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Saúde Oral

Noruega: tratamento periodontal ajudou a diminuir perdas dentárias

A frequência do tratamento periodontal tem tido impacto na perda dentária da população norueguesa. Como a doença periodontal é uma questão de saúde global com uma incidência elevada na população, nas últimas quatro décadas, o governo norueguês introduziu algumas medidas, entre as quais apoio financeiro, por forma a dar resposta a este problema.

O estudo Provision of treatment for periodontitis in Norway in 2013—a national profile, referido num artigo da publicação Dental Tribune International, teve como objetivo avaliar o sucesso destas medidas na redução do nível de periodontite na Noruega. Para tal, o estudo avaliou a prevalência do tratamento nacional da doença periodontal no país.

Os investigadores consultaram a base de dados da Administração Norueguesa de Economia da Saúde para 2013 a fim de analisar o atual nível de tratamento periodontal e perfis de tratamento para o país, além de verificar se os resultados são apoiados por dados clínicos a longo prazo.

Em 2013, no país, foram tratados 166 707 pacientes devido à periodontite. Além disso, segundo os resultados, 4,4% do total da população norueguesa com 20 anos ou mais anos receberam tratamento periodontal num ano. Contudo, a maior prevalência, 8,2%, foi na faixa etária entre 60 e 70 anos de idade, enquanto a menor foi registada nas pessoas com 20-29 anos de idade, a 0,5%.

Quanto à distribuição dos tratamentos para a periodontite, os dentistas privados efetuaram 43,8% do total e os periodontistas efetuaram 33,7%, enquanto os higienistas dentários apenas realizaram 22,5% dos tratamentos.

Além disso, os periodontistas efetuaram 32,8% do total do tratamento não cirúrgico e 74,6% do tratamento cirúrgico, o que significa que 68% do seu tempo de trabalho foi dedicado ao tratamento da doença periodontal. Por sua vez, os higienistas apenas gastaram 8% do seu tempo de trabalho no tratamento da doença e os dentistas gerais 2%.

“Vários estudos demonstraram uma diminuição dos parâmetros, tais como perda de dentes, perda óssea e profundidade da bolsa, utilizados para medir a doença periodontal na Noruega durante as últimas quatro a cinco décadas. Um nível mais baixo de doença periodontal na população necessitará assim de menos tratamento”, referiu Øystein Fardal, da secção de Medicina Dentária Comunitária do Instituto de Medicina Dentária Clínica da Universidade de Oslo, Noruega, e coautor do estudo.

Não é possível, contudo, concluir uma baixa prevalência, uma vez que não existem estudos comparáveis referentes a outros países.

De acordo com Fardal, durante quase 50 anos, o serviço de saúde norueguês tem apoiado com contribuições a terapia periodontal para todos os cidadãos. Para o coautor do estudo, estes apoios deverão ter ajudado nos resultados.

“As principais razões para o nível inferior da doença periodontal são o financiamento público adequado e a ampla oferta e distribuição de profissionais de saúde dentária, incluindo periodontistas. Isto torna o tratamento periodontal acessível e disponível a quase todos os cidadãos”, explica.

“As provas da elevada motivação para os cuidados dentários na Noruega baseiam-se principalmente em estudos que demonstram que existe uma frequência dentária anual de 80% para crianças de 20 anos ou mais. Um adicional de 10% visita os dentistas de dois em dois anos”, acrescentou Fardal.

Segundo um inquérito aos serviços dentários de adultos em 11 outros países europeus, apenas 55% dos inquiridos tinham frequentado o dentista durante o ano anterior. Fardal referiu ainda que um estudo norueguês, sobre estética, mostrou que os dentes eram as características faciais mais importantes em comparação com os olhos, nariz, lábios, pele, cabelo, linha do cabelo, sobrancelhas, queixo e orelhas.

“A principal mensagem aos profissionais dentários e às autoridades sanitárias é que o tratamento periodontal sistemático funciona tanto a nível da prática clínica como a nível nacional”, conclui.

Para o autor, a baixa perda dentária a longo prazo reflete-se nos grandes dados do sistema de saúde dentário norueguês e acredita que a contribuição financeira do governo dá aos pacientes motivação adicional para se submeterem ao tratamento.

A Plataforma para uma Melhor Saúde Oral na Europa relatou que mais de metade da população europeia sofre de alguma forma de periodontite e que mais de 10% têm doenças graves. Também de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a cárie dentária e a doença periodontal grave contribuem grandemente para a perda de dentes naturais, e aproximadamente 30% dos europeus com idades compreendidas entre os 65-74 anos sofrem deste problema. Além disso, ausência de dentes naturais pode ter um efeito significativo sobre a função e a qualidade de vida.

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