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Saúde Oral

O estado (estatístico) da medicina dentária portuguesa

Conheça algumas dicas imperdíveis que vão ajudar a sua clínica a tornar-se numa autoridade no mundo digital!

Há sempre uma expressão que adoro (e até já a utilizei em artigos passados) sobre estatística, ela é a forma matemática de enganar pessoas ou distorcer opiniões! E no que toca a sondagens há o perigo palpável de obter resultados enviesados (seja por limitações da amostra seja porque num questionário mentimos! Mesmo sem malícia, ora pergunte num questionário a um fumador se é um hábito saudável…) Por isso, agora que saíram os dados do Barómetro Saúde Oral, eu não conseguiria ficar bem comigo próprio se não os comentasse, porque, no mínimo, há resultados interessantes e até contraditórios.

Comecemos pelo indicador das preocupações, o que assola mais o espírito dos colegas? Ora, em primeiro e segundo lugar neste ponto o que mais “nos” preocupa é a eficiência e desempenho das nossas funções e o stress/burnout (deixando a relação com o paciente e com a equipa para o fim da lista). Ainda neste estudo 66,7% dos colegas refere sentir-se sob pressão no trabalho. Seria plausível então aumentar a força de trabalho com mais colegas formados, não? Não, porque na questão sobre o qual o assunto mais urgente a requerer atenção da classe, a principal resposta foi a redução do número de vagas nas faculdades. Então em que ficamos? Na verdade, temos um rácio de MD por cada 1000 habitantes muito inferior (1:884) ao recomendado pela OMS (1:2000), contudo do universo de alunos formados nas nossas Universidades cerca de 39% são estrangeiros que voltarão ao seu país de origem após ter o diploma. E este rácio será assim tão pequeno?

 

Não! Reparou que nas preocupações os colegas que responderam ao inquérito da SAÚDE ORAL deixaram a preocupação com a experiência do paciente para o fim? Pois é! Como classe somos comunicadores horríveis, iletrados em contexto de marketing e negócios, e quem diz que somos de saúde e isto não é um negócio que vive da fé, e há bem menos padres do que dentistas por cada 1000! Vejamos aqui o indicador de um outro estudo estatístico, o Barómetro da Saúde Oral da OMD, aqui mostra-se que cerca de 41% dos portugueses não vai ao dentista há mais de um ano e não é por dinheiro (22%) é porque referem que não necessitam (70%)! Eu também achava que não precisava de um relógio inteligente até a Apple me fazer ver que precisava sim! Vamos a números…Há 1 dentista para 884 portugueses, desses cerca de 530 irão mais que uma vez por ano ao consultório ficando outros 354 “livres” (a maior parte deles não pelo dinheiro). Teremos ou não mercado para evoluir e educar quanto às necessidades de saúde oral?

*Leia o comentário ao Barómetro Saúde Oral realizado pelo médico dentista com prática exclusiva em Implantologia e Cirurgia Oral, Vítor Brás, na edição de setembro/outubro da Revista Saúde Oral.

 
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