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Ensaio clínico testa medicamento desenvolvido após associação de doença periodontal a Alzheimer

Na sequência de um estudo publicado ainda este ano e que associa a presença da bactéria Porphyromonas gingivalis à patogénese da doença de Alzheimer [1], investigadores da farmacêutica Cortexyme anunciaram um ensaio clínico de um medicamento que combate as substâncias tóxicas libertadas por esta bactéria, na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, que decorreu no final de julho, em Amesterdão. A P. gingivalis é normalmente associada à doença periodontal crónica, mas também demonstrou ter um efeito negativo na doença de Alzheimer.

A substância, que se chama COR388, está a ser testada como forma de desacelerar a progressão dos sintomas de Alzheimer. Num ensaio clínico preliminar, os investigadores da farmacêutica já tiveram indicações de que a droga pode ser utilizada com segurança em pacientes mais velhos, e apresentaram ainda dados preliminares a partir de um estudo de 28 dias em nove pessoas com sintomas leves a moderados da doença, que apontou que o medicamento melhorou a memória e o raciocínio cognitivo dos participantes, reduzindo os marcadores biológicos da condição.

“Usar um medicamento contra as proteínas tóxicas produzidas pela bactéria P. gingivalis tem revelado potenciais benefícios em ratos com características de Alzheimer”, disse Carol Routledge, diretora de pesquisa da instituição britânica Alzheimer’s Research UK, à publicação Dental Tribune. “Agora, os primeiros ensaios clínicos indicam que o medicamento é seguro, e é promissor ver que vão começar ensaios clínicos maiores para averiguar se este poderá melhorar as vidas das pessoas com Alzheimer.”

Segundo os investigadores, o novo ensaio clínico também vai ajudar a despistar se as substâncias tóxicas da bactéria que se encontram nos cérebros dos pacientes com Alzheimer são uma causa ou consequência da doença.