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Clínicas Dentárias

LP Clinic: Medicina dentária personalizada

Com objetivos muito claros no que respeita à proximidade com os clientes e aos tratamentos mais cuidados e direcionados, a LP Clinic, em Cascais, pauta-se por uma atividade não massificada. O negócio tem crescido através da fidelização pela qualidade e não pela quantidade. Sem protocolos com seguradoras e com tempo para planear, a clínica prepara a abertura de mais gabinetes até ao final de 2022 para proporcionar uma maior resposta à procura crescente.

Pedro Pimenta e Catarina Leonardo foram colegas de curso, na Faculdade de Medicina Dentária da Universidade de Lisboa (FMDUL) e tinham o sonho de criar uma clínica própria. Foi no último ano da faculdade que começaram a idealizar um projeto que “ainda estava muito distante no horizonte”, explica Pedro Pimenta, CEO da LP Clinic e diretor clínico. Quando entraram no mercado de trabalho, depararam-se com uma realidade do setor que não lhes “enchia as medidas”. Começaram então ativamente à procura de locais onde pudessem colocar em prática aquilo que tinham idealizado. Havia uma certeza: seria em Cascais, local onde Pedro cresceu.

 

Ao iniciarem a atividade profissional perceberam então que o sonho seria muito além disso pois fazia cada vez mais sentido ter um negócio próprio que respeitasse a visão global da medicina dentária mais focada naquilo que acreditam, nomeadamente, a qualidade dos tratamentos e a proximidade com os pacientes. “A nossa ideia era criar uma clínica centrada em tratamentos complexos ligados à implantologia, reabilitação oral e ortodontia em que o paciente fosse acompanhado desde a primeira consulta, por uma equipa multidisciplinar em diferentes áreas da medicina dentária”, explica o diretor clínico que se dedica exclusivamente à cirurgia, à reabilitação oral e à implantologia. “Quisemos claramente afastar-nos do conceito de ‘clínica grande’ ou estar associados a seguradoras e garantir que o paciente é acompanhado ao longo do seu tratamento por um grupo de médicos estável e liderado por nós”, acrescenta.

 

 

O facto de não estarem associados a seguradoras logo desde o arranque da atividade tornou-se um caminho difícil, revela a também CEO e Catarina Leonardo, médica dentista que se dedica à área de periodontologia e dentisteria estética. “Muitos pacientes escolhem as clínicas baseadas nos acordos que as mesmas oferecem.” Mas, a decisão estava tomada e ambos se mantiveram firmes aos ideais que defendiam e ao modelo de negócio que queriam criar. “Após os primeiros dois anos, houve um crescimento exponencial da nossa atividade, muito devido à referenciação entre pacientes, continuando a ser esta, a melhor forma de marketing”, destaca.

 

Na opinião de ambos, os clientes preferem ter um atendimento mais personalizado e também têm uma maior consciencialização quando procuram tratamentos de qualidade. “E isso passa pelo tempo e detalhe que se oferece, tempo esse ocupado a planear cada tratamento individualmente e a criar estratégias para implementar os tratamentos.” Ao defenderem um tipo de abordagem que consideram diferente da ‘medicina em massa’, conseguem conhecer melhor os pacientes e perceber quais são os seus reais objetivos no que se refere aos tratamentos que procuram, bem como as suas dúvidas, medos e incertezas.

Em tratamentos mais complexos e que dependem de um número elevado de consultas e de responsabilidade, um bom planeamento é essencial. E, para isso, é preciso tempo. Costumo citar ‘não planear é planear falhar’. Essa é uma das razões pelas quais nos mantivemos sempre fiéis ao nosso modelo de negócio, pois nunca quisemos ter quantidade, mas sim qualidade e quem nos procura sabe que iremos dedicar o nosso tempo ao seu caso, o que se reverte na fidelização dos pacientes”, explica Catarina Leonardo. Para a LP Clinic, “os pacientes não são números numa folha ao final do mês, mas sim entidades que chegaram até nós em busca de soluções e de melhoria na sua saúde e vida”, explica Pedro Pimenta.

 

“Os pacientes não são números numa folha ao final do mês, mas sim entidades que chegaram até nós em busca de soluções e de melhoria na sua saúde e vida”, defende o diretor clínico Pedro Pimenta

Além dos dois médicos dentistas e CEO’s, integram a equipa, mais seis médicos dentistas. Com a preocupação de aumentar gradualmente o total de profisisonais e de apostar na diferenciação da medicina dentária por áreas, a LP Clinic tem vindo a fazer o esforço de alocar cada médico dentista a determinadas áreas. Além das já referidas áreas a que se dedicam Pedro e Catarina, a clínica dá ainda resposta à ortodontia, endodontia, odontopediatria e, mais recentemente, a harmonização facial.

A clínica, com dois gabinetes médico dentários associados a uma boa esterilização, integra ainda uma zona de receção e de ortopantomografia com 80 m2 de área total. “Ao desenharmos a clínica, a nossa ideia era afastarmo-nos da típica decoração de gabinete médico criando áreas amplas com luz natural e cores que transmitem uma sensação de maior conforto e menor ansiedade para os pacientes”, explica Catarina Leonardo. Em cada gabinete, existe uma área onde os pacientes e os médicos podem sentar-se calmamente e explicar os tratamentos de forma mais cómoda. “Estas áreas permitem uma comunicação dos tratamentos de forma clara e personalizada previamente à sua realização e é uma ótima forma de conhecer os pacientes”, salienta a médica.

A inovação ao serviço da prática clínica

A LP Clinic está a apostar cada vez mais em técnicas totalmente digitais. “Com a utilização do scanner intraoral os nossos tratamentos reabilitadores e de ortodontia estão neste momento a ser realizados 100% em fluxo digital, o que tem trazido maior rapidez e fiabilidade, bem como um maior conforto para o paciente”, explica Pedro Pimenta. A mesma prática está a ser implementada na área de implantologia e cirurgia totalmente guiada como forma de criar maior previsibilidade dos procedimentos. “A cirurgia guiada tem ainda a grande vantagem de permitir mostrar ao paciente o seu tratamento e de que forma foi planeado, integrando-o como um elemento ativo.” Para os pacientes mais ansiosos, a clínica dispõe de sedação consciente, um “grande aliado nos tratamentos pediátricos bem como na cirurgia oral”, defende o diretor clínico.

A clínica está preparada para dar resposta a todas as faixas etárias e tem apostado bastante na idade pediátrica. “A área da odontopediatria apresenta desafios próprios e o nosso objetivo foi sempre o de garantir que a ida ao dentista, por parte dos mais pequenos, é um processo natural e sem medos nem ansiedade. Sabemos que a primeira consulta deve acontecer o mais cedo possível de forma a tornar este processo natural que se manterá o resto da vida criando hábitos de saúde oral futuramente”, destaca Catarina Leonardo. O espaço para as consultas de odontopediatria é adaptado às crianças, o que facilita “a aceitação dos tratamentos”. A ideia passa por inovar e apostar nesta vertente, de forma a acolher melhor os mais novos.

Ambos os médicos dentistas pretendem apostar na inovação e no tratamento mais adequado aos pacientes, mas nunca tiveram como objetivo, tornar a LP Clinic num grande grupo de clínicas pois não querem abdicar do conceito de proximidade. “O futuro irá implicar uma expansão da clínica tendo em conta que o espaço atual é pequeno para a procura e para as nossas agendas”, revela Pedro Pimenta. Mas não está no horizonte futuro, a descentralização e abertura de mais clínicas. Neste momento, a LP Clinic está a ser expandida localmente criando maiores infraestruturas para aumentar a capacidade de resposta das várias especialidades, processo que deverá estar concluído no final do próximo ano. Em simultâneo, a aposta das novas tecnologias é recorrente.

As áreas mais procuradas pelos pacientes atualmente são a periodontologia, a reabilitação oral (sobretudo, reabilitações totais) e a ortodontia. “Algumas vezes, os pacientes chegam até nós à procura de uma segunda opinião ou de alternativas para o seu caso”, partilha o diretor clínico. Apesar de receberem casos referenciados com frequência, Pedro Pimenta considera que existe pouca solidariedade na medicina dentária em Portugal no que respeita à referenciação de casos. “Devemos ter mais em consideração o melhor para o paciente, porque o mesmo voltará e agradecerá depois de o referenciarmos para outro colega. Isso acontece comigo diariamente, quando encaminho pacientes para colegas que trabalham com técnicas ou em áreas que não são as minhas. Não temos de ser bons em tudo, temos de ser bons no que escolhemos fazer.”

Maior proximidade também pelas redes sociais

A aposta nas redes sociais é incontornável numa era em que existe uma verdadeira revolução digital até na forma como os médicos podem chegar a casa dos pacientes e dar a conhecer o seu trabalho. “De uma forma rápida e relativamente pouco dispendiosa, chegamos a milhares de pessoas diariamente que podem ver os nossos tratamentos e a forma como trabalhamos”, refere Pedro Pimenta. Do ponto de vista do paciente, as vantagens são claras já que “têm a oportunidade de analisar e avaliar de que forma a clínica trabalha bem como o tipo de serviços que presta e, até, aprender cada passo de um tratamento e as várias fases que o compõem” explica Pedro Pimenta.

Do ponto de vista de marketing, o futuro paciente tem a oportunidade de conhecer a clínica, o corpo clínico e as instalações ainda antes de marcar a sua primeira consulta, “o que resulta numa conversão muito maior de novos pacientes. O paciente está muito mais bem informado sobre a escolha que está a fazer e cria imediatamente uma relação de confiança com o médico, como se já o conhecesse”, defende o diretor clínico. Catarina Leonardo acrescenta que as redes sociais e os blogues são verdadeiros aliados da consciencialização para os cuidados a ter ao nível da saúde oral porque permitem partilhar “informações sobre tratamentos, factos importantes e notícias” além de terem “um papel pedagógico na divulgação de melhores hábitos de saúde oral para a população em geral”. Hoje em dia, “o médico dentista é muito mais do que o prestador de serviços de saúde oral. É alguém com o qual os pacientes têm de sentir empatia e confiança” sublinha o diretor clínico.

Estas ferramentas digitais são ainda indicadas para afastar alguns mitos associados à medicina dentária e que, na opinião de Catarina Leonardo, fazem parte do nosso “folclore cultural”. Assim, caberá aos médicos dentistas serem “membros ativos na divulgação de informações corretas para a população garantindo que os pacientes estão devidamente informados e permitindo uma melhoria generalizada da saúde oral em Portugal”. Haverá ainda um longo caminho a percorrer e muito trabalho a fazer na área de sensibilização dos pacientes. As melhorias que se têm verificado “não são suficientes”, adverte Catarina Leonardo. “Por exemplo, sendo a minha prática clínica direcionada para a periodontologia, ainda me surpreende diariamente como é que alguns pacientes não têm conhecimento que têm esta doença, não sabem o que é nem porque sofrem dela e, muito menos, que existe tratamento que pode evitar a perda de dentes e que passa, não só pelo trabalho clínico, mas também pela correta instrução e acompanhamento do próprio paciente.”  A associação de perda de dentes por velhice é um mito com o qual lida diariamente. “Enquanto for verdade para os pacientes que a única zona onde é normal ter hemorragia é nas gengivas ainda existirá muito trabalho a fazer na consciencialização para a saúde oral”, acrescenta.

Na opinião de Catarina Leonardo, “enquanto for verdade para os pacientes que a única zona onde é normal ter hemorragia é nas gengivas ainda existirá muito trabalho a fazer na consciencialização para a saúde oral”.

Desafios atuais e perspetivas futuras

O excesso de médicos dentistas é o maior desafio que a medicina dentária enfrenta atualmente, na opinião de Catarina Leonardo. “Segundo a lei da oferta e da procura, este excesso resulta na aceitação, por parte dos colegas, de condições pouco dignas para o exercício da sua profissão sempre na esperança de um futuro melhor”, afirma. Esta problemática cria ainda “o espaço para a entrada no mercado de grupos de seguros e planos de saúde em medicina dentária, que devido à elevada oferta de tratamentos e clínicas criam uma sensação de fácil angariação de mais pacientes. No entanto, tendo em conta os valores praticados nestes regimes, é praticamente impossível garantir tratamentos de qualidade quando executados nestas condições”, sublinha. Os CEO da LP Clinic defendem que para realizar tratamentos de qualidade, é preciso tempo de consulta, materiais e tecnologias adequadas, bem como, médicos diferenciados em cada área.

“É importante que o médico dentista perceba que a medicina dentária em Portugal é neste momento um serviço global onde somos amplamente reconhecidos como dos melhores do mundo” – Pedro Pimenta, CEO e diretor clínico

Como seria o futuro ideal da saúde oral no nosso País? Catarina Leonardo não tem dúvidas que o setor “deveria ser acessível a todos, mas esse é um papel que deve ser assumido pelo Estado e não pelos médicos dentistas privados”. A médica dentista gostaria de ver a implementação da medicina dentária no Sistema Nacional de Saúde nos mesmos moldes que outras áreas da medicina. “Tratamentos, muitas vezes considerados ‘estéticos’, são na verdade fundamentais para devolver saúde, função e qualidade de vida aos pacientes, estando estes, muitas vezes, associados a outras patologias gerais. Sem esta sinergia entre a medicina geral e a medicina dentária não existirá uma saúde total.”, afiança Catarina Leonardo.

Para Pedro Pimenta, o futuro da medicina dentária no nosso País passará pelo “conceito de clínicas altamente especializadas”, ou seja, “sistemas de equipas multidisciplinares capazes de planear e executar tratamentos globais em diferentes áreas e de uma forma conjunta”.

O motor de avanço para uma medicina dentária cada vez mais credível e de qualidade assenta precisamente neste brainstorming entre as várias áreas que já não é propriamente novo, mas que fará cada vez mais sentido no futuro. “Portugal tem, na minha opinião, dos melhores tratamentos em medicina-dentária no mundo, muito graças à nossa excelente formação universitária e porque somos capazes de inovar e desenvolver novos protocolos diariamente e que nos diferenciam mundialmente”, explica o diretor clínico salientando que um dos melhores exemplos desta realidade é a procura por parte de pacientes estrangeiros para a realização de tratamentos complexos e avançados. “É importante que o médico dentista perceba que a medicina dentária em Portugal é neste momento um serviço global onde somos amplamente reconhecidos como dos melhores do mundo”, destaca. No entanto, as pressões externas e de caráter economicista podem afastar a classe da responsabilidade e do papel que os médicos dentistas têm na sociedade. “O atual estado da medicina dentária em Portugal leva a que seja tentador criar atalhos e protocolos incorretos de forma a existir uma maior ‘rotação’ da cadeira e permitir uma ‘medicina em massa’ com o falso pretexto de maior sucesso. Infelizmente, esta é a ideia errada pela qual não nos devemos reger e atualmente os pacientes estão muito mais bem informados e cientes da realidade do setor”, alerta Pedro Pimenta.

“Cabe-nos a nós lutar pela dignidade do nosso trabalho não estando reféns de grupos económicos que olham para a medicina dentária apenas como um negócio financeiro e não como saúde” – Catarina Leonardo, CEO

Por outro lado, a questão das seguradoras é um entrave a tratamentos de melhor qualidade ainda que permitam dar um maior acesso às consultas de medicina dentária, na opinião de Catarina Leonardo. No entanto, se tal acontece, é “à custa dos médicos dentistas e das clínicas privadas que, reduzem custos de outra forma.  Cabe-nos a nós lutar pela dignidade do nosso trabalho não estando reféns de grupos económicos que olham para a medicina dentária apenas como um negócio financeiro e não como saúde”, conclui.

*Artigo publicado originalmente na edição n.º 140 da revista SAÚDE ORAL, de setembro-outubro de 2021.

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