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Tecnologia

O que esperar da medicina dentária daqui a cinco anos?

O que esperar da medicina dentária daqui a cinco anos?
Um exercício de imaginação sobre as consultas do futuro por um consultor e estratega em medicina dentária

A pandemia de covid-19, com todos os seus constrangimentos, obrigou a uma nova realidade. Como em todas as situações de crise, quem melhor sobrevive é quem melhor se adapta, e os médicos dentistas não são exceção. A tecnologia e as videoconsultas já são apontadas por muitos profissionais como parte do futuro, registando inclusive um aumento de procura no setor da medicina dentária em Portugal durante a pandemia.

Num artigo, publicado no jornal Dentistry Online, Anthony Gedge, um estratega de ROI (retorno sobre o investimento) que trabalha como consultor na área da medicina dentária há vários anos, prevê como será o futuro do setor daqui a cinco anos. Vai ainda mais longe: questiona se não se poderá implementar essa realidade agora.

Gedge começa por dividir as consultas virtuais em quatro tipos. Na consulta vídeo pré-gravada, o paciente carrega fotografias através de um site e, posteriormente, os pacientes recebem um vídeo do médico com recomendações de opções de tratamento, tempo e custo.

Na live virtual smile visit (LVSV) ou visita virtual ao vivo, o paciente envia ou carrega fotografias, reúne-se virtualmente com um coordenador de tratamento ou clínico para discutir opções, e depois paga uma avaliação completa, no caso de pretender avançar. Este é a opção oferecida por algumas redes em Portugal, como é o caso da Impress. (linkar para Impress)

Na video consult summary, o paciente tem uma consulta na clínica, cara a cara com um “conselheiro de sorriso”  ou clínico e depois recebe um resumo em vídeo gravado no Google Loom.

Na verificação virtual combinada com visita virtual ao vivo, o paciente carrega quatro selfies para uma plataforma, como a Smilemate. De seguida, marca uma visita virtual e um consultor de sorriso percorre as opções de tratamento e depois o cliente paga a avaliação completa para avançar.

De acordo Gedge, as visitas virtuais ao vivo têm cerca de 50% a 80% de conversões no Reino Unido. Um consultor de sorrisos virtual sob a sua orientação acumulou mais de 100 ‘visitas de sorrisos virtuais’, com uma taxa de conversão de 80%. As vantagens são imediatas, diz o estratega: as visitas virtuais não conhecem fronteiras geográficas e não necessitam de nenhum software complicado de videoconferência. Na sua opinião, os pacientes estão ‘virtualmente’ prontos para a medicina dentária de smartphones.

No artigo, Gedge “prevê” o futuro, relatando hipoteticamente a história de uma potencial paciente e dos seus passos ao longo da triagem e tratamento clínico. Segundo o consultor, no futuro, a potencial paciente selecionará o seu médico dentista através da ‘Siri’, que apresentaria os resultados de pesquisa dos profissionais com cerca de 100 revisões com cinco estrelas e três testemunhos em vídeo de pacientes.

Por cada peça de marketing visualizada no seu smartphone, a possível paciente receberia, como cortesia, a oferta de uma visita virtual. Esta é a chamada para a ação (call to action) que ‘atrairia’ os possíveis pacientes.

Visitas virtuais

O Sistema de Visita Virtual do Sorriso ( Virtual Smile Visit System – VSVS) permitirá a opção de marcar uma ‘visita virtual’, para “ ‘arranjar’ o sorriso a partir do conforto da sua própria casa”.

A paciente prosseguiria com um pequeno depósito reembolsável (por forma a reduzir os cancelamentos). Posteriormente, seria “ligada” a um consultor virtual de sorriso (virtual smile adviser – VSA).

O consultor de sorriso receberia um texto para abrir o seu sistema. Teria ainda um green screen num quarto e uma câmara de alta definição ligada ao portátil.

A potencial cliente aguardaria assim na sala de espera virtual, enquanto assistiria a testemunhos em vídeo de outros pacientes. Posteriormente, ser-lhe-ia indicado o seu consultor, bem como dada informação sobre o que esperar durante a sua visita virtual, que teria uma duração de aproximadamente 45 minutos.

O consultor recorreria a um software de vídeo ao vivo fácil de usar, que seria semelhante a uma emissão em direto a partir de um estúdio televisivo.

Os próximos passos digitais

A paciente pousaria para quatro fotografias e, de seguida, teria de aceitar digitalmente um formulário de consentimento, no ecrã, que é gravado e georreferenciado.

As fotografias seriam carregadas num software de avaliação de sorrisos AI (como o Smilemate).

À paciente, seria apresentado um relatório do seu alinhamento dos dentes e gengivite, em conjunto com algumas opções de tratamento, com o aviso de que se

tratariam apenas opções e não de um diagnóstico médico.

Caso a cliente pretendesse continuar, realizaria um pagamento a partir do ecrã, para a avaliação completa do seu caso.

Se se verificar um médico dentista disponível – o software apresentaria uma listagem dos profissionais disponíveis no momento –, este pode então juntar-se à visita virtual para prosseguir com a avaliação, caso a paciente tenha disponibilidade.

Na receção virtual, o seu historial médico seria reencaminhado e seria realizado o agendamento para a próxima consulta disponível.

A consulta física

Uma semana depois, por exemplo, a paciente realizaria a visita à clínica analógica, mais pequena do que o normal e cinco vezes mais rentável, eficiente, e conveniente para os pacientes.

O espaço das clínicas seria reaproveitado, transformando tudo em salas úteis, como raio-X ou descontaminação, deixando de haver necessidade de receção. Os rececionistas virtuais, coordenadores de tratamento e gestores da clínica continuariam a trabalhar, mas a partir de casa. Não haveria receção, telefones, pagamento, historial médico em papel ou canetas.

Um link do Google maps reencaminharia o cliente para um espaço reservado de estacionamento automóvel, com um carregador de bateria de automóvel. Depois de ser identificado através de um scan ao rosto, a paciente receberia as indicações para prosseguir.

Ao chegar, seria completada a restante avaliação clínica, através de um scanner digital.

Começar o tratamento

Posteriormente, a paciente realizaria o respetivo tratamento, enquanto assistiria a um vídeo de boas-vindas na appque visa as suas expetativas.

A paciente posteriormente realizaria scans semanais ao seu sorriso através de plataformas (o autor sugere a Dental Monitoring), para assegurar que o sorriso se mantém alinhado.

Para Gedge, o objetivo é fornecer cuidados reais à distância e, na sua perspetiva, os médicos dentistas que implementem com sucesso esta realidade vão sair a ganhar. Segundo o estratega, ninguém sabe se a pandemia de covid-19 poderá obrigar a novos confinamentos ou encerramentos, e o “virtual” poderá ser a resposta para muitos negócios.