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Médicos Dentistas

IDF, dentes e o paciente pós-covid

Sim, lá venho eu com os meus títulos um pouco improváveis, eu sei. Mas agora que já convivemos com o vírus como se de uma gripe se trate, começam a vir os pacientes “pós-covid” bem diferentes do que eram antes. Vêm mais bem preparados pelo google, mais conscientes da sua saúde (ou até hipocondríacos) e mais sensíveis ao preço…

VitorBrás

Vítor Brás

Entram na clínica um tanto nervosos, munidos do seu álcool-gel e tendencialmente mais curiosos ou mesmo duvidosos quanto ao que o médico dentista lhes tem para explicar. Começa o embate…

Com isto tudo lembrei-me de um jornalista alemão, Jurgen Todenhofer, que chegou a passar uns dias incríveis entre as trincheiras do Estado Islâmico em regime de tudo incluído, onde chegou a entrevistar um dos líderes. Quando Jurgen perguntou qual o exército que o EI mais teme a resposta foi: جيش الدفاع الإسرائيلي ou Israel Defense Forces (IDF). Porquê? Por vários motivos, mas destaco a regra dos três C’s do IDF:

  1. Clareza
  2. Capacidade
  3. Credibilidade
Clareza

Temos de ser claros quanto aos limites que não podem nem devem ser ultrapassados, como pedir a palavra quando se é interrompido ou não perder a autoridade na conversa com o paciente; tudo isto numa linguagem bem percetível.

Capacidade

Não sendo uma guerra, há que mostrar que estamos melhor “armados”, que temos sempre mais argumentos que defendam a nossa opinião clínica.

Credibilidade

Há sempre um ou outro paciente que acha que o pão na nossa mesa depende apenas dele, e que temos que pedir com jeitinho para que aceite o nosso tratamento. Mantenha a credibilidade de um profissional sereno que não precisa de “esmola”.

Com a pandemia e as compras online, há a falsa sensação que se pode eliminar o intermediário. Basta procurar na internet e voilá! Contudo, para chegar ao tratamento dentário não dá para o encomendar no AliExpress ou no eBay e têm mesmo que “aturar” o dentista. No geral, somos uma classe profissional jovem, e é muito comum haver problemas em manter a autoridade. Há que aprender que dentro do gabinete somos mais “alpha” do que “beta”. Nós não vendemos, ajudamos!

Políticas à parte, porque não é disso que gosto de falar nesta rubrica, muitas vezes acho que a medicina dentária em Portugal é um pouco como Israel. Rodeada de inimigos, seguros, marketings agressivos, etc. E se a medicina dentária é como Israel muitas vezes a indústria dentária é como a Jordânia que até se diz aliada, mas muitas vezes é uma aliança um tanto obscura. Shalom!

*Artigo de opinião publicado originalmente na edição n.º 139 da revista SAÚDE ORAL, de julho-agosto de 2021.

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