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Investigação

O papel da resistência dos dentes para perceber a evolução biológica

Os dentes têm de fornecer apoio estrutural ao movimento repetitivo da boca que envolve mastigar e que dura uma vida inteira de consumo alimentar. No entanto, o esmalte dentário está cheio de defeitos estruturais, explica o cientista de materiais no Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, Brain Lawn.

O investigador, num artigo publicado pelo NIST e replicado pela Gaceta Dental, explica que o esmalte dos dentes contém defeitos intrínsecos que se originam durante as fases iniciais do desenvolvimento e são o local onde as fissuras que proliferam com a idade começam.  Mesmo assim, salienta que estes possuem uma resiliência notável.

 

Para tal, contribuem fatores como a topografia arredondada do ápice do dente, especialmente nos molares. “A maior parte da força de mordida do dente é transmitida como stresse de compressão ao longo das paredes da camada de esmalte, tal como a cúpula de uma catedral transmite o seu peso para a base estrutural. Este stresse compressivo suprime o crescimento das fissuras”, explica Brain Lawn.

Outra razão é a estrutura hierárquica do esmalte, formada por varas mineralizadas ou prismas unidos por bainhas proteicas. Estas hastes entrelaçam-se num padrão semelhante que impede que fendas intrusivas penetrem no interior vulnerável.

 

Para compreender a origem das fissuras, o investigador, em conjunto com colegas, realizou testes nos dentes molares de pacientes humanos e algumas lontras marinhas. Também realizaram testes fictícios compostos por capas de vidro cheias de resina, simulando esmalte na dentina.

“Estes últimos testes forneceram um método simplista mas valioso para elucidar como os danos dentários podem desenvolver-se durante a mastigação e para estabelecer a mecânica essencial que regem a integridade dentária”, escreveu Brain Lawn.

 

O que descobriram foi que as fissuras podem atravessar as paredes laterais, mas permanecem muito estáveis, o que significa que se espalham gradualmente a cada pequeno aumento da força da mordida.

Em conclusão, o autor do artigo indica que a investigação realizada é importante porque descobrir os segredos da natureza, além de dar pistas sobre a nossa evolução, também permite desenvolver novas estruturas com base na simulação de materiais biológicos naturais.

 
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