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Médicos Dentistas

“Em Portugal existe a tendência cultural de recorrermos à restauração para tudo”

próteses dentárias Saúde Oral

A afirmação é do responsável pela Reabilitação Oral na Clínica Dentária Santa Madalena de Alverca, Diogo Ressurreição, que em entrevista à SAÚDE ORAL, fala sobre as vantagens da prótese fixa, em caso de destruição dos dentes, e da evolução digital que permite resultados mais rápidos e eficientes.

Como tem sido a evolução da prótese fixa e quais as suas vantagens ou diferenças relativamente à prótese móvel?

 

A prótese fixa tem evoluído significativamente nos últimos anos no que às técnicas e materiais usados diz respeito. As técnicas usadas em clínica são cada vez mais “patient friendly”, menos desconfortáveis e mais cómodas para o paciente e médico. Esta evolução permite otimizar não só o resultado final, bem como a celeridade de conclusão dos trabalhos. As vantagens em relação à prótese removível são como o próprio nome indica, prótese fixa. Ao ter elementos fixos na sua boca, o paciente evita o desconforto de corpo estranho que a prótese removível acarreta, bem como os constrangimentos de higiene a que um elemento removível obriga.

Na sua opinião, como tem evoluído a protética dentária no nosso País em comparação com procedimentos que se realizam noutros países da Europa?

 

Portugal através dos seus dentistas e técnicos de prótese tem feito um enorme esforço para estar a par das mais recentes técnicas e materiais. Infelizmente devido aos baixos preços de atos médicos praticados em Portugal, quando comparando com outros países europeus, nem sempre conseguimos introduzir na nossa prática clínica as tecnologias mais recentes com a rapidez e o à vontade como os outros países o fazem. Os técnicos de prótese veem-se obrigados a fazer vários trabalhos por dia de forma a poder manter os níveis de faturação. Obviamente isso diminui o tempo dedicado a cada trabalho, o que impede muitas vezes um resultado final conforme seria desejado, e conforme se vê noutros países, nomeadamente no norte da Europa.

Em que situações se deve recorrer às próteses fixas e quais as necessidades que surgem mais na prática clínica?

 

A prótese fixa deve ser utilizada em duas situações, no caso de recuperação de um dente cariado/fraturado e em caso de necessidade estética.

Na primeira, sempre que um dente sofre uma destruição superior a metade da sua estrutura original, e principalmente no caso de dentes endodonciados, é obrigatório a realização de uma coroa. É, na minha opinião, a única forma de recuperar a estética e a função perdida. Existe a tendência cultural em Portugal de recorrermos à restauração para tudo. É errado. O risco de fraturas dentárias nestes casos é enorme e infelizmente ainda se vê muito atualmente.

 

Na segunda, no caso de necessidade estética para corrigir a forma, cor ou apinhamentos dentários, a utilização de prótese fixa através de materiais cerâmicos com elevada estética, como o dissilicato de lítio, é a opção de tratamento mais adequada, e na qual se consegue resultados de sonho, verdadeiramente miraculoso.

Há que sensibilizar todos os profissionais de saúde oral e as pessoas responsáveis pela gestão do meio que a baixa de preços dos atos médicos, nos diversos seguros e entidades, não é a solução, condenando os investimentos nestas novas tecnologias.

Quais os maiores desafios na sensibilização dos pacientes para os cuidados de higiene a ter quando têm próteses fixas? 

Como qualquer grande investimento que se faz, a prótese fixa necessita de cuidados e manutenção rigorosos. O médico dentista tem a obrigação de explicar quais os cuidados de higiene a ter após a conclusão do seu trabalho. Para cada caso existem cuidados de higiene específicos, mas em traços gerais passa por ter: escovas manuais ou elétricas, fios dentários e escovilhões de qualidade e marcas com provas dadas no mercado. Assiduidade nos hábitos de higiene oral diária e visitas periódicas ao dentista são fundamentais para que uma prótese fixa dure muitos anos.

O facto de o processo ser demorado pode desmotivar os pacientes ou o processo já é mais agilizado nos dias de hoje?

É verdade que há uns anos a realização de uma coroa ou qualquer tipo de trabalho de prótese fixa exigia um elevado número de consultas. Hoje, com a introdução de materiais mais simples de trabalhar (ex: espigões de fibra) e de técnicas como o scanner intraoral, aliados a uma cada vez mais fácil comunicação digital com os laboratórios, consegue-se entregar trabalhos de prótese fixa em apenas duas consultas! É verdadeiramente fantástico assistir a esta evolução digital que nos permite fazer trabalhos cada vez melhores e com mais rapidez, contrariando aquela velha máxima de que “a rapidez é inimiga da perfeição”.

A que inovação gostaria de assistir ao nível das próteses fixas e que possam constituir uma mudança de paradigma?

Era importante introduzir a ideia de que a prótese fixa é o único tratamento seguro e viável quando ocorre destruição dos dentes e abandonar o conceito errado e cultural de que o compósito é a solução para tudo, só por ser mais barato. Há muitos portugueses que nunca ouviram falar de uma coroa, não sabem o que é uma cerâmica. Temos de introduzir em todos os médicos dentistas esta ideia e fazer com que eles possam transmitir aos pacientes esta linha de pensamento. É importante explicar que existem técnicas e materiais rápidos, seguros e confortáveis, e que fazer uma coroa não é um processo doloroso ou demorado, mas sim um meio para a pessoa se sentir melhor a nível estético e funcional!

Era importante introduzir a ideia de que a prótese fixa é o único tratamento seguro e viável quando ocorre destruição dos dentes, abandonando o conceito errado e cultural de que o compósito é a solução para tudo, só por ser mais barato.

Quais as exigências a nível de equipamentos e de recursos humanos para o sucesso de uma reabilitação com prótese fixa?

A nível de equipamentos penso que passa pela obtenção de materiais de marcas fiáveis, de uma boa aparatologia de laboratório, e de boas ferramentas de comunicação entre médico dentista e técnico de prótese. A nível de recursos humanos, por um lado temos os dentistas que devem ter uma especialização obrigatória em prótese fixa, obtida através de pós-graduações, e por outro lado temos as assistentes dentárias. É fundamental ter assistentes dentárias perfeitamente inteiradas do protocolo e dos materiais a seguir. É meio caminho andado termos uma assistente que sabe o que está a fazer e que torna todo o processo mais fácil para médico e o paciente. O médico dentista saber criar um protocolo de trabalho. A confeção de uma prótese fixa implica um processo que pode acarretar uma série de erros possíveis. Ao existir um protocolo de trabalho e materiais estamos a minimizar a probabilidade de esses erros ocorrerem e a permitir aumentar o grau de probabilidade de obtenção de um trabalho perfeito.

Existe alguma inovação nesta área que gostasse de assistir no futuro?

O caminho da prótese fixa passa pela evolução do digital quer a nível clínico quer a nível laboratorial, e também da evolução das ferramentas de comunicação entre a clínica e o laboratório. Os scanners intraorais para uso clínico evoluem de dia para dia, e a nível do laboratório, o processo de confeção de coroa e outros elementos fixos passa cada vez mais pelo processo de impressão 3d e CADCAM, que também evolui diariamente.

Seria fantástico para um País pequeno e com poucos recursos como Portugal conseguir ter capacidade financeira para acompanhar esta evolução técnica. Para que isto aconteça, há que sensibilizar todos os profissionais de saúde oral e as pessoas responsáveis pela gestão do meio, que a baixa de preços dos atos médicos nos diversos seguros e entidades não é a solução, condenando os investimentos nestas novas tecnologias.

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