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Médicos dentistas temem constrangimentos económicos devido à pandemia Covid-19

A Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) alertou que os profissionais do setor serão “particularmente lesados” pelo despacho do governo que obrigou ao encerramento das clínicas e consultórios e que teme os “constrangimentos sociais e económicos” que os médicos dentistas vão enfrentar com a pandemia de Covid-19.

O Governo determinou, a partir de dia 16 de março, a suspensão de toda e qualquer atividade de medicina dentária, de estomatologia e de odontologia, com exceção das situações “urgentes e inadiáveis”, por um período de duas semanas.

O bastonário da OMD apelou, em declarações ao Jornal Económico, a que sejam determinadas “compensações justas para uma profissão inteira impedida de exercer a sua atividade”, prevendo que “muitos médicos dentistas, pura e simplesmente, não vão conseguir aguentar semanas, talvez meses, sem poderem trabalhar”.

Para Nuno Meneses Gonçalves, médico dentista e fundador da Associação Independente dos Médicos Dentistas, a medida excecional era “necessária”, mas poderá ser “superior a 15 dias”.

“Obviamente que estamos de acordo com esta medida excecional e louvamos todos os colegas que preventivamente a assumiram, mas terá um impacto enorme na vertente financeira dos médicos dentistas que sejam profissionais liberais, proprietários ou não de consultórios médicos, e naturalmente, de quem for funcionário destes consultórios. Estamos a falar de suspender totalmente a atividade, excetuando as situações de urgência. Numa previsão de duas semanas de interrupção, não seria gravíssimo, mas essa previsão é absolutamente irrealista”, refere o médico dentista à SAÚDE ORAL.

Sobre o possível prolongamento do período de suspensão, Nuno Meneses Gonçalves explica que, “de acordo com os dados fornecidos pela Direção-Geral da Saúde, tudo indica que o pico desta pandemia em Portugal terá lugar no final do mês de março ou início do mês de abril”. E questiona: “Ora, o que mudará no dia 29 de março? Teremos maior número de infetados no País e medidas mais musculadas para fazer face à pandemia. É no dia 29 de março que fará sentido levantar a suspensão temporária de funcionamento das clínicas?

Por sua vez, o bastonário da OMD destacou que a medicina dentária “é até agora a única atividade a suspender atividade por despacho do governo”. Neste sentido, apelou a que o Governo “compreenda também as necessidades dos médicos dentistas que ficam, na prática, sem possibilidade legal de trabalhar”. Para Orlando Monteiro da Silva é, por isso, “essencial assegurar compensações justas para uma profissão inteira impedida de exercer a sua atividade”.

O fundador da AIMD defende também os apoios, explicando que “para medidas excecionais, [serão necessários] apoios excecionais” e que, apesar do estado económico do País não ser favorável, deveriam ser “mais arrojados a pedir ajuda”.

“No caso dos trabalhadores independentes a recibos verdes, é particularmente gravoso o panorama, pois apenas terão direito a um subsídio da Segurança Social correspondente a um terço do valor médio de faturação dos últimos meses”, justifica.

A OMD assegura que está a realizar todos os esforços para garantir que o governo toma as medidas necessárias para prevenir os “constrangimentos sociais e económicos” que os médicos dentistas vão enfrentar.

O presidente da Associação Independente dos Médicos Dentistas considera que “as próximas ações da OMD serão preponderantes para a sua definição”, explicando que “o bastonário teve a oportunidade de ser entrevistado na SIC Notícias dois dias após a promulgação da medida; deveria ter sido mais assertivo, poderia expor as verdadeiras preocupações dos colegas, tranquilizar os doentes e apresentar soluções. Todos nós aguardamos notícias de uma realidade em que sintamos que o Governo não se esqueceu de nós: precisamos de uma tranquilidade que ninguém está a transmitir”.

Questionado sobre os procedimentos de suspensão de consultas, explicou que “não existe um controlo regional ou nacional sobre as clínicas que funcionam em regime de urgência, essa decisão remete para a gestão e direção clínica”.

“Deveria haver uma rede nacional de urgências dentárias? Deveria. Poder-se-ia estabelecer uma parceria entre o SNS e as clínicas privadas para referenciação e atendimento dos casos urgentes? Poderia. Poderiam os centros de saúde assumir um papel de coordenação desta rede? Poderiam”.

O médico dentista relembrou ainda que, em muitos casos, “previamente à implementação desta medida, houve colegas a encerrarem as suas clínicas numa quarentena preventiva”.