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Saúde Oral

Doenças periodontais: Um paciente informado é parte da solução

Doenças periodontais: Um paciente informado é parte da solução

A prevenção é o melhor tratamento das doenças periodontais. Um paciente informado é por isso essencial, mesmo nos casos em que já é necessário intervenção médica. A abordagem terapêutica está em constante atualização. Estas são as conclusões de uma conversa com três especialistas nesta área da saúde oral.

As doenças periodontais, que podem ser divididas em gengivite e periodontite, são a 6.ª patologia mais prevalente no mundo e afeta cerca de 50% da população mundial. Destes, 10 a 15% têm formas severas da doença. Em Portugal, a Direção-geral da Saúde realizou, em 2015, o III Estudo Nacional de Prevalência das Doenças Orais que permitiu averiguar que a prevalência da periodontite em Portugal era de, sensivelmente, 11%.

 

De acordo com o médico dentista e regente das Unidades Curriculares de Periodontologia do Instituto Universitário Egas Moniz, Ricardo Alves, “na maior parte dos casos, a periodontite está associada à presença de placa bacteriana (biofilme), aliada a uma suscetibilidade genética por parte do hospedeiro. Existem outros fatores de risco importantes como o tabagismo ou a diabetes. Paralelamente, existem outros fatores menos relevantes que têm sido associados a um maior risco de desenvolvimento ou progressão da doença. Existem também casos em que a periodontite está associada à presença de determinadas doenças sistémicas”.

O especialista comenta ainda que em Portugal é necessário “mais dados epidemiológicos, abrangentes e de qualidade”, que vão permitir “influenciar os decisores políticos a dirigir as ações de prevenção e sensibilização junto da população em geral”. Ricardo Alves destacou, no entanto, que na sua perceção “em Portugal, infelizmente, ainda existem muitos casos por diagnosticar e tratar”, mas, acrescentou, “tenho a certeza de que a formação dos médicos dentistas portugueses é excelente e estamos a par do que de melhor se faz pelo mundo fora”, recordando que estes profissionais de saúde “têm um papel fundamental nesta sensibilização e para o aumento da literacia em saúde da população portuguesa”.

Novas classificações das doenças periodontais
 

A academia está em constante investigação sobre esta patologia e têm sido feitas algumas atualizações no que respeita à sua classificação, bem como associação a algumas patologias. Isabel Poiares Batista, diretora do Instituto de Periodontologia da Universidade de Coimbra, salientou que “a preponderância da atuação terapêutica periodontal deixou de estar exclusivamente centrada no controle da placa bacteriana para também envolver a monitorização da resposta inflamatória do hospedeiro. Este conhecimento permitiu uma atualização do sistema de classificação das doenças periodontais, e em particular da periodontite, o qual tem em linha de conta, pela primeira vez, os fatores de risco envolvidos, nomeadamente o tabagismo e diabetes mellitus”.

A classificação da doença também sofreu uma atualização, sendo definidos estádios conforme a severidade da mesma. O mais recente significativo avanço em Periodontologia advém dos resultados do Workshop Mundial de 2017, organizado pela “American Academy of Periodontology” e a “European Federation of Periodontology” da qual resultaram 19 artigos de revisão bibliográfica e quatro artigos de consenso (Caton et al., 2018). De acordo com Carlos Falcão, diretor clínico da Porto Dental Institute, “neste workshop procedeu-se à atualização da classificação de doenças periodontais (a anterior classificação tinha sido publicada em 1999 (Armitage, 1999) integrando o conhecimento científico mais recente na área da fisiopatologia das doenças periodontais”.

 

*Leia o artigo na íntegra na edição maio/junho da Saúde Oral.

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