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Médicos Dentistas

Estudo analisa fatores que contribuem para saúde dos profissionais de dentária

Um grupo de investigadores suecos questionou profissionais de clínicas dentárias para analisar os fatores que contribuem na sua saúde.

Um grupo de investigadores suecos questionou profissionais de clínicas dentárias da Suécia, entre 2012 e 2014, para analisar se se mantêm saudáveis no emprego e que fatores organizacionais, relacionados com o trabalho ou com a saúde, contribuem para isso, noticia o Dental Tribune International.

Os investigadores determinaram que os fatores que tornavam mais propenso um profissional do setor pertencer ao grupo dos saudáveis eram:

  • A boa capacidade para o trabalho físico;
  • Não terem dor no pescoço, nos pulsos, nas mãos e nas costas inferiores;
  • Não possuírem sintomas músculo-esqueléticos nos ombros;
  • Terem uma perceção de baixo esforço no final do dia de trabalho;
  • A ausência de problemas de sono.
Comentário da principal autora do estudo

Em declarações ao DTI, a autora principal do estudo, Charlotte Wåhlin, afirmou: “A nossa mensagem é que é possível organizar um trabalho de forma a evitar lesões. Os empregadores e os trabalhadores precisam de se envolver na gestão sistemática do ambiente de trabalho, identificar os riscos e ter um plano sobre como lidar com eles. Os empregadores devem perguntar a cada trabalhador o que pode ser feito para promover a saúde no trabalho. Os resultados do estudo mostram que os colaboradores têm necessidades diferentes e a sua saúde claramente varia”.

Quando questionada sobre se o aspeto ergonómico da profissão dentária é demasiadas vezes negligenciado, disse que os profissionais poderiam certamente envolver-se mais em intervenções preventivas. “No entanto, precisamos de avaliar a exposição física e mental ao mesmo tempo para ver todo o quadro, incluindo fatores que afetam o indivíduo, o grupo como um todo e a importância da liderança. A minha impressão é que a profissão dentária tem doentes mais agudos em tempos de SARS-CoV-2 e que isso pode realmente afetar negativamente a exposição ao trabalho”, sublinhou.

Wåhlin recomenda que os profissionais utilizem exercícios ergonómicos na prática diária para prevenir distúrbios relacionados com o trabalho.

Os autores do estudo concluíram: “Compreender a relação entre as condições de trabalho e o bem-estar é crucial para poder conceber intervenções específicas para os prestadores de cuidados de saúde oral que melhorem as suas condições de trabalho e saúde. Sugerimos que os estudos de intervenção futuros se concentrem na forma como os recursos no local de trabalho influenciam a saúde e o bem-estar dos colaboradores”.

Metodologia

Um total de 486 médicos dentistas, higienistas orais e assistentes dentários de clínicas dentárias suecas participaram num questionário em 2012 e 2014 que contou com questões sobre demografia, indicadores de saúde e fatores de trabalho e organização. Os prestadores de saúde oral sem baixa médica ou que trabalham mesmo doentes foram questionados sobre a sua perceção de liderança, apoio no trabalho, condições de trabalho, controlo de emprego, exigências de emprego, capacidade de trabalho e saúde.

Para a análise de dados, os participantes foram classificados em três grupos: grupo saudável, grupo semisaudável e grupo pouco saudável. Os inquiridos foram classificados como saudáveis se não tivessem reportado a baixa médica ou a presença de doença em 2012 ou 2014. Os três grupos não apresentaram diferenças significativas em termos de sexo, idade, categoria profissional, tamanho da clínica, número de anos no serviço dentário ou horas de trabalho por semana.

O estudo intitulado “Work and health characteristics of oral health providers who stay healthy at work—a prospective study in public dentistry” foi publicado online a 6 de abril de 2021 no European Journal of Physiotherapy.

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