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Tecnologia

O impacto das novas tecnologias no setor dentário

As proliferações rápidas de novas tecnologias têm vindo também a atingir o setor dentário. Num artigo de opinião para o Dental Tribune International, a ex-presidente da International Association for Dental Research e da American Association for Dental Research, Elizabeth Dianne Rekow, considerou que as disrupções tecnológicas têm melhorado a prática dentária e que estas estão agora a ser catalisadas por tecnologias como smart sensors, telemedicina dentária e inteligência artificial.

No caso específico dos sensores inteligentes, a profissional dá como exemplo as escovas de dentes inteligentes que podem medir os níveis de cárie, avaliar a eficiência da escovagem e fornecer feedback ao utilizador. Outro exemplo neste âmbito é a possibilidade de monitorização do nível de exercício, do nível de oxigénio no sangue e outras funções nos relógios inteligentes.

Pegando no caso da telemedicina dentária, que foi tornada mais comum com a pandemia, as utilizações de sensores inteligentes permitiram monitorizar as situações dos pacientes de forma remota.

“A digitalização da informação do paciente, incluindo registos eletrónicos de pacientes e imagens digitais, criou novas oportunidades para conversas com pacientes sobre opções de tratamento. Mais importante ainda, facilitou as consultas interdisciplinares dos profissionais de saúde. A proliferação de dados digitais através de práticas, disciplinas e culturas cria um recurso rico para aplicações de IA que podem e estão a melhorar a medicina dentária” explica ainda Elizabeth Dianne Rekow.

Abordando apenas a questão da inteligência artificial, a profissional considera que “é provável que, através da IA, sejam descobertas novas condições e ligações oral-sistémicas”, uma vez que a IA conseguiria analisar grandes quantidades de dados e correlacioná-las mais facilmente.

“Do ponto de vista de um médico dentista, a IA pode ser útil numa série de aplicações, incluindo a interpretação de radiografias, a deteção de cárie, a deteção e avaliação precoce da provável progressão de vários estados da doença, a delimitação da influência das condições sistémicas na saúde dentária e a avaliação do sucesso de várias intervenções para cada indivíduo específico”, explica ainda.

O futuro

“Sem dúvida, as coisas vão mudar com a introdução de sensores inteligentes, telemedicina dentária e IA. As perturbações na medicina dentária estão longe de ser novas. Imagine como seria a odontologia se ainda usássemos brocas de velocidade lenta e cocaína como anestésico, não tivéssemos sistemas radiográficos ou outros sistemas modernos, funcionássemos sem luvas, se o papel fosse usado em vez de registos eletrónicos de pacientes e nunca tivessem descoberto implantes ou adesivos dentários”, alerta.

“Agora, à medida que entramos numa nova era de perturbações, catalisadas por mais um conjunto de tecnologias, podemos esperar uma melhor capacidade de prever, antecipar e personalizar a odontologia, aumentar a eficiência e produtividade das práticas, enriquecer a tomada de decisões e adições à nossa base de conhecimento coletivo”, concluiu.

 

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