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Inquérito mostra principais desafios do ensino da medicina dentária durante a pandemia

A Association for Dental Education in Europe (ADEE [1]) analisou o impacto da pandemia [2] no ensino [3] da medicina dentária, através de uma série de perguntas feitas à sua liderança por uma representante do Higher Education Policy Institute, Lucy Haire, e pela adviser to clinical assessment feedback system na Invent Partners Sunita Gordon. O resumo das respostas foi publicado no site da ADEE [4].

Bem-estar dos estudantes

A principal preocupação de todos os inquiridos durante a pandemia foi o bem-estar e o progresso dos estudantes. O presidente eleito da ADEE e professor na Universidade de Oslo, Pål Barkvoll, comentou: “Estou mais preocupado com os alunos de medicina dentária do primeiro e segundo ano que tiveram o ensino mais digital no momento em que se estão a estabelecer.”

Já a atual presidente da ADEE e chefe de departamento de cirurgia oral na Universidade Stradins de Riga, Ilze Akota, notou que os alunos tiveram de assumir mais responsabilidade pela sua própria aprendizagem, uma vez que tiveram menos ajuda presencial dos seus professores.

Ensino e aprendizagem

Outro tema relevante foi o impacto no ensino e na aprendizagem, sendo que agora quase todos os elementos académicos dos cursos são remotos, e a prática clínica tornou-se mais “intensa”, segundo Ilze Akota, onde professores e alunos têm de “fazer o melhor uso do tempo presencial”, preparando-se com antecedência mais do que nunca.

Um resultado positivo percebido pela professora de saúde oral pública em França, Stephanie Tubert, é o desenvolvimento de “abordagens mais originais, mais centradas nos estudantes e mais baseadas em competências”, esperando que “nunca mais voltemos a ser como eramos antes”.

Já Pål Barkvoll destacou as pressões sobre os próprios professores, recordando: “Tive hoje uma palestra em metodologia de investigação e estava a ver sessenta ecrãs, a ensinar as regras e as leis da investigação, que podem ser muito secas. Quando se tem alunos num auditório, é muito mais fácil envolvê-los e tornar estes temas interessantes.”

Tecnologia e mudanças nas clínicas dentárias

A tecnologia foi também um tema que se destacou fortemente em todas as entrevistas. Ilze Akota comentou que “antes da pandemia, tinha talvez uma reunião de Zoom por mês, agora acontence diariamente”. O facto de as conferências de investigação poderem agora ser mais inclusivas, uma vez que não existiam custos proibitivos associados às viagens e ao alojamento, foi um bónus identificado. No entanto, a energia positiva dos encontros presenciais é algo que todos os inquiridos anseiam.

A adaptação ou substituição de tecnologia utilizada na prática clínica para melhorar o controlo de infeções foi outros dos destaques. O secretário-geral da ADEE e orador no King’s College London, Barry Quinn, explicou que as suas clínicas tinham substituído peças de mão movidas a ar por “peças elétricas que geram menos aerossóis”, entre outras alterações.

O layout físico e design das clínicas da escola dentária foi outro ponto de conversa frequente. Todos os entrevistados falaram da necessidade de desenhar clínicas de ensino dentário com cabines individuais, boa ventilação, filtragem de ar de última geração e portas automáticas.