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Saúde Oral

Dicas para um tratamento dentário seguro em pacientes grávidas

Que tipo de tratamentos dentários são seguros em pacientes grávidas é uma das principais dúvidas. Descubra algumas informações relevantes.

Que tipo de tratamentos dentários são seguros em pacientes grávidas é uma das principais dúvidas quer de estudantes de medicina dentária, de médicos dentistas jovens e também das próprias pacientes. Num artigo da Gaceta Dental, são dadas algumas dicas e informações relevantes para um tratamento dentário seguro e eficaz em grávidas.

Doenças dentárias relevantes durante a gravidez

Cada gravidez é dividida em primeiro trimestre (1 a 12 semanas), segundo trimestre (13 a 27) e terceiro trimestre (28 a 40 ou mais). Ao longo das semanas, aumentam o nível de estrogénio, o que pode intensificar as condições pré-existentes, como a gengivite ou a periodontite.

Em relação a este aumento das hormonas sexuais, pode também aparecer a epúlide gravídica. Caracteriza-se por uma lesão benigna hiperplásica. Possui uma taxa de ocorrência entre os 1 e os 5% e, geralmente, manifesta-se no terceiro trimestre.

Além disso, durante a gravidez foram observadas algumas alterações na composição da saliva. A diminuição da concentração de sódio e pH, bem como o aumento dos níveis de potássio e estrogénio, conduzem à proliferação e descamação da mucosa oral. Tal aumenta o risco de cáries durante a gravidez, por criar um ambiente próspero para as bactérias.

A azia, presente entre 30 e 70% das mulheres grávidas, está associada a enjoos matinais e vómitos, que afetam cerca de 66% das mulheres em gestação, causam forte erosão ácida nas superfícies palatinas dos dentes.

O papel do médico dentista

Devido a todas estas alterações, é fundamental que a grávida siga uma higiene oral completa para prevenir a gengivite e a periodontite.  A este respeito, o papel fundamental do médico dentista é verificar ou corrigir, se necessário, a frequência e técnica de escovagem do paciente, bem como mostrar o uso de auxiliares de limpeza e aconselhar a bochechar a boca com água após vómitos ou azia, para prevenir a erosão dentária.

Quanto aos tratamentos:

  • Flúor – Embora muitos estudos tenham indicado que o flúor atravessa a placenta, descobriu-se que não provocava malformações. No entanto, não há evidências que digam que o uso de pasta de dentes com 5.000 ppm de fluoreto de sódio ou elixir com 22.600 ppm de flúor é seguro em mulheres grávidas. Em contraste, a pasta de dentes com flúor numa concentração de 2.800 ppm foi considerada segura;
  • Anestesia local – Deve ser utilizado um anestésico que contenha um vasoconstritor, como a adrenalina, juntamente com uma aspiração cuidadosa. Lidocaína com adrenalina é segura para a maioria das mulheres grávidas. Por outro lado, a informação sobre os efeitos de anestésicos como a articaína durante a gravidez é limitada, pelo que a sua utilização deve ser evitada, a menos que qualquer benefício potencial se sobreponha ao risco. A anestesia local que contém felipressina também deve ser evitada, uma vez que está associada à oxitocina e, embora altamente improvável, a oxitocina pode ter o potencial de causar contrações uterinas;
  • Antibióticos – Só devem ser prescritos se o benefício potencial for considerado maior que o risco. Os antibióticos seguros em doentes grávidas incluem penicilinas, cefalosporinas, eritromicina e clindamicina. As tetraciclinas devem ser evitadas, uma vez que podem ter efeitos irreversíveis nos dentes e ossos do feto em desenvolvimento. Em todo o caso, é aconselhável consultar fontes antes de prescrever qualquer antibiótico;
  • Analgésicos – O paracetamol tem demonstrado oferecer eficácia e segurança durante todas as fases da gravidez. O mesmo não acontece com o ibuprofeno. Estudos destacam uma associação entre o uso de anti-inflamatórios não esteroides (AINE) e um risco aumentado de encerramento prematuro do canal arterial no terceiro trimestre.
Posição na consulta e radiografias

Os pacientes no terceiro trimestre têm um risco aumentado de Síndrome Hipertensiva Gestacional, que pode ser causada por se deitarem horizontalmente. No consultório dentário, quando o paciente intervém na consulta, a anca direita deve ser levantada entre 10 e 12 cm.

O portal recorda que na maioria dos raios-X dentários, as radiografias não apontam para o abdómen. Nesse caso, aconselha-se o uso de um avental de chumbo para proteger o feto. Pode também ser oferecido aos pacientes a opção de atrasar as radiografias não urgentes.

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