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Saúde Oral

O “super poder” de cuidar das crianças e educar famílias

O “super poder” de cuidar das crianças e educar famílias

A prevenção e a educação das famílias para os cuidados de saúde oral são alguns dos desafios do médico dentista quando recebe uma criança no seu consultório.

Os médicos dentistas são todos os dias confrontados com múltiplos desafios. Desde os casos clínicos até à personalidade de cada paciente. No entanto, as crianças poderão estimular mais a criatividade do médico dentista para contornar alguns dos receios dos mais novos, mas ao mesmo tempo dos adultos que os rodeiam e ainda exercer com esta faixa etária um maior trabalho de literacia por forma a evitar problemas maiores de saúde oral na idade adulta.

 

As médicas dentistas Inês Guerra Pereira e Teresa Xavier especializaram-se na área da odontopediatria e partilham com os seus pares algumas das técnicas que utilizam para atender e cuidar dos mais novos.

Recorde-se que o barómetro da saúde oral da Ordem dos Médicos Dentistas, de 2021, revelou que 73,4% das crianças com menos de seis anos nunca visitaram o médico dentista. Inês Guerra Pereira considera que “precisamos todos de nos sentir um veículo de divulgação e educação da nossa sociedade para o período de ouro da intervenção do desenvolvimento da criança, que é a primeira infância, em concreto os primeiros 1000 dias do bebé, período de programação da idade adulta”. Está preconizado que a primeira consulta e a higiene oral devem iniciar-se com a erupção do primeiro dente. Teresa Xavier explica que “a primeira consulta de odontopediatria visa estabelecer um plano de prevenção individualizado e adequado ao risco de cárie dentária da criança, tendo por principais objetivos: instruir os pais sobre a técnica de escovagem e pasta dentífrica mais apropriadas, aconselhar em relação ao padrão alimentar mais ajustado, advertir quanto à permanência de hábitos prolongados de uso de chupeta, biberão e informar acerca da primeira abordagem perante um traumatismo orofacial”. Inês Guerra Pereira recorda que hoje os profissionais de saúde têm na Internet, nomeadamente nas redes sociais, uma excelente ferramenta para também comunicarem estas informações e alertar para a importância de uma boa saúde oral desde a primeira infância.

 

Teresa Xavier recorda ainda que “é primordial que os pais e os cuidadores saibam que os bebés estão particularmente suscetíveis à transmissão de Streptococcus mutans nos primeiros três anos de vida e que a prematuridade da colonização bacteriana pode, a par de outros fatores, provocar o desenvolvimento de cárie dentária de modo transversal às dentições decídua e permanente”.

Visitar o médico dentista no período que decorre desde a erupção do primeiro dente até completar um ano de idade traz vantagens. “As principais vantagens da consulta de odontopediatria acontecer nesta faixa etária residem no facto de possibilitarem a avaliação e monitorização do desenvolvimento da dentição decídua e oclusão dentária, a identificação em fase inicial das manifestações clínicas das principais patologias presentes na cavidade oral. O diagnóstico e o tratamento precoces minimizam, até mesmo evitam, uma intervenção futura mais complexa, contribuindo para a saúde oral e o correto desenvolvimento da cavidade oral (e estruturas adjacentes), o que influencia de modo decisivo a saúde geral da criança e sublinha a sua relevância”, comenta Teresa Xavier.

 

Inês Guerra Pereira recorda que “quem recebe crianças na sua consulta tem que sentir este “super poder” de conseguir educar famílias e alterar hábitos no sentido da saúde oral e claro, saúde sistémica, estabelecendo um correto plano de “Dental Home”, definido pela Academia Americana de Odontopediatria”.

As duas especialistas em odontopediatria recordam que a prevenção é a melhor arma para se alcançar uma boa saúde oral.

Cárie, a doença dominante
 

Números recentes apontam para uma prevalência de cárie dentária mundial em bebés com um ano de idade de 17% e à medida que a idade aumenta, também aumenta esta prevalência, sendo que aos cinco anos de idade é mais de metade – 63%. Inês Guerra Pereira sublinha que “os médicos dentista removem o tecido cariado e devolvem a anatomia e função dos dentes, mas não tratam a doença cárie” porque esse trabalho é feito “em casa com os hábitos diários de alimentação e higiene oral”.

Cuidar da boca dos mais novos tem implicações variadas no seu desenvolvimento, incluindo na dicção, dentição definitiva, maxilares, entre outras. Teresa Xavier lembra quais os principais aspetos a ter em consideração numa primeira consulta da criança. “Os dentes decíduos são importantes para o desenvolvimento dos maxilares, da dentição permanente, da mastigação e da dicção, possibilitando um normal crescimento físico, psíquico e social. A sua perda precoce está, habitualmente, associada à falta de espaço para a erupção dos dentes definitivos e à má oclusão dentária. Acresce ainda o facto de as lesões de cárie quando não tratadas serem fonte de desconforto durante a mastigação, de dor com intensidade variável e consequente afetação da qualidade de vida da criança. Ainda que a prevenção seja a melhor das abordagens da cárie dentária, perante a necessidade de tratamento, o diagnóstico deve ser precoce, para que a resposta curativa seja célere, por forma a minimizar o risco de intervenções terapêuticas mais complexas”.

*Leia o artigo da íntegra na edição julho-agosto da Saúde Oral

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