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Ensino: Humanizar o processo digital entre o dentista e o paciente

A 3ª edição da Pós-Graduação em Medicina Dentária Digital da CESPU [1] vai iniciar-se em abril deste ano e, além do carácter multidisciplinar do seu plano de estudos, pretende contribuir para uma melhor comunicação entre o médico dentista e o paciente, com vista a uma relação de confiança durante e depois do tratamento. Em entrevista, o coordenador pedagógico da pós-graduação [2], mestre Hossam Dawa, salienta os principais tópicos da formação académica que está em constante atualização.

Qual é o objetivo desta pós-graduação?

Esta pós-graduação foi a primeira a surgir na área da medicina dentária digital, não apenas a nível nacional, mas também em relação a muitos outros países. Este é um facto que nos orgulha, no entanto não é suficiente para manter o sucesso e a continuidade do que já tínhamos nas primeira e segunda edições.

 

O nosso objetivo é fazer entender as nossas mais-valias para a classe, no fundo, em que é que nos diferenciamos. Os conceitos da medicina dentária digital têm evoluído bastante nos últimos dois anos e a abordagem é diferente em relação ao que existe, nós ensinamos a medicina dentária utilizando os meios digitais. Ensinamos conceitos aliados a técnicas. Acreditamos que a medicina dentária convencional deixou de fazer sentido em termos de conforto para o paciente. A previsibilidade do resultado para o paciente, os custos e o tempo dispensado tanto da parte da equipa clínica como do paciente… Tudo isso torna o processo convencional mais penoso em comparação com o que está disponível.

Atualmente faz sentido começarmos a pensar àquilo a que chamamos de medicina dentária guiada, o termo digital deixa de ser tão atual. Em todos os procedimentos e ramos da medicina dentária, desde o início até ao fim, torna-se uma garantia que vamos ter no final do tratamento aquilo que tinha sido planeado no início do mesmo. A garantia que vamos atingir os nossos objetivos é a alma de tudo o que praticamos na medicina. Inevitavelmente vai garantir uma taxa de sucesso mais elevada.

Que necessidades encontrou na medicina dentária em Portugal que motivaram a criação desta Pós-Graduação na área digital?
 

A indústria já está muito à frente daquilo que aplicamos no nosso dia a dia. O facto de ter tido acesso direto aos equipamentos e a conhecimento atualizado nas várias especialidades da medicina dentária, fez com que encontrasse uma lacuna entre os avanços tecnológicos industriais e o potencial que o médico dentista possa aproveitar no seu dia a dia. Em tempos, as limitações da aplicação da medicina dentária digital no nosso dia a dia passavam pelos custos elevados e a falta de escolas que proporcionassem formação académica e sólida. Dadas estas duas falhas, surgiu-me a ideia de lançar este programa, visto ser uma necessidade incontornável para toda a nossa classe.

Antigamente quem proporcionava a formação eram os próprios fabricantes e, por isso, acabava por ser um pouco enviesada e menos objetiva, baseada em poucos estudos longitudinais a longo prazo. Disponibilizar uma pós-graduação num ambiente universitário vai capacitar os nossos alunos a terem fundamentos cada vez mais sólidos para aplicar na prática clínica diária.

Um aluno que termine esta pós-graduação tornar-se-á um profissional mais apto a…?
 

A diagnosticar melhor os casos porque vai ter acesso a meios de diagnóstico mais avançados. Com base nestes meios certamente vai conseguir elaborar um plano de tratamento mais objetivo, independentemente da sua área de atuação, vai conseguir comunicar de forma mais fluida com o paciente, com o técnico de laboratório, com o staff e com a equipa clínica. Vai conseguir falar de forma mais uniforme numa equipa multidisciplinar ao mesmo tempo que leva a cabo a própria execução do que já tinha sido planeado, conseguindo evidenciar ao paciente o resultado final antes de começar. Através dos meios audiovisuais e digitais irá contribuir para criar uma maior confiança entre o paciente e o médico. Sabemos que a base do sucesso passa por criar uma boa comunicação e confiança durante e depois do tratamento.

*Leia a entrevista na íntegra na edição de janeiro-fevereiro [3] da SAÚDE ORAL.