anual médio de 80,5 m€ (vs. 82,1 m€ em 2018);
  • O saldo médio da caixa e depósitos bancários é de 46,2 m€ por clínica dentária (vs. 39,5 m€ em 2018);
  • A dívida corrente média dos clientes é de 10,8 m€ (vs. 10,4 m€ em 2018);
  • A rentabilidade dos capitais próprios (quociente entre o resultado líquido e o capital próprio) é de 10,7%, abaixo do que seria naturalmente desejável. Por outras palavras, um investidor terá o retorno do seu investimento num período aproximado de 9 anos;
  • A rentabilidade das vendas e prestação de serviços (mais comummente denominada por “rentabilidade do negócio”) é de apenas 5,9%, ou seja, por cada 100 euros de receita numa clínica dentária, o lucro líquido é de apenas 5,9 euros;
  • A solvabilidade (quociente entre o capital próprio e o passivo) é de 108,9%, ou seja, se uma empresa tiver de solver as suas obrigações, consegue-o realizar integralmente com os seus próprios capitais;
  • O rácio de autonomia financeira (quociente entre os capitais próprios e o ativo líquido) é de aproximadamente 52,1%, acima dos (pelo menos) 35% recomendados;
  • O valor médio de faturação anual por colaborador é de 57,7 m€ e o seu resultado líquido médio anual é de apenas 3 429 €…

*Artigo publicado originalmente na edição n.º 136 da revista SAÚDE ORAL, de janeiro-fevereiro de 2021.

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