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Estudo revela efeitos paralelos entre crise da sida e da covid-19

Um estudo de 2020 [1] conduzido por investigadores da Universidade de British Columbia (Canadá) investigaram os efeitos paralelos entre a crise da sida [2] e da covid-19 na prática de medicina dentária. Todos identificaram que o uso de máscaras e luvas era indispensável atualmente para a prática dentária, noticia o Dental Tribune International [3].

De acordo com o estudo, três subtemas emergiram: equipamento de proteção individual e precauções universais; um mundo em (des)colapso em termos de confinamentos gerais e agitação social que pode levar ao estigma e discriminação causada por ambas as pandemias.

Um dos participantes do estudo explicou que antes da chegada do VIH a norma era não utilizar luvas:  “Quando comecei não usávamos máscaras ou luvas. Mas tudo mudou − fomos todos testados para o VIH. Estávamos muito atentos e foi quando começámos a usar óculos, máscaras e luvas. Agora nunca consideraria trabalhar sem nada disso”, explicou o assistente dentário.

Em entrevista à DTI, o presidente eleito da Federação Europeia de Periodontologia, Lior Shapira, partilhou a sua experiência durante a sua carreira na medicina dentária: “Quando era estudante há muitos anos, trabalhava sem luvas, máscaras ou batas e depois apareceu o VIH. Aprendemos a proteger-nos do vírus através da melhoria das medidas de EPI.

“Agora o mesmo está a acontecer com o coronavírus e acho que a lição mais importante que aprendemos com ele é a constatação de que os profissionais de dentária precisam de se proteger totalmente, especialmente quando executamos procedimentos geradores de aerossóis, é preciso usar batas e proteções para cabelo, máscaras N95 − que não usávamos antes − e uma viseira por cima. Todas estas medidas melhoradas estão provavelmente aqui para ficar e tornar-se-ão o novo padrão de cuidados”, acrescentou.

A investigação foi feita com recurso a 45 entrevistas conduzidas a 18 médicos dentistas, 12 higienistas orais, seis assistentes dentários e nove administradores; 22 dos entrevistados eram mulheres.