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Formação

Humanizar o processo digital entre o dentista e o paciente

A 3ª edição da Pós-Graduação em Medicina Dentária Digital da CESPU vai iniciar-se em abril deste ano e, além do caracter multidisciplinar do seu plano de estudos, pretende contribuir para uma melhor comunicação entre o médico dentista e o paciente, com vista a uma relação de confiança durante e depois do tratamento. Em entrevista, o coordenador pedagógico da pós-graduação, mestre Hossam Dawa, salienta os principais tópicos da formação académica que está em constante atualização.

Qual é o objetivo desta pós-graduação?

 

Esta pós-graduação foi a primeira a surgir na área da medicina dentária digital, não apenas a nível nacional, mas também em relação a muitos outros países. Este é um facto que nos orgulha, no entanto não é suficiente para manter o sucesso e a continuidade do que já tínhamos nas primeira e segunda edições.

O nosso objetivo é fazer entender as nossas mais-valias para a classe, no fundo, em que é que nos diferenciamos. Os conceitos da medicina dentária digital têm evoluído bastante nos últimos dois anos e a abordagem é diferente em relação ao que existe, nós ensinamos a medicina dentária utilizando os meios digitais. Ensinamos conceitos aliados a técnicas. Acreditamos que a medicina dentária convencional deixou de fazer sentido em termos de conforto para o paciente. A previsibilidade do resultado para o paciente, os custos e o tempo dispensado tanto da parte da equipa clínica como do paciente… Tudo isso torna o processo convencional mais penoso em comparação com o que está disponível.

 

Atualmente faz sentido começarmos a pensar àquilo a que chamamos de medicina dentária guiada, o termo digital deixa de ser tão atual. Em todos os procedimentos e ramos da medicina dentária, desde o início até ao fim, torna-se uma garantia que vamos ter no final do tratamento aquilo que tinha sido planeado no início do mesmo. A garantia que vamos atingir os nossos objetivos é a alma de tudo o que praticamos na medicina. Inevitavelmente vai garantir uma taxa de sucesso mais elevada.

A garantia de que vamos atingir os nossos objetivos é a alma de tudo o que praticamos na medicina. Inevitavelmente vai garantir uma taxa de sucesso mais elevada.

 

Que necessidades encontrou na medicina dentária em Portugal que motivaram a criação desta Pós-Graduação na área digital?

A indústria já está muito à frente daquilo que aplicamos no nosso dia a dia. O facto de ter tido acesso direto aos equipamentos e a conhecimento atualizado nas várias especialidades da medicina dentária, fez com que encontrasse uma lacuna entre os avanços tecnológicos industriais e o potencial que o médico dentista possa aproveitar no seu dia a dia. Em tempos, as limitações da aplicação da medicina dentária digital no nosso dia a dia passavam pelos custos elevados e a falta de escolas que proporcionassem formação académica e sólida. Dadas estas duas falhas, surgiu-me a ideia de lançar este programa, visto ser uma necessidade incontornável para toda a nossa classe.

 

Antigamente quem proporcionava a formação eram os próprios fabricantes e, por isso, acabava por ser um pouco enviesada e menos objetiva, baseada em poucos estudos longitudinais a longo prazo. Disponibilizar uma pós-graduação num ambiente universitário vai capacitar os nossos alunos a terem fundamentos cada vez mais sólidos para aplicar na prática clinica diária.

Em abril vai se iniciar a 3ª edição desta pós-graduação. As candidaturas têm superado as vagas disponíveis do curso? Como está a correr a aceitação?

Temos sempre bastantes interessados a tirar dúvidas e a pedir esclarecimentos, tanto da parte da faculdade, como a nível pessoal, do leque dos nossos colegas, amigos e estudantes. O interesse é verdadeiro de toda a classe porque a pós-graduação não inclui apenas uma determinada especialidade, a medicina dentária digital cobre, de forma particularmente impactante, todas as especialidades. Por exemplo, um ortodontista pode ter interesse em entender como a cirurgia implantar pode ser feita − nos casos simples e médios − pelos meios digitais.

Têm tido feedback dos profissionais que já terminaram a pós-graduação? E de que forma estão a exercer e a pôr em prática as competências que aprenderam?

Sim, temos. Nós, como faculdade, fazemos questão de acompanhar e saber até que ponto estão a aproveitar e a aplicar os conhecimentos no seu dia a dia da prática clínica. Num grupo de 20 alunos o interesse pode ser variável e a capacidade de integrar os conceitos também. Conseguimos formar um bom número de alunos com nível de expert. Aliás, tivemos o prazer de convidar alguns alunos para serem professores na 2ª edição da pós-graduação.

Devo também salientar que o esforço pessoal de cada aluno é determinante, não basta frequentar o curso, tem de praticar as ferramentas e os conceitos adquiridos. Isto é comum a todas as áreas, tudo o que aprendemos devemos aplicar de forma contínua e consistente. De uma forma geral, mais de 70% dos alunos estão bastante capacitados para utilizar tudo o que aprenderam durante o curso.

Sabemos que a base do sucesso passa por criar uma boa comunicação e confiança durante e depois do tratamento.

Quais são as principais áreas em destaque no plano de estudos?

Tentamos incluir todas as áreas da medicina dentária, desde a elaboração do próprio plano de tratamento, baseado no diagnóstico; às mudanças estéticas e funcionais; à implantologia guiada; ortodontia guiada; impressão 3D e as suas aplicações na dentária; cirurgia guiada mais avançada… Resumidamente combinamos todas as áreas da medicina dentária. No entanto, à medida que surgem novidades no processo da evolução da medicina dentaria guiada, vamos atualizando o plano. O esqueleto principal é o mesmo, mas vamos sempre introduzindo as tais mudanças e atualizações. Por vezes, criamos um fluxo de trabalho novo, mais rápido e fácil de entender.

Um aluno que termine esta pós-graduação tornar-se-á um profissional mais apto a?

A diagnosticar melhor os casos porque vai ter acesso a meios de diagnóstico mais avançados. Com base nestes meios certamente vai conseguir elaborar um plano de tratamento mais objetivo, independentemente da sua área de atuação, vai conseguir comunicar de forma mais fluida com o paciente, com o técnico de laboratório, com o staff e com a equipa clínica. Vai conseguir falar de forma mais uniforme numa equipa multidisciplinar ao mesmo tempo que leva a cabo a própria execução do que já tinha sido planeado, conseguindo evidenciar ao paciente o resultado final antes de começar. Através dos meios audiovisuais e digitais irá contribuir para criar uma maior confiança entre o paciente e o médico. Sabemos que a base do sucesso passa por criar uma boa comunicação e confiança durante e depois do tratamento.

Noto uma crescente preocupação com as soft skills dos profissionais…

Com base em muitas pesquisas que fiz, cheguei à conclusão de que a comunicação é um dos grandes problemas da humanidade. A comunicação pode resolver muitos problemas, mas se não for bem conseguida pode gerar muitos problemas. No mundo convencional era bastante penoso, por muitas palavras e tempo que dispensássemos, fazer entender o nosso paciente do que ia acontecer, éramos incapazes de o conseguir. Se não terminar com um resultado muito positivo pode gerar um problema entre o paciente e o médico. Havendo estas ferramentas digitais que nos permitem ver e criar aquilo a que chamamos do nosso paciente virtual, conseguimos introduzir quase todas as alterações pretendidas e fazer com que o paciente visualize estas alterações antecipadamente, criando conforto e confiança.

*Entrevista publicada originalmente na edição n.º 142 da revista SAÚDE ORAL, de janeiro-fevereiro de 2021.

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