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OMD

“Houve um desinvestimento relativamente à saúde oral nos cuidados de saúde primários do SNS”

As declarações são do bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Miguel Pavão, no último dia do roteiro “Medicina Dentária no SNS”, que pretendia avaliar as condições dos médicos dentistas nas unidades de saúde das cinco Administrações Regionais de Saúde (ARS) do País.

Miguel Pavão percorreu o continente durante quatro dias – de 11 a 14 de outubro – e o Centro de Saúde da Damaia, na Amadora, foi o local escolhido para encerrar o périplo e fazer o balanço da iniciativa.

 

No âmbito do projeto-piloto do Governo “Saúde Oral para Todos” − para colocação de médicos dentistas no SNS − estava previsto que a assistência médica chegasse a 278 centros de saúde e apenas 132 estão a funcionar, ou seja, apenas 40% do território nacional tem cobertura de médico dentista nos centros de saúde.  O bastonário OMD, sublinhou que “há muito para fazer e algumas situações são preocupantes. As metas ficaram por cumprir”. O mesmo responsável diz que a justificação pode agora ser a pandemia, mas alerta que esta situação “não pode servir de desculpa” porque os objetivos traçados no projeto-piloto eram para 2020. A pandemia surge em março de 2020, mas o atraso já era significativo”. Miguel Pavão considera mesmo que “houve um desinvestimento relativamente à saúde oral neste período nos cuidados de saúde primários no SNS”.

Durante o périplo, foi ainda possível verificar a rotatividade dos médicos dentistas nos vários centros de saúde do País. “Na ARS Algarve, nos 14 centros de saúde que já existem com resposta de medicina dentária nos últimos seis meses houve a rotatividade de 11 médicos dentistas”, comentou o bastonário. Miguel Pavão chamou a atenção para a importância de ser estabelecida uma relação entre o médico e o utente, salientando que a OMD “acompanhará sempre as diligências para a criação da carreira” e neste caso “a relação médico/utente é fundamental”.

 

O roteiro pelos centros de saúde vai permitir elaborar um relatório que será entregue junto da tutela. Este relatório pretende que seja um “exemplo de boas práticas para puderem ser otimizadas algumas medidas e trabalhar questões como a discrepância brutal que existe entre as administrações regionais de saúde. Uma discrepância em termos de funcionamento, de operação e de gestão e também na criação de competências para que o médico dentista seja valorizado na organização da medicina dentária no SNS”.

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