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Saúde Oral

“Fomos a única classe da área da saúde que esteve legalmente impossibilitada de trabalhar [na pandemia]”

O presidente da Comissão Organizadora do Congresso da APHO faz o balanço da edição deste ano, que destacou os higienistas orais no SNS.

O presidente da Comissão Organizadora do Congresso da APHO, Carlos Lopes, faz o balanço da edição deste ano, que destacou o trabalho dos higienistas orais no SNS e atribuiu uma Menção Honrosa a todos os profissionais pelas dificuldades acrescidas durante a pandemia.

Que impacto teve o cancelamento da edição anterior, resultante da pandemia? E de que forma este adiamento se refletiu no congresso deste ano?

Como é sabido um evento deste género obriga a muito trabalho de bastidores, a muitas horas de preparação, envolve uma logística e uma série de contactos com oradores, casas comerciais, media e congressistas, que para uma equipa de pessoas que tem outras atividades, como é o nosso caso, nem sempre é fácil de concretizar e de gerir.

 

Por isso, se falarmos no impacto que teve no que respeita à organização propriamente dita, obviamente que o facto de termos tido que adiar este congresso duas vezes não foi um processo isento de problemas.

Felizmente somos uma equipa que de alguma forma vamos aproveitando o que cada um de nós está mais apto a fazer e com boa coordenação tudo se consegue.

 

Por outro lado, o motivo de termos adiado o congresso em 2020, como é sabido não dependeu de nós e como tal apenas tivemos que cumprir e seguir as orientações que foram comuns a toda a população.

No entanto, a adesão que tivemos foi fantástica e cumpriu todas as regras de segurança. Não sentimos qualquer decréscimo de congressistas em relação a anos anteriores, pelo contrário, a vontade de voltar era muita por parte de todos o que se refletiu numa sala cheia.

Que critérios estiveram por detrás da escolha do programa desta edição?
 

A escolha do programa para os nossos congressos é sempre um dos aspetos que mais nos preocupa. Tentamos sempre questionar os congressistas sobre os temas que gostariam de ver abordados em edições posteriores e daí perceber o ou os temas que são importantes e sobre os quais devemos incidir.

Por outro lado, tentámos abordar temas que de alguma forma estejam na “ordem do dia” e outros que, mesmo já abordados muitas vezes, são sempre importantes e estão sempre em atualização fazendo também eles parte das nossas escolhas.

Se tivesse de destacar um tema como principal motor do congresso deste ano, qual seria?
 

Não destacaria nenhum em especial, no entanto, há o trabalho dos higienistas orais no Serviço Nacional de Saúde que, pela diferente realidade em cada um dos locais do País, nos pareceu muito importante.

Seria um tema em que muito mais haveria para dizer e que certamente voltará a fazer parte de um painel de um próximo congresso da APHO.

O Prémio Higienista Oral de 2021 foi atribuído a todos os profissionais, em jeito de Menção Honrosa pelo trabalho desenvolvido durante a pandemia. A que se refere especificamente? Quais foram as maiores dificuldades de trabalho reportadas pelos higienistas orais durante este período?

Todos os anos a APHO, mediante alguns critérios e aspetos valorizados pelo trabalho desenvolvido, elege um higienista oral a quem atribui o Prémio Higienista Oral.

Este ano fomos todos nós! E porquê? É inegável que os tempos de pandemia foram muito difíceis e penosos para todos e para todas as classes profissionais. No entanto, na nossa área, e estendo aos médicos dentistas, assistentes dentárias e restantes profissionais da saúde oral, foi ainda mais.

Fomos a única classe da área da saúde, pela especificidade e risco aumentado de transmissão da covid-19, que esteve legalmente impossibilitada de trabalhar. Dois meses sem poder trabalhar com tudo o que isso acarreta, nomeadamente no aspeto financeiro. Foi um “mal” necessário para que pudéssemos recomeçar em segurança, como aconteceu.

Com a retoma das consultas e atividades de saúde oral era imperioso a utilização de equipamentos de segurança reforçados. EPIS completos com fatos, batas, luvas, perneiras, óculos e viseiras que tornaram, e assim continuam a tornar, o nosso trabalho mais dificultado.

Por outro lado, muitos dos higienistas orais que trabalham no SNS de forma voluntária e com grande dedicação, responderam ao chamado dos nossos pares da saúde colaborando de forma exemplar em rastreios de covid-19 a idosos residentes em lares, à população em geral nos centros de atendimento para o efeito e também à população escolar. Muitos passaram meses nos contatos epidemiológicos, contactando telefonicamente a população.

Foram dias, meses difíceis, mas que em momento algum os higienistas orais deixaram de dar o seu contributo para esta que foi e está a ser a pandemia que alterou as nossas vidas e o nosso quotidiano.

Por todas estas razões, achámos que todos nós merecíamos esta Menção Honrosa, pelo trabalho, mas principalmente pela versatilidade, coragem e dedicação que todos demonstramos.

Achamos que devíamos destacar a classe profissional que somos.

*Leia a entrevista completa na edição janeiro-fevereiro da SAÚDE ORAL

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