Saúde Oral

Estudo sul-africano destaca importância da saúde oral em crianças com autismo

Com o número crescente de casos relatados de crianças com Transtorno do Espetro do Autismo (TEA) – aproximadamente uma em cada 160 crianças sofre deste transtorno, segundo a Organização Mundial de Saúde –, a importância de prevenir problemas de saúde oral está a tornar-se cada vez maior. A conclusão é do estudo The oral health status of children with autism spectrum disorder in KwaZulu-Natal, South Africa, publicado na BMC Oral Health, e que identifica formas de diminuir as desigualdades na saúde oral nesta população.

Os investigadores da Escola de Ciências da Saúde da Universidade de KwaZulu-Natal realizaram exames intraorais a 149 crianças com esta condição na província da África do Sul. Do total de crianças analisadas, 85,2% tinham cáries não tratadas na dentição definitiva, uma percentagem relativamente alta quando comparada com os 56,5% registados na generalidade das crianças, segundo dados de uma pesquisa nacional de saúde oral realizada em 2015.

Tratando-se de um distúrbio de desenvolvimento neurológico, as crianças com TEA não possuem malformações, mas muitas vezes desenvolvem problemas orais que resultam de lesões autoinfligidas, medicamentos, da preferência por alimentos doces e moles e da falta de destreza manual. Além disto, segundo avançado, no ano passado, pela publicação Dental Tribune International, as crianças que sofrem de TEA visitam o dentista com pouca regularidade porque é difícil fazê-las colaborar nas consultas. Uma consequência da ausência de tratamento dentário adequado é o aumento do risco de cárie dentária, infeções orais e outros problemas dentários.

Das crianças observadas, 52,9% lavavam os dentes apenas uma vez por dia, além de 68,5% apresentarem lesões autoinfligidas na região da cabeça e pescoço. Para combater estes problemas, os autores do estudo recomendaram o desenvolvimento de programas preventivos e educativos de saúde oral, por forma a reduzir a taxa de cárie e enfrentar os desafios específicos destas crianças.

Magandhree Naidoo, coautora do estudo e professora do Departamento de Higiene Oral da Universidade do Cabo Ocidental, definiu algumas das medidas que poderiam ser implementadas na África do Sul para enfrentar as desigualdades na saúde oral. Uma delas é o Programa Sparkle Brush, que treinou professores do ensino especial para ensinarem assistentes e enfermeiros a dar instruções de profilaxia oral e a ensinar a técnica adequada de escovagem para crianças.

A iniciativa foi distinguida, recentemente, com um prémio de responsabilidade social internacional para necessidades especiais no Simpósio Internacional de Higiene Dentária da Federação Internacional de Higienistas Dentários de 2019, em Brisbane, na Austrália.