Investigação

Doença periodontal pode ser fator de risco para demência

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A doença periodontal, principalmente em casos mais avançados, pode ser um dos fatores de risco para demência, comprometendo as capacidades cognitivas. Os resultados são de um novo estudo que foi publicado esta quarta-feira na revista Neurology.

Vários estudos anteriores já associavam a doença a outras patologias, como problemas cardíacos, derrames e diabetes.

“Analisámos a saúde oral das pessoas durante um período de 20 anos e descobrimos que as pessoas com a doença gengival mais grave, no início do nosso estudo, tinham cerca do dobro do risco de uma ligeira deficiência cognitiva ou demência no final”, disse o autor do estudo, Ryan Demmer, professor associado na Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, em Minneapolis, citado em notícia da CNN.

Pessoas com doenças periodontais mais avançadas estão em maior risco de doenças cardiovasculares, diabetes, AVC, doenças respiratórias crónicas, complicações na gravidez e demência. Contudo, não é claro se a doença periodontal causa realmente demência ou outros problemas de saúde. Porém, de acordo com Demmer, tal poderia ser explicado por certas bactérias na boca, como o microbioma oral.

“O microbioma oral é central. A minha hipótese central é que as bactérias na boca que causam a doença periodontal são também uma causa de resultados sistémicos (doença cardiovascular, demência, etc.)”, explicou por e-mail à CNN.

“Utilizamos medidas periodontais em muitos dos nossos estudos porque são um marcador substituto da exposição crónica a bactérias orais adversas.”

O investigador apontou que outra possível ligação entre doença periodontal e demência era mais indireta, com as doenças cardiometabólicas, como doenças cardiovasculares e diabetes, a servir de causa intermediária.

“Existe um conjunto sólido de literatura que sugere que as infeções periodontais crónicas podem contribuir para a resistência à insulina, pré-diabetes, diabetes incidente e AVC incidente”, disse Demmer. “Consequentemente, a resistência à insulina, a diabetes e o AVC são fortes preditores do declínio cognitivo futuro.”

Embora uma boa higiene oral seja uma “forma comprovada de manter dentes e gengivas saudáveis durante toda a sua vida”, Demmer reitera que o seu estudo apenas revela uma associação entre uma fraca saúde oral e demência, e não pode provar qualquer causa e efeito.

“É necessário mais estudo para demonstrar a ligação entre micróbios na boca e a demência, e para compreender se o tratamento de doenças gengivais pode prevenir a demência”, acrescentou.