Investigação

Investigadores de Wuhan recorrem a secreções orofaríngeas para melhorar a deteção de coronavírus

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Um novo estudo propôs-se melhorar a deteção do ácido ribonucleico (RNA) do SARS-CoV-2, através da utilização de secreções orofaríngeas. O sistema viria substituir a utilização de zaragatoas que precede os esfregaços nasofaríngeos em testes de amplificação de ácido nucleico. Segundo a notícia do Dental Tribune International, os investigadores conseguiram, assim, reduzir o número de resultados falsos-negativos em testes de doentes que aparentemente tinham recuperado da doença.

De acordo com os cientistas, a recolha de amostragem de secreções orofaríngeas é um procedimento relativamente simples, que pode ser realizado em vários cenários. Além de minimizar o contacto entre profissionais de saúde e pacientes, também reduz o risco de transmissão do vírus.

O estudo Oropharyngeal secretion as alternative for SARS-CoV-2 detection, publicado no Journal of Dental Research, foi conduzido por Jingzhi Ma, professor associado e chefe do Departamento de Estomatologia no Hospital Tongji da Faculdade de Medicina de Tongji, da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, em Wuhan.

A investigação incluiu 75 infetados com SARS-CoV-2 (que supostamente tinham recuperado, tendo apresentado dois testes negativos), utilizando duas amostras consecutivas de vírus de esfregaços nasofaríngeos. Contudo, após terem repetido os testes utilizando secreções orofaríngeas, os investigadores indicaram que alguns pacientes tinham apresentado resultados positivos.

Uma vez que os investigadores tinham detetado potenciais falsos negativos na primeira amostra de pacientes, recolheram 50 amostras adicionais de outros doentes com covid-19 que estavam a recuperar da doença.

Os investigadores compararam os valores diagnósticos dos dois métodos de amostragem do RNA e descobriram que as secreções orofaríngeas obtidas de dois dos 75 sujeitos do primeiro estudo deram resultados positivos para o ácido nucleico SARS-CoV-2. No segundo estudo, as amostras de secreções orofaríngeas foram consideradas significativamente mais sensíveis para a deteção do vírus, tendo falhado apenas 14% dos casos positivos em comparação com 59% para as amostras de esfregaços.

“O teste de esfregaço nasofaríngeo tem o risco de enviar para casa mais pacientes que ainda têm a infeção, enquanto o teste de secreções orofaríngeas cometerá tais erros em menos pacientes”, refere Jingzhi Ma.

O professor acrescentou, contudo, que, embora a amostragem de secreções orofaríngeas melhore a precisão do teste de RNA, esta conclusão baseia-se numa amostra de pequena dimensão.